Física

O som quebra uma taça quando iguala a frequência natural do vidro e é muito intenso; em aula, com amplificador

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Ciência do cotidiano

Uma taça quebra com som quando a frequência do som coincide com a frequência natural de vibração do vidro e a intensidade é muito alta: a vibração cresce até o limite do material. Na demonstração de física da UCLA, a frequência é achada com osciloscópio, ajustada em décimos de hertz e tocada por amplificador e alto-falante, a cerca de 140 dB junto ao vidro. Não achamos fonte institucional que descreva uma voz sem amplificação fazendo isso.

Todo objeto elástico tem frequências naturais: aquelas em que vibra com facilidade depois de levar uma pancada. Uma taça tocada com o dedo soa justamente nessa frequência. Ressonância é o que ocorre quando uma força periódica, aqui a pressão do ar de uma onda sonora, tem frequência próxima da natural: a cada ciclo o vidro recebe um pouco mais de energia e a amplitude (o tamanho da vibração) cresce. O crescimento não é infinito, porque o vidro perde energia a cada ciclo, efeito chamado amortecimento. O vidro quebra se a vibração estabilizada ainda exigir mais deformação do que ele suporta. Por isso dois ingredientes precisam estar juntos: frequência certa e intensidade alta. Cada um sozinho não basta.

O vidro quebrado guarda o desenho da vibração

Segundo a UCLA, às vezes a taça, ao estilhaçar, deixa nos cacos o registro dos pontos da borda que ficam parados durante a vibração (os pontos nodais).

Por que a frequência precisa ser a da taça

Um objeto vibra com facilidade em suas frequências naturais e com dificuldade nas outras. Num balanço, empurrões pequenos a cada retorno vão acumulando amplitude; empurrar em outro ritmo atrapalha o movimento. Com a taça é análogo: o som só acumula vibração se acompanhar o ritmo próprio do vidro. Por isso a UCLA ajusta a frequência até décimos de hertz antes de subir o volume.

Para onde vai a energia e por que a vibração para de crescer

A cada ciclo o som entrega energia ao vidro, e o amortecimento tira parte dela. A amplitude cresce até o limite imposto pelas forças de amortecimento. Quanto menor o amortecimento, maior a amplitude que o mesmo som consegue produzir, a ponto de destruir o sistema. Se esse patamar exigir mais deformação do que o vidro tolera, ele quebra; se não exigir, a taça apenas vibra, por mais que o som continue.

Como sabemos: a demonstração da UCLA

O manual da UCLA descreve um procedimento medido: a taça é tocada com o dedo e o som é comparado ao de um gerador; o microfone e o osciloscópio mostram o pico de resposta, a frequência é refinada em décimos de hertz e só então o volume sobe, até cerca de 140 dB junto ao vidro, com escudo de acrílico contra os estilhaços. O limite: é uma única taça, num aparato de laboratório, e a página não informa quantas taças foram ensaiadas nem quantas resistiram.

Por que cantar alto, sozinho, não resolve

As duas condições são independentes. Sem a frequência certa, a taça não responde com facilidade, e aumentar a intensidade pouco ajuda. Com a frequência certa e pouca intensidade, a amplitude estabilizada fica abaixo do que quebra o vidro. Na demonstração, a frequência é fixada por equipamento e o nível chega a cerca de 140 dB, dez vezes o limiar da dor de 10^13 (cálculo nosso). Se uma voz consegue isso sem amplificação, as fontes institucionais que li não dizem.

Como sabemos

O mecanismo e a demonstração em sala estão bem sustentados; o caso da voz sem amplificação não tem fonte institucional e fica como lacuna declarada.

Fontes

  1. UCLA Physics & Astronomy — 50. Breaking Glass with Sound (Lecture Demonstration Manual)
    UCLA Physics & Astronomy, Instructional Research Lab · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. HyperPhysics, Georgia State University — Resonance
    Nave, R. · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. HyperPhysics, Georgia State University — Driven Oscillators
    Nave, R. · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. HyperPhysics, Georgia State University — Decibels
    Nave, R. · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)

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