Astronomia

Supernovas a olho nu: o que registros chineses, árabes e europeus de 1006 a 1604 dizem sobre os restos de hoje

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Estrelas

Cinco supernovas da Via Láctea foram bem registradas nos últimos mil anos, e nenhuma foi vista desde 1604. Cronistas da China, do Japão, da Coreia, do mundo árabe e da Europa anotaram data, posição e duração, e é isso que permite achar hoje os remanescentes no céu, com rádio e raios X.

Uma supernova é a explosão de uma estrela; vista a olho nu, aparece como um astro 'convidado', como diziam os chineses, que some em meses ou anos. Sem telescópios, só registros escritos guardam data e posição. A revisão de Green e Stephenson (2003) concentra-se em astros novos vistos por pelo menos três meses, o que elimina a maioria das novas e dos cometas. Cada evento deixou uma nuvem em expansão, o remanescente, estudada hoje em rádio, infravermelho e raios X. Tipos de supernova, supernovas Ia e a SN 1987A já têm posts próprios.

Cometa que era supernova

Para 1006, a revisão de Green e Stephenson presume que cronistas europeus que falaram em 'cometa' descreviam a nova estrela: não tinham termo para um objeto brilhante sem cauda.

Como sabemos que foi supernova e não cometa

Selecionam-se astros novos visíveis por pelo menos três meses, o que afasta cometas e a maioria das novas. Mesmo assim há erros: o objeto de 1230 era um cometa, os de 837 foram vistos como novas, e a estrela '3 Cas' de Flamsteed, que alguns ligaram a Cassiopeia A, parece resultar de medidas misturadas de duas estrelas. Schaefer lembra que os relatos chineses vinham de burocratas com mentalidade política e astrológica, não científica moderna.

Da data ao remanescente

Posição e data permitem procurar a nuvem: o remanescente de SN 1006 foi identificado em 1965 em catálogos de rádio, o de Tycho foi tentativamente identificado em 1952 e o de Kepler foi localizado por Baade como mancha óptica. A precisão importa: os europeus mediram a nova de 1604 com cerca de 1 minuto de arco, os asiáticos com cerca de 1 grau, mas a série coreana de brilho acompanha a europeia.

O que os remanescentes mostram hoje

Em Tycho, o Chandra viu os detritos quase colados à onda de choque externa, indício de energia gasta acelerando núcleos, o que apoia a origem de raios cósmicos em supernovas. Em SN 1006, filamentos brilhantes aparecem só em alguns pontos, e a razão não é entendida. Kepler está a cerca de 13.000 anos-luz e se expande a cerca de 2.000 km/s. No Caranguejo foi achado um pulsar, em 1968.

O que continua em aberto

O evento de 185 d.C. divide autores: raios X ligam RCW 86 a ele, Schaefer vê um cometa. Para 1181, a ligação com Pa 30 é recente e depende de um modelo de fusão de anãs brancas, não de consenso. A revisão de 2003 considera improvável que surjam novos registros, salvo talvez de 1006 em crônicas árabes e europeias ainda inéditas.

Como sabemos

Datas e registros vêm de uma revisão de 2003 e de um artigo de 2023, lidos na íntegra; a ligação de SN 1181 a Pa 30 é interpretação recente de um autor.

Em debate: Equipes de raios X associam RCW 86 ao astro convidado chinês de 185 d.C.; Schaefer sustenta que o relato descreve um cometa.

Fontes

  1. Universidade de Cambridge e Universidade de Durham (capítulo de Lecture Notes in Physics, Springer) — The Historical Supernovae
    Green, D. A.; Stephenson, F. R. · 2003 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1007/3-540-45863-8_2
  2. Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (versão arXiv); Louisiana State University — The Path from the Chinese and Japanese Observations of Supernova 1181 AD, to a Type Iax Supernova, to the Merger of CO and ONe White Dwarfs
    Schaefer, B. E. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. Chandra X-ray Center (NASA) — SN 1006: The Hot Remains of a 1000 Year-Old Supernova
    NASA/CXC/Rutgers/J. Hughes et al. · 2005-12-15 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. Chandra X-ray Center (NASA) — Tycho's Supernova Remnant
    NASA/CXC/Rutgers/J. Warren e J. Hughes et al. · 2005-08-31 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. Chandra X-ray Center (NASA) — Kepler's Supernova Remnant
    NASA/ESA/JHU/R. Sankrit e W. Blair · 2004 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  6. Chandra X-ray Center (NASA) — RCW 86
    NASA/CXC e colaboradores · 2011 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 12; conferência de trechos automatizada)

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