Zoologia

Tambaqui e outros peixes comem frutos da floresta alagada e levam as sementes para longe da árvore

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Os seis biomas do Brasil

Na cheia, o tambaqui (Colossoma macropomum) e outros peixes entram na floresta alagada, comem frutos caídos na água e eliminam sementes viáveis. Em Pacaya-Samiria, no Peru, um modelo baseado em peixes rastreados por rádio estimou distâncias médias de 337 a 552 m, com máximas acima de 5 km. A pesca que reduz o tamanho dos peixes tende a enfraquecer esse transporte.

Na Amazônia, rios sobem por meses e cobrem a floresta marginal com vários metros de água. Muitas árvores frutificam nessa época e os frutos caem na água. Peixes frugívoros, que se alimentam de frutos, entram na mata alagada e engolem frutos e sementes. Parte das sementes sai intacta, em outro ponto, e pode germinar quando a água baixa. Esse transporte, feito por peixes, chama-se ictiocoria. Importa porque a semente que cai sob a planta-mãe enfrenta competição e predadores, e porque a dispersão leva a espécie a áreas novas e troca genes entre populações. O alagamento em si está nos posts ligados abaixo.

Semente que afunda

Em plantas adaptadas à dispersão por peixes, a semente em geral afunda quando perde a polpa. Por isso, depois de eliminada pelo peixe, ela quase não é arrastada de novo pela água: fica perto de onde caiu.

Como sabemos: rádio, tanque e simulação

Ninguém acompanha uma semente dentro do peixe. Em Pacaya-Samiria, 24 tambaquis selvagens receberam rádio-transmissores e foram seguidos de canoa em três cheias, entre 2004 e 2006. Em tanques, outros peixes comeram sementes de cinco espécies, e os pesquisadores contaram quanto tempo cada semente demorava a sair. Um modelo de computador juntou as duas medidas: a distância é o quanto o peixe se desloca durante o tempo que a semente fica no intestino.

Por que a distância é grande e desigual

A retenção chegou a 212 horas, bem mais que nas aves, cujas sementes passam por minutos ou horas. Somada ao deslocamento entre manchas de mata alagada, ela produz um padrão com vários picos: a maioria das sementes cai a menos de 200 m da planta-mãe, mas uma fração pequena viaja por quilômetros. O local de estudo tem pouca pesca, o que ajuda a explicar por que o tambaqui ainda era comum ali.

O que a pesca muda

Hoje os tambaquis grandes são raros perto das cidades. Como o tamanho da boca limita o fruto que o peixe engole, peixes menores deixam de dispersar frutos grandes. Para o rio Purus, um modelo estima que os tambaquis de porte médio perto de Manaus só engolem frutos de cerca de 2,8 cm. Esse efeito foi calculado, não observado diretamente na regeneração da floresta.

Limites e o que ainda falta

O rastreamento tem 24 peixes, numa reserva com pouca pesca, de tamanho bem menor que o máximo da espécie. A distância é estimativa de modelo, e não se mediu onde as plântulas realmente nasceram. Em escala de bacia, a riqueza de peixes frugívoros acompanha a extensão e a diversidade da floresta alagável, o que sugere dependência nos dois sentidos, mas por correlação.

Como sabemos

Estudo central lido na íntegra, mas as distâncias vêm de modelo com 24 peixes numa única reserva, e o estudo de 2009 foi lido só no resumo.

Fontes

  1. Proceedings of the Royal Society B — Extremely long-distance seed dispersal by an overfished Amazonian frugivore
    Anderson, J. T.; Nuttle, T.; Saldaña Rojas, J. S.; Pendergast, T. H.; Flecker, A. S. · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rspb.2011.0155
  2. Oecologia — High-quality seed dispersal by fruit-eating fishes in Amazonian floodplain habitats
    Anderson, J. T.; Saldaña Rojas, J.; Flecker, A. S. · 2009 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1007/s00442-009-1371-4
  3. Proceedings of the National Academy of Sciences — Defaunation shadow on mutualistic interactions
    Costa-Pereira, R. et al. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.1801106115
  4. Proceedings of the National Academy of Sciences — Floodplain forests drive fruit-eating fish diversity at the Amazon Basin-scale
    Correa, S. B. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.2414416122
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 3; conferência de trechos automatizada)

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