Zoologia

O tamanduá-bandeira tem língua de cerca de 60 cm e não tem dentes

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) não tem um único dente. Captura formigas e cupins com uma língua tubular de cerca de 60 cm, que entra e sai da boca em até 160 ciclos por minuto, coberta de saliva pegajosa. Uma monografia científica fala em até 35.000 formigas e cupins num só dia. É um máximo estimado, não uma média.

Sem dentes, o tamanduá-bandeira depende de uma língua comprida, de glândulas salivares enormes e de garras fortes. As garras da pata dianteira abrem cupinzeiros e formigueiros, muitos feitos de material muito resistente. A língua colhe os insetos já expostos e os engole inteiros. Na dieta estudada no Cerrado de Mato Grosso do Sul, cupins apareceram em 93% das amostras e formigas em todos os animais. A espécie tem metabolismo baixo e depende de áreas de mata para regular a temperatura. Hoje é considerada Vulnerável, no Brasil e no mundo, por perda de hábitat, atropelamentos e incêndios.

O filhote viaja nas costas

A fêmea tem um só filhote por gestação e o carrega no dorso por seis a nove meses. Quando maior, ele pode descer para forragear formigas e cupins, mas fica com a mãe até a próxima gravidez. Há registro de acasalamento com a fêmea ainda carregando filhotes de poucos meses.

A língua e a saliva

A língua do tamanduá-bandeira é tubular e se projeta a cerca de 60 cm da boca. Ela entra e sai em ciclos muito rápidos, de até 160 por minuto segundo a monografia da Mammalian Species, e é coberta de saliva pegajosa que prende os insetos. As glândulas salivares são enormes: só a submaxilar tem volume parecido com o da cabeça inteira. Não há dentes. Os insetos são engolidos inteiros, sem mastigação.

As garras e a dieta

O nome tridactyla se refere às três garras bem desenvolvidas da pata dianteira. A terceira é a principal ferramenta de escavação e abre colônias de material muito resistente. Para proteger as garras, o animal anda sobre os nós dos dedos. A dieta é quase toda de formigas e cupins. No Cerrado de Mato Grosso do Sul, um estudo achou 29 tipos de formigas e 14 de cupins, com cupins do gênero Syntermes dominando a massa. Os números diários de insetos, até 35.000, são máximos estimados.

Fogo e atropelamentos

Segundo o ICMBio, os animais não fogem rápido do fogo e têm pelagem muito inflamável. Após a queimada de 1994 no Parque Nacional das Emas, que atingiu todo o parque, a densidade estimada caiu de 0,63 para até 0,00085 indivíduo por hectare. Nas estradas, 608 mortes foram registradas em Mato Grosso do Sul em três anos, e um quarto das carcaças nem foi achado. A sobrevivência anual estimada é de 0,78 perto de rodovias pavimentadas e de 0,95 longe delas.

Status de conservação

O tamanduá-bandeira é considerado Vulnerável pela IUCN. No Brasil, o ICMBio o avaliou como Vulnerável (critérios A2bcde) e suspeita de perda de pelo menos 30% da população em 21 anos, três gerações de cerca de 7 anos. Pesam a perda de hábitat, os atropelamentos e os incêndios, além de caça, cães domésticos e inseticidas. Com um filhote por ano e cuidado parental longo, a espécie se recupera devagar. O ICMBio também mantém um programa de manejo populacional para ela.

Como sabemos

Anatomia e status vêm de fontes institucionais, mas os números de lambidas e de insetos por dia são máximos citados em revisão e variam entre fontes.

Em debate: O número de lambidas por minuto varia entre as fontes: até 160 ciclos (monografia da Mammalian Species) ou cerca de 150 (Animal Diversity Web e Zoológico Nacional dos EUA).

Em debate: A quantidade diária de insetos (de cerca de 30.000 a 35.000) é um máximo estimado e não foi medida de modo sistemático em vida livre.

Fontes

  1. ICMBio, Ministério do Meio Ambiente — Myrmecophaga tridactyla (ficha de avaliação do risco de extinção)
    consultada em 05/10/2026
  2. Mammalian Species (American Society of Mammalogists), Oxford University Press — Myrmecophaga tridactyla (Pilosa: Myrmecophagidae)
    consultada em 05/10/2026
  3. Animal Diversity Web, Museu de Zoologia da Universidade de Michigan — Myrmecophaga tridactyla (giant anteater)
    consultada em 05/10/2026
  4. Smithsonian's National Zoo and Conservation Biology Institute — Giant Anteater
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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