Ciências da Terra

Subducção: quando uma placa oceânica mergulha no manto e leva água do oceano junto

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Onde duas placas se encontram, a mais densa costuma afundar sob a outra, no processo chamado subducção. É assim que a crosta oceânica volta ao manto. Ao descer, a placa libera água, que provoca fusão da rocha acima e alimenta vulcões, como os do Círculo de Fogo do Pacífico. Parte da água segue mais fundo, presa em minerais.

Uma zona de subducção é onde duas placas tectônicas se aproximam e uma passa por baixo da outra. Em geral desce a placa mais densa, de crosta oceânica; a de crosta continental, menos densa, fica por cima. Por isso o serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) diz que, nesse tipo de limite, a crosta é destruída. A superfície marca o processo com fossas oceânicas, as partes mais profundas do fundo do mar, e com cadeias de vulcões no lado da placa de cima. A Fossa das Marianas, com quase 11.000 metros, é uma delas. O Círculo de Fogo do Pacífico é, em essência, uma sequência de zonas de subducção. A Placa de Nazca, por exemplo, mergulha sob a América do Sul e está ligada à formação dos Andes e a terremotos fortes.

Um oceano escondido?

Em 2014, sismólogos da Universidade de Liverpool estimaram que falhas profundas na placa que mergulha sob o Japão poderiam levar ao manto, ao longo do tempo geológico, até 3,5 vezes a água dos oceanos atuais.

Por que uma placa afunda

Quando duas placas se encontram, a de crosta oceânica costuma ser mais densa que a de crosta continental e, por isso, é empurrada e puxada para baixo, para dentro do manto. Se as duas são continentais, nenhuma afunda: a crosta se dobra e sobe. Foi assim que a colisão da Índia com a Ásia, há cerca de 50 milhões de anos, levantou o Himalaia, segundo o USGS.

A água é o gatilho dos vulcões

A placa que desce carrega água em minerais e nos poros da rocha. Com o aumento de pressão e temperatura, esses voláteis são liberados e entram na rocha do manto acima. A presença de água baixa a temperatura em que essa rocha funde, e o magma resultante sobe e forma vulcões. Essa é a explicação do USGS para os vulcões do Círculo de Fogo.

Quanta água desce, e até onde

Falhas que cortam a placa quando ela se dobra na fossa deixam a água do mar entrar e reagir com a rocha, formando serpentinito. A equipe de Liverpool achou essas zonas hidratadas até cerca de 150 km de profundidade no norte do Japão, bem mais fundo do que se esperava. A conta de 'até 3,5 oceanos' para o Japão ao longo do tempo geológico é estimativa, e não medição direta.

Placas que ainda estão lá embaixo

A placa de Farallon, que existiu no Pacífico, quase desapareceu na superfície, mas seus restos seguem no manto. A tomografia a vê até cerca de 1.500 km de profundidade sob as Grandes Planícies e identifica rasgos de milhares de quilômetros. Os autores propõem que o intervalo entre dois pedaços da placa se liga à fase de subducção rasa, entre 70 e 50 milhões de anos atrás, mas isso é interpretação.

Como sabemos

Mecanismo básico confirmado pelo USGS; o número de água e a história da Farallon aparecem como estimativa e interpretação, com ressalva no texto.

Fontes

  1. USGS — Subduction zone (imagem e legenda)
    consultada em 06/10/2026
  2. USGS — Understanding Plate Motions (This Dynamic Earth)
    consultada em 06/10/2026
  3. Universidade de Liverpool — Is there an ocean beneath our feet?
    consultada em 06/10/2026
  4. Nature Geoscience (Sigloch, McQuarrie e Nolet, Princeton) — Two-stage subduction history under North America inferred from multiple-frequency tomography
    consultada em 06/10/2026
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