História da África

Steve Biko morreu sob custódia policial em 1977; a Comissão da Verdade negou anistia aos policiais

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Steve Biko foi o principal formulador da Consciência Negra, ideia de que os oprimidos precisam recuperar orgulho e voz própria para se libertar do apartheid. Proibido de circular e de ser citado, foi detido em agosto de 1977 e morreu em 12 de setembro, de hemorragia cerebral, em Pretória, depois de agredido pela Polícia de Segurança. O inquérito de 1977 não apontou responsáveis. Duas décadas depois, os policiais pediram anistia à Comissão da Verdade e Reconciliação, que a recusou.

A Consciência Negra nasceu nos anos 1960 entre estudantes que rejeitavam organizações dominadas por brancos, como a NUSAS, e defendiam que os próprios negros articulassem sua luta. O movimento chamava de "negros" todos os classificados como não brancos pelo apartheid: africanos, mestiços e indianos. Biko foi eleito o primeiro presidente da SASO, em 1969. Em março de 1973, uma ordem de banimento o confinou ao distrito de King William's Town e o proibiu de ser citado. As ideias do movimento influenciaram os estudantes secundaristas que se levantaram em Soweto, em 16 de junho de 1976. Depois da morte de Biko, o governo baniu 18 organizações ligadas ao movimento, em 19 de outubro de 1977.

Os mesmos advogados, vinte anos depois

Os advogados George Bizos e Sydney Kentridge representaram a família de Biko no inquérito de 1977. Em 1997, Bizos voltou ao caso para se opor à anistia dos policiais. Para ele, o fato de os policiais admitirem agora as mentiras de então mostrava que o magistrado havia errado.

Uma luta definida pelos próprios negros

A Consciência Negra surgiu entre estudantes que viam a NUSAS, organização multirracial, como dominada por brancos e pouco militante. A SASO foi organizada por volta de 1968–1969, e Biko foi seu primeiro presidente, eleito em 1969. O movimento usava "negro" para todos os que o apartheid classificava como não brancos (africanos, mestiços e indianos) e apostava na libertação psicológica: orgulho, dignidade e autonomia. No início dos anos 1970, a Convenção do Povo Negro (BPC) ampliou o alcance do movimento para além do meio estudantil.

Banido, mas ainda ativo

Em 3 de março de 1973, Biko foi banido, e a ordem durou até 28 de fevereiro de 1978, ou seja, estava em vigor quando morreu. Ele ficou confinado ao distrito de King William's Town, não podia frequentar reuniões nem ser citado na imprensa e só podia estar com no máximo duas pessoas por vez. Mesmo assim, segundo a decisão da Comissão da Verdade, os próprios policiais sabiam que o banimento não freava sua influência. A revolta de Soweto, em 1976, mostrou o peso das ideias do movimento entre os jovens.

Agosto e setembro de 1977

Em 18 de agosto de 1977 (17, segundo a SAHO), Biko e Peter Jones foram parados em uma barreira perto de Grahamstown, na volta de Cape Town. Embora tivessem violado o banimento, Biko não foi acusado disso. Levado a Port Elizabeth, ficou nu na delegacia de Walmer. Em 6 de setembro, foi interrogado no Edifício Sanlam e ferido na cabeça. Depois, ficou algemado a uma grade de metal. Em 11 de setembro, foi levado nu e algemado a Pretória. Morreu em 12 de setembro, de hemorragia cerebral, na Prisão Central.

Inquérito e Comissão da Verdade

Em 1977, o inquérito concluiu que ninguém era responsável. Em 1997, cinco policiais pediram anistia à Comissão da Verdade. O pedido de Nieuwoudt foi julgado à parte e rejeitado em dezembro de 1998. Em 1999, o Comitê de Anistia indeferiu os pedidos dos outros quatro: não havia objetivo político, a versão deles era falsa e o grupo havia mentido sob juramento no inquérito, por ordem do coronel Goosen. O Comitê considerou a família de Biko vítima e encaminhou o caso para reparações.

Como sabemos

Os marcos principais (banimento, detenção, morte, inquérito, recusa de anistia) estão documentados na decisão oficial da Comissão da Verdade e confirmados pela SAHO e pela agência SAPA.

Em debate: A data da detenção aparece como 17 de agosto de 1977 (SAHO) e 18 de agosto de 1977 (Comitê de Anistia da Comissão da Verdade e SAPA).

Em debate: A SASO é situada em 1968 ou em 1969, conforme a fonte e conforme se conte a articulação inicial ou o congresso de fundação, quando Biko foi eleito presidente.

Em debate: Os policiais sustentaram que a cabeça de Biko bateu na parede durante um tumulto; o Comitê de Anistia rejeitou essa versão como falsa, sem estabelecer em detalhe o que ocorreu na sala 619.

Fontes

  1. South African History Online — Stephen Bantu Biko
    consultada em 05/10/2026
  2. Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul (Ministério da Justiça) — Decisão AC/99/0020 do Comitê de Anistia: Snyman, Siebert, Beneke e Marx (morte de Steve Biko)
    consultada em 05/10/2026
  3. Comissão da Verdade e Reconciliação (arquivo de mídia, Ministério da Justiça) — Biko's killers step out of shadows for amnesty hearing (SAPA, 5 set. 1997)
    consultada em 05/10/2026
  4. South African History Online — Black Consciousness Movement (BCM)
    consultada em 05/10/2026
  5. Comissão da Verdade e Reconciliação (arquivo de mídia, Ministério da Justiça) — Nieuwoudt may ask for review of TRC decision, attorney (SAPA, 12 jan. 1999)
    consultada em 05/10/2026
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