Zoologia

A sucuri-verde, uma das cobras mais pesadas do mundo, mata por constrição, que em jiboias para a circulação da presa

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Entre 823 sucuris-verdes medidas nos Llanos da Venezuela, a mais longa tinha 5,22 m e a mais pesada, 97 kg. O zoológico nacional dos Estados Unidos fala em até 9 m e 250 kg, números que essa amostra não alcança. A sucuri mata por constrição, e o estudo de referência, de 2015, usou jiboias: em cerca de 6 minutos de aperto, a pressão arterial dos ratos caiu quase 3 vezes e os batimentos, quase 4. A morte vem da parada circulatória.

O estudo de 2015 (Boback e colegas, no Journal of Experimental Biology) usou ratos anestesiados e jiboias-constritoras (Boa constrictor), não sucuris. A conclusão para a sucuri é uma extrapolação razoável, porque ela é uma boídea que também mata por constrição, mas ninguém mediu isso nela. Os números de tamanho vêm do herpetólogo Jesús Rivas, que capturou e mediu 823 sucuris em um rancho dos Llanos entre 1992 e 2014. As fêmeas são bem maiores: pesam em média 19,4 kg, contra 5,7 kg dos machos, e a maior fêmea mediu 5,22 m, contra 3,39 m do maior macho. Esses valores valem para uma população, a da savana sazonal venezuelana, e a espécie vive em áreas bem maiores. Mesmo assim, os 9 m e os 250 kg repetidos em fichas e livros ainda carecem de medição confiável, e o jeito de medir importa: esticar uma cobra sobre uma régua faz o comprimento crescer.

Em 2024, a sucuri-verde virou duas espécies, ou não

Em fevereiro de 2024, uma equipe liderada por Jesús Rivas descreveu a sucuri-verde do norte, Eunectes akayima, com base em genes: a distância genética média entre ela e a do sul é de 5,5%. O nome vem de palavra caribe que significa "a grande cobra". Outros especialistas contestam a descrição, e o debate segue aberto.

O que o estudo de 2015 mostrou

A ideia comum era que a constrição mata por sufocamento. Boback e colegas mediram o que acontecia dentro de ratos anestesiados, apertados por jiboias. Em 6 segundos a pressão arterial periférica caiu à metade, e a pressão nas veias centrais subiu 6 vezes. Ao fim do aperto, a frequência cardíaca tinha caído quase 4 vezes, o potássio no sangue quase dobrou e o pH passou de 7,4 para 7,0. Para os autores, o sangue para de circular antes de qualquer outra coisa.

Uma extrapolação, não uma medição

O experimento usou Boa constrictor. A sucuri-verde é outra boídea e constringe do mesmo modo, então o mesmo mecanismo é a explicação mais provável. Mas ninguém repetiu o teste com sucuris, e por isso o grau do post é de interpretação. A ficha do zoológico nacional dos EUA ainda diz que ela sufoca a presa, o que mostra como a explicação antiga continua circulando.

Lenda e medida

Rivas capturou 823 sucuris em um rancho de savana alagável na Venezuela. A mais longa tinha 522 cm e a mais pesada, 97 kg, uma fêmea grávida. As fêmeas ficam bem maiores: média de 19,4 kg, contra 5,7 kg nos machos. O zoológico nacional dos EUA informa até 9 m e 250 kg. Esses valores não saíram dessa amostra, e a forma de medir pesa: esticada na régua, a cobra "cresce", por isso Rivas usa um barbante ao longo do dorso.

Uma espécie ou duas

Em 2024, Rivas e colegas analisaram genes de sucuris de nove países e propuseram Eunectes akayima para as do norte, do Orinoco ao norte da Amazônia. As duas linhagens não se distinguem pela forma. Uma reanálise de Wüster e colegas, no mesmo ano, diz que faltam dados, sobretudo nucleares, e que houve erros de nomenclatura. A discussão ainda não terminou, e o nome "Eunectes murinus" segue em uso.

Como sabemos

Os números de tamanho e o estudo de constrição estão em artigos científicos, mas o experimento usou jiboias e a taxonomia da espécie do norte está em disputa.

Em debate: Tamanho máximo: fichas institucionais citam até 9 m e 250 kg, enquanto a maior amostra medida com método padronizado (823 animais) chega a 5,22 m e 97 kg. Não há medição confiável dos números maiores.

Em debate: Taxonomia: a descrição de Eunectes akayima (Rivas et al., 2024) foi criticada por Wüster e colegas (Zoological Journal of the Linnean Society, 2024), que veem evidência insuficiente e erros de nomenclatura. Os autores originais sustentam a distinção com genes e medidas de tamanho.

Fontes

  1. The Journal of Experimental Biology — Snake constriction rapidly induces circulatory arrest in rats
    consultada em 05/10/2026
  2. Smithsonian's National Zoo and Conservation Biology Institute — Green anaconda
    consultada em 05/10/2026
  3. The Herpetological Journal — What can studying anacondas tell us about Titanoboa cerrejonensis? Exploring the life of an extinct giant snake using an extant pretty big snake
    consultada em 05/10/2026
  4. Contemporary Herpetology — What is the length of a snake?
    consultada em 05/10/2026
  5. Diversity (MDPI) — Disentangling the Anacondas: Revealing a New Green Species and Rethinking Yellows
    consultada em 05/10/2026
  6. Zoological Journal of the Linnean Society — How not to describe a species: lessons from a tangle of anacondas (Boidae: Eunectes Wagler, 1830)
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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