Arqueologia
Como sabemos de onde vieram as pedras de Stonehenge: química, pedreiras e grãos minerais
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Stonehenge foi construído em etapas, a partir de cerca de 3000 a.C. As grandes pedras sarsen vieram de West Woods, a cerca de 25 km ao norte, segundo análises químicas publicadas em 2020. As menores, as bluestones, vieram em boa parte das colinas Preseli, no País de Gales, a mais de 200 km. E a Pedra do Altar, de 6 toneladas, veio do nordeste da Escócia, a pelo menos 750 km, mostrou um estudo de 2024.
Durante quatro séculos se discutiu de onde saíram as pedras. A resposta veio de três métodos. Os geólogos compararam a composição química das rochas do monumento com a de afloramentos. Os arqueólogos escavaram as pedreiras e acharam plataformas de carga, uma trilha escavada e carvão datável. E laboratórios mediram a idade de minúsculos grãos minerais para dar a cada pedra uma impressão digital. Cada resultado mudou o quadro: os sarsens, tidos como locais, têm origem identificada; a Pedra do Altar, tida como galesa, veio de bem mais longe. O que a ciência ainda não fechou é como tanto peso foi transportado e por que essas pedras específicas foram escolhidas.
Pedras que já saíam em pilares
Nas pedreiras de Preseli, os afloramentos formam pilares naturais, separados por fendas verticais. Segundo a equipe de Mike Parker Pearson, os trabalhadores neolíticos não precisavam entalhar a rocha como no Egito: bastava abrir as fendas com cunhas e descer cada pilar até uma plataforma de carga.
Os sarsens vieram de perto
Os sarsens são blocos de silcrete, uma crosta de areia cimentada por sílica. Em 2020, David Nash e colegas mediram a química de 50 dos 52 que restam no monumento e viram que eram muito parecidos entre si. Depois compararam um testemunho tirado da Pedra 58 com sarsens de toda a Grã-Bretanha meridional. A correspondência mais próxima foi West Woods, perto de Marlborough, a cerca de 25 km ao norte. O artigo fala em área mais provável, uma conclusão baseada em inferência geoquímica.
As bluestones e as pedreiras galesas
Pelo menos 42 das pedras menores vêm das colinas Preseli, no oeste do País de Gales, a mais de 200 km. Em 2019, a equipe de Mike Parker Pearson, da UCL, localizou duas pedreiras: Carn Goedog, fonte principal do dolerito pintado de branco, e Craig Rhos-y-felin, fonte de um tipo de riolito. Achou plataformas de carga, uma trilha escavada e carvão de cerca de 3000 a.C. Os afloramentos formam pilares naturais, fáceis de soltar com cunhas.
A Pedra do Altar não é galesa
A Pedra do Altar, de 6 toneladas, ficava no centro do monumento e era tida como galesa. Em 2024, uma equipe da Universidade Curtin, com a UCL, datou grãos minerais dela: há idades de 1.000 a 2.000 milhões de anos e outras de cerca de 450 milhões. A combinação casa com a bacia Orcadiana, no nordeste da Escócia, e não com o País de Gales. A distância é de pelo menos 750 km. O ponto exato de origem ainda está sendo procurado.
O que ainda não se sabe
Saber de onde as pedras vieram não diz como chegaram nem por que foram escolhidas. A ideia de que as bluestones desceram por mar ao canal de Bristol perdeu força depois das pedreiras. Para a Pedra do Altar, os autores do estudo de 2024 consideram provável uma rota marítima pela costa. A ordem das fases também é discutida: uma equipe sugere um círculo de bluestones primeiro e os sarsens cerca de 500 anos depois.
Como sabemos
A origem dos sarsens, das bluestones e da Pedra do Altar vem de artigos revisados (Science Advances, Antiquity, Nature); transporte e cronologia fina ficam como hipótese.
Em debate: Como as pedras foram transportadas: por mar, por terra ou combinando os dois, não está resolvido. A descoberta das pedreiras galesas pôs em dúvida o transporte das bluestones por barco pelo canal de Bristol, enquanto os autores do estudo de 2024 consideram provável uma rota marítima costeira para a Pedra do Altar.
Em debate: Ordem de construção: uma equipe propõe que um círculo de bluestones precedeu os sarsens em cerca de 500 anos; as datas exatas de cada fase seguem em revisão.
Em debate: O local exato de origem da Pedra do Altar no nordeste da Escócia ainda é procurado.
- Consenso científico: A construção em Stonehenge começou já por volta de 3000 a.C., com modificações ao longo dos dois milênios seguintes. [1]
- Fato estabelecido: Os megálitos se dividem em sarsens (grandes blocos de silcrete) e bluestones (rochas exóticas à região, de tipos como tufo vulcânico, riolito, dolerito e arenito). [1]
- Evidência forte: Cinquenta dos 52 sarsens que restam em Stonehenge têm química consistente com uma mesma área de origem; um testemunho extraído da Pedra 58, comparado com sarsens do sul da Grã-Bretanha, aponta West Woods, em Wiltshire, a 25 km ao norte, como origem mais provável da maioria. [2]
Os autores falam em área de origem mais provável por inferência geoquímica. - Consenso científico: Os sarsens foram erguidos por volta de 2500 a.C. [2]
- Consenso científico: Geólogos sabem há tempos que 42 das pedras menores, as bluestones, vieram das colinas Preseli, em Pembrokeshire, no oeste do País de Gales. [3]
- Evidência forte: Escavações em Carn Goedog e Craig Rhos-y-felin acharam carvão datado de cerca de 3000 a.C. em plataforma e trilha de pedreira, evidência de extração de megálitos nessa época. [3]
Datas dadas como aproximadas na divulgação da UCL (cerca de 3000 a.C.). - Evidência forte: Os afloramentos de Preseli formam pilares naturais, que podiam ser soltos abrindo as fendas verticais com cunhas. [3]
- Hipótese: A equipe de Parker Pearson acha que Stonehenge começou como um círculo de pilares de bluestone brutos nos buracos de Aubrey, e que os sarsens vieram cerca de 500 anos depois. [3]
Interpretação de uma equipe, não consenso; outras reconstruções das fases existem. - Fato estabelecido: A Pedra do Altar mede cerca de 4,9 × 1,0 × 0,5 m, pesa 6 toneladas e é um arenito verde-claro micáceo. [1] [4]
- Evidência forte: Grãos minerais da Pedra do Altar têm idades de 1.000 a 2.000 milhões de anos e outros cerca de 450 milhões de anos, uma assinatura que casa com rochas da bacia Orcadiana, no nordeste da Escócia, e não com o leito rochoso galês. [1] [4]
- Evidência forte: A origem escocesa implica um transporte de pelo menos 750 km até Stonehenge. [4]
A distância é a mínima citada pelos autores; o ponto exato de origem no nordeste da Escócia ainda não foi fixado. - Incerto: A Pedra do Altar pode ter sido colocada no centro durante a segunda fase de construção, por volta de 2620–2480 a.C.; quando chegou ao monumento é incerto. [1]
O artigo da Nature diz explicitamente que a data de chegada é incerta. - Hipótese: O transporte marítimo das bluestones pelo canal de Bristol, teoria popular, é posto em dúvida pelas descobertas das pedreiras; para a Pedra do Altar, os autores consideram provável uma rota marítima ao longo da costa britânica. [3] [4]
Como as pedras viajaram segue sem resposta; são hipóteses dos autores.
Fontes
- Nature — A Scottish provenance for the Altar Stone of Stonehenge
consultada em 04/10/2026 - Science Advances (resumo via Europe PMC) — Origins of the sarsen megaliths at Stonehenge
consultada em 04/10/2026 - University College London (UCL), via ScienceDaily; estudo na revista Antiquity — Quarrying of Stonehenge 'bluestones' dated to 3000 BC
consultada em 04/10/2026 - Curtin University, via ScienceDaily — Great Scott! Stonehenge's Altar Stone origins reveal advanced ancient Britain
consultada em 04/10/2026
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