Ciências da Terra

Superchron Normal do Cretáceo: cerca de 37 milhões de anos com quase nenhuma inversão do campo magnético

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Tectônica de placas

O Superchron Normal do Cretáceo foi um intervalo de cerca de 37 milhões de anos, entre aproximadamente 120 e 83 milhões de anos atrás, em que o campo magnético da Terra manteve a mesma polaridade, com poucas inversões ou nenhuma. Nas medições magnéticas do fundo do mar ele aparece como uma zona sem listras. O que o causou segue em aberto: as hipóteses ligam o fenômeno ao calor que passa do núcleo para o manto.

O campo magnético da Terra inverte de polaridade de tempos em tempos, e em geral isso acontece com frequência: o intervalo típico entre inversões no Fanerozoico é de cerca de 0,5 milhão de anos. Os superchrons são as exceções, intervalos de 25 a 40 milhões de anos sem inversões, e o do Cretáceo é o mais recente e o mais estudado. Como ele ocupa uma parte do fundo do mar sem as listras magnéticas habituais, foi reconhecido primeiro nesse registro. As inversões em geral, a origem do campo no núcleo, o movimento do polo e as excursões curtas, como a de Laschamp, têm textos próprios. Este trata do superchron: como foi detectado, o que se sabe e o que ainda é hipótese.

Talvez o nome esteja errado

Mesmo somando eventos curtos hipotéticos, a taxa de inversões no período ficaria entre 0,16 e 0,37 por milhão de anos. Um autor sugere trocar 'superchron' por 'Mínimo de Reversão do Cretáceo', por não haver certeza de que não houve nenhuma inversão.

Como sabemos: uma zona sem listras no fundo do mar

Em 1963, Vine, Matthews e Morley propuseram que as listras magnéticas do assoalho oceânico vinham de inversões repetidas do campo, e não de mudanças de intensidade. O trecho formado no Cretáceo não tem as listras habituais e foi chamado Zona Quieta do Cretáceo. Nos anos 1960 e 1970, dados de rochas em terra (Helsley e Steiner, 1968) e de perfis marinhos (Larson e Pitman, 1972) o ligaram a um longo período de polaridade normal. Perfis rebocados (deep-tow), em 2012, revelaram dois marcadores de tempo dentro dele.

Eventos curtos: o que o superchron talvez esconda

Testemunhos de sondagem em sedimentos de mar profundo guardam três eventos ou grupos de eventos breves de polaridade reversa, ainda enigmáticos porque as anomalias marinhas da mesma idade não os resolvem. Um estudo de 2021 no Laos relata pelo menos cinco inversões globais e duas isoladas, segundo a revisão de 2022. Se existirem, podem ser curtos demais para o Atlântico; essa explicação segue hipótese.

A intensidade do campo: medidas que divergem

A frequência de inversões é bem conhecida, mas a intensidade do campo no período ainda não. Cristais únicos indicam campo forte e pouco variável; a variação das anomalias marinhas sugere um campo que oscilou. A revisão de 2022 diz que pode faltar amostra para tirar a média das variações naturais, o que deixa a pergunta aberta.

Hipóteses sobre a causa, e o que as contradiz

Em modelos de dínamo, menos calor saindo do núcleo estabiliza a polaridade. Para explicar o superchron, Olson e Amit propõem que superplumas do manto inferior mudem esse fluxo; outra proposta liga o fenômeno à subducção. Ambas são hipóteses, e modelos de convecção do manto preveem, ao contrário, fluxo máximo no período. O desacordo entre os modelos ainda não foi resolvido.

Como sabemos

A duração e o registro sem listras são bem estabelecidos; intensidade, eventos curtos e causa são questões abertas e estão marcadas como tais.

Em debate: Testemunhos de sondagem e seções no Laos sugerem eventos curtos de polaridade reversa, mas as anomalias magnéticas marinhas do Atlântico não os mostram. Um limite de detecção (eventos com menos de 0,1 milhão de anos) pode explicar a diferença, e isso ainda não foi demonstrado.

Em debate: Estudos com cristais únicos de plagioclásio indicam campo forte e pouco variável; a variação das anomalias marinhas sugere oscilação do campo. A revisão aponta número insuficiente de amostras como possível razão.

Fontes

  1. Frontiers in Earth Science (Universidade de Kyushu) — The Cretaceous Normal Superchron: A Mini-Review of Its Discovery, Short Reversal Events, Paleointensity, Paleosecular Variations, Paleoenvironment, Volcanism, and Mechanism
    Yoshimura, Y. · 2022 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3389/feart.2022.834024
  2. Frontiers in Earth Science (Universidade Johns Hopkins; CNRS/Universidade de Nantes) — Mantle superplumes induce geomagnetic superchrons
    Olson, P. e Amit, H. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3389/feart.2015.00038
  3. U.S. Geological Survey — Magnetic stripes and isotopic clocks (This Dynamic Earth)
    U.S. Geological Survey · 2025 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)

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