Fenômenos naturais
O raio verde: por que o Sol, ao se pôr, às vezes solta um último brilho verde
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Perto do horizonte, a atmosfera desvia a luz do Sol em mais de meio grau, e desvia mais o verde e o azul do que o vermelho. Por isso a borda superior do disco solar pode aparecer em cores levemente separadas. O azul e o violeta são quase todos removidos pelo espalhamento no longo caminho pelo ar, e o verde é a última cor a restar. O efeito dura em geral um ou dois segundos e é real, não uma ilusão do olho.
Quando o Sol toca o horizonte, a luz dele atravessa a camada de ar mais longa possível. A refração astronômica nessa posição passa de 30 minutos de arco, meio grau: ao ver o disco encostar no horizonte, ele já se pôs geometricamente. A refração não é igual para todas as cores. O azul e o verde são desviados mais que o laranja e o vermelho, de modo que as imagens do Sol em cada cor ficam ligeiramente deslocadas umas das outras, e a borda do alto do disco ganha uma faixa de cor diferente. Como o ar também espalha e absorve quase todo o violeta e o azul, o verde é a última cor vista no pôr do sol e a primeira no nascer. A forma exata do brilho depende do gradiente de temperatura do ar, que muda muito de um dia para outro, e quase todo tipo de flash verde é subproduto de uma miragem.
O amarelo que o olho lê como verde
Olhar para o Sol brilhante reduz a sensibilidade do olho ao vermelho. Segundo o astrônomo Andrew Young, por isso a fase amarela que antecede o flash verde costuma ser percebida como verde.
Um desvio que depende da cor
A luz muda de direção ao passar de uma camada de ar para outra de densidade diferente. Esse desvio é maior para comprimentos de onda curtos, como o azul e o verde, e menor para os longos, como o laranja e o vermelho. Perto do horizonte o caminho pelo ar é o mais longo possível e o desvio total passa de meio grau. A diferença entre as cores é pequena, mas suficiente para que a imagem verde do Sol fique um pouco acima da vermelha.
Por que quase nunca vemos um flash azul
Se a refração fosse a única causa, o azul e o violeta apareceriam acima do verde. Mas o espalhamento por moléculas do ar e por partículas em suspensão remove quase por completo os comprimentos de onda mais curtos num caminho tão longo. Por isso o verde é a última cor que chega ao olho no pôr do sol e a primeira no nascer. Flashes de outras cores existem: a página da Atmospheric Optics cita o amarelo e, de modo excepcionalmente raro, o azul.
O papel das miragens
Segundo Andrew Young, quase todo tipo de flash verde é subproduto de uma miragem correspondente. A aparência do fenômeno é muito sensível ao gradiente de temperatura do ar, que varia bastante de um dia para o outro, e por isso o flash é imprevisível. Uma fotografia da NASA em Porto Venere, na Itália, mostra o Sol distorcido e repetido por camadas de ar incomumente quentes, sinal do mesmo tipo de refração.
O raio verde de Júlio Verne
O romance O Raio Verde, de Jules Verne, publicado em francês em 1882 e ambientado nas Highlands escocesas, ajudou a popularizar o fenômeno. Nele, uma jovem recusa casar enquanto não vir o raio verde, que a lenda do livro associa ao amor verdadeiro. Existe também uma forma muito rara chamada raio verde propriamente dito: um flash comum seguido de um breve feixe de brilho verde.
Como sabemos
O mecanismo (refração com dispersão mais extinção do azul, modulados por miragens) vem de fontes especializadas de óptica atmosférica e da NASA.
- Fato estabelecido: A refração astronômica no horizonte passa tipicamente de 30 minutos de arco (meio grau); quando o Sol parece tocar o horizonte, ele já se pôs. [3]
- Fato estabelecido: A luz de comprimento de onda curto (azul e verde) é refratada mais do que a de comprimento longo (laranja e vermelho). [1]
- Fato estabelecido: Perto do horizonte a luz atravessa mais atmosfera, o que intensifica a separação das cores. [1]
- Fato estabelecido: O espalhamento por moléculas do ar e aerossóis remove quase completamente os comprimentos de onda mais curtos (violeta e azul). [2]
- Fato estabelecido: O verde é a última cor vista no pôr do sol e a primeira no nascer. [2]
- Fato estabelecido: O flash verde é um fenômeno real, não ilusório, visto no nascer e no pôr do sol, quando parte do Sol muda de cor de repente. [4]
- Fato estabelecido: A cor verde costuma durar apenas um ou dois segundos em latitudes moderadas. [4]
- Fato estabelecido: A área que fica verde costuma estar perto do limite de resolução do olho, por isso o fenômeno é chamado às vezes de exibição de ponto verde. [4]
- Consenso científico: Quase todos os tipos de flash verde são subproduto de uma miragem correspondente. [2]
Formulação do astrônomo Andrew T. Young, principal referência no tema. - Evidência forte: A fase amarela que antecede o flash verde costuma ser percebida como verde, pela perda de sensibilidade do olho ao vermelho depois de olhar o Sol. [2]
Efeito de percepção descrito por Young; não é propriedade da luz. - Fato estabelecido: A aparência do flash varia muito com o gradiente de temperatura do ar, que muda bastante de um dia para outro. [3]
- Fato estabelecido: O fenômeno também ocorre no nascer do Sol, e o disco pode aparecer distorcido, ou até repetido, quando camadas do ar estão incomumente quentes. [1] [5]
- Fato estabelecido: O flash pode, excepcionalmente, ter cor amarela ou, muito raramente, azul. [1]
- Fato estabelecido: O romance O Raio Verde, de Jules Verne, foi publicado em francês em 1882 e associa o fenômeno ao amor verdadeiro. [6]
Fontes
- Atmospheric Optics (Les Cowley) — The Green Flash
consultada em 06/10/2026 - San Diego State University (Andrew T. Young) — Explaining Green Flashes
consultada em 06/10/2026 - San Diego State University (Andrew T. Young) — Astronomical refraction and the green flash
consultada em 06/10/2026 - San Diego State University (Andrew T. Young) — An Introduction to Green Flashes
consultada em 06/10/2026 - NASA — APOD 2015 September 8: Distorted Green Flash Sunset over Italy
consultada em 06/10/2026 - JulesVerne.ca — Rayon vert (1882)
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão