História da Ásia

O Taj Mahal levou cerca de 20 anos e reuniu artesãos de todo o império mogol, da Ásia Central e do Irã

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026

Em 1631, Mumtaz Mahal morreu em Burhanpur ao dar à luz o 14º filho. O marido, o imperador mogol Shah Jahan, mandou erguer para ela um mausoléu em Agra, na margem do rio Yamuna. As obras começaram em 1632. O túmulo ficou pronto em 1648, e o conjunto, com mesquita, casa de hóspedes e portão principal, em 1653. Para construí-lo foram convocados pedreiros, entalhadores, incrustadores, pintores, calígrafos e construtores de cúpulas de todo o império, além da Ásia Central e do Irã.

Por baixo do branco há tijolo. O miolo é de alvenaria assentada com argamassa de cal, revestida de arenito vermelho das pedreiras de Sikri e Dholpur e de mármore branco de Makrana, no Rajastão, a cerca de 400 km de Agra. As pedras para a incrustação vieram de regiões distantes da Índia, do Ceilão e do Afeganistão: lápis-lazúli afegão, turquesa persa, jade nefrita de Khotan e Kashgar, cornalina. A técnica, chamada parchin kari na Índia e pietra dura na Itália, consiste em desenhar o motivo no mármore, escavar o encaixe e preencher com lâminas polidas de pedra, ajustadas a ponto de a junta quase sumir. A literatura registra mais de 40 materiais diferentes nessas flores. O número de trabalhadores costuma ser dado como 20 mil artesãos, uma estimativa do historiador indiano R. Nath. A UNESCO inscreveu o Taj Mahal como Patrimônio Mundial em 1983 e o chama de joia da arte muçulmana na Índia.

O ofício não acabou com a obra

Hajii Nizamuddin Naqshbandi, entalhador ligado à tradição sufi naqshbandi, restaurou as pedras do Taj Mahal por mais de 40 anos e ainda trabalhava lá quando morreu, em 2005. A historiadora Ebba Koch o registrou com martelo e ponteiro na mão. Em oficinas de Agra, o parchin kari ainda é feito hoje.

A imperatriz e o imperador

Arjumand Bano Begum, chamada Mumtaz Mahal, nasceu em 1593. Era sobrinha da imperatriz Nur Jahan e neta de I'timad-ud-Daula, vizir do imperador Jahangir. Morreu em 1631 em Burhanpur, no parto do 14º filho, e foi enterrada provisoriamente no jardim de Zainabad. Seis meses depois o corpo seguiu para Agra, para a cripta do mausoléu. Shah Jahan, que reinou de 1628 a 1658, morreu em 1666, e seu cenotáfio foi posto ao lado do dela, a oeste. Os túmulos verdadeiros dos dois ficam na cripta.

Quem desenhou o Taj

A UNESCO e o Serviço Arqueológico da Índia nomeiam Ustad Ahmad Lahori como arquiteto principal. A historiadora austríaca Ebba Koch, autora do estudo mais completo sobre o monumento, é mais cautelosa: os nomes não são conhecidos com certeza, vários arquitetos trabalharam no projeto, e Ustad Ahmad Lahauri e Mir Abdul Karim são os mais citados. Um estudo de 2009 mostrou que o complexo segue as unidades de medida tradicionais do subcontinente, sinal de que a engenharia foi feita por arquitetos e artesãos locais.

O terreno e o desenho

O terreno era dos Kachhwahas de Ajmer, no Rajastão, e foi obtido em troca de quatro mansões, como registram o Badshah-Nama, crônica do historiador da corte Abdul Hamid Lahauri, e os decretos imperiais. Uma rede de poços ao longo do rio sustenta as fundações. O túmulo fica num extremo do jardim de quase 17 hectares, e não no centro, o que dá profundidade à vista de quem chega. Os quatro minaretes soltos nos cantos da plataforma eram novidade na arquitetura mogol.

O 'Taj negro' que não existiu

Viajantes europeus contaram que Shah Jahan pretendia erguer, na outra margem do Yamuna, uma réplica do Taj em mármore negro para ser o próprio túmulo. Ali fica o Mahtab Bagh, o Jardim ao Luar. Num projeto de sete anos, a Arthur M. Sackler Gallery, do Smithsonian, e o Serviço Arqueológico da Índia escavaram o lugar. O relatório, editado por Elizabeth Moynihan e publicado em 2000, mostrou que o jardim prolonga o desenho do Taj em planta, proporção e alinhamento, e descartou a história do segundo mausoléu.

Como sabemos

Datas, materiais e origem dos artesãos vêm do dossiê da UNESCO e do Serviço Arqueológico da Índia; números de mão de obra e a autoria aparecem como estimativa e debate.

Em debate: Autoria do projeto: a UNESCO e o Serviço Arqueológico da Índia nomeiam Ustad Ahmad Lahori como arquiteto principal, mas a historiadora Ebba Koch, principal especialista no monumento, afirma que os nomes dos arquitetos não são conhecidos com certeza; Lahauri e Mir Abdul Karim são os mais citados entre vários que teriam trabalhado na obra.

Em debate: Datas: o resumo da UNESCO dá 1631–1648 para o mausoléu e a síntese do mesmo dossiê, 1632–1648; o conjunto inteiro só fica pronto em 1653. Por isso a duração aparece como 'cerca de 20 anos'.

Em debate: Número de trabalhadores: os 20 mil artesãos citados com frequência são estimativa de historiador (R. Nath, 1985), sem registro de folha de pagamento que a confirme.

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre — Taj Mahal (Outstanding Universal Value, brief synthesis)
    consultada em 05/10/2026
  2. Archaeological Survey of India, Governo da Índia — World Heritage Sites – Agra – Taj Mahal
    consultada em 05/10/2026
  3. Gems & Gemology, vol. 55, n. 3 (Gemological Institute of America) — Gemstones in the Era of the Taj Mahal and the Mughals
    consultada em 05/10/2026
  4. Smithsonian's National Museum of Asian Art (Freer and Sackler Galleries) — Elizabeth Moynihan Discusses Taj Mahal Gardens at the Freer Gallery of Art
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão

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