Astronomia

SOHO chegou a 5.000 cometas em 2024: a maioria é do grupo Kreutz, rasante ao Sol, e achada por voluntários

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Sistema Solar

O SOHO acha cometas rasantes porque o coronógrafo LASCO bloqueia o disco do Sol e revela o que passa ao redor; muitos desses cometas só brilham perto demais do Sol para outros observatórios. Em 25 de março de 2024, um voluntário do Projeto Sungrazer viu o 5.000º cometa da missão. Em 2016, 86% dos achados eram do grupo Kreutz, no qual só o Lovejoy foi visto sobreviver ao periélio.

O SOHO, missão conjunta da ESA e da NASA lançada em dezembro de 1995, foi feito para estudar o Sol, não para caçar cometas. Seu instrumento LASCO é um coronógrafo: usa um disco que bloqueia a luz do Sol, como num eclipse artificial, e deixa ver o que passa ao redor. Periélio é o ponto da órbita mais próximo do Sol. A maior família achada ali é o grupo Kreutz, nome de Heinrich Kreutz, que ligou grandes cometas do século XIX; antes do SOHO, eram cerca de trinta membros conhecidos. A maioria dos cometas do SOHO só foi vista nessas imagens, e o que os faz cometas é o brilho que ganham perto do Sol.

O 5.000º nem era rasante

O cometa de número 5.000 é do grupo Marsden, que se supõe ligado ao 96P/Machholz; só cerca de 75 dos 5.000 são desse grupo. Pela convenção de Battams e Knight, ele é um raspador do Sol, não um rasante.

Rasante ou raspador: o que o termo mede

Por convenção, é rasante o cometa cujo periélio fica dentro do limite de Roche fluido do Sol: cerca de 3 raios solares para a densidade típica de cometa (500 kg/m³). Os Kreutz chegam a 1 a 2 raios solares. Os que passam mais longe, mas ainda no campo do LASCO, são raspadores (sunskirters), como os grupos Meyer e 96P. Em 2016, os Kreutz eram 86% dos achados; os demais, cerca de 14% (cálculo nosso), eram sobretudo raspadores. Assim, 'quase todos rasantes' vale para a maioria, não para todos.

O que acontece com um Kreutz perto do Sol

Os Kreutz costumam brilhar mais entre 10 e 15 raios solares e se apagam mais perto, às vezes bem antes do periélio; nenhum dos vistos pelo SOHO sobreviveu, exceto o Lovejoy (C/2011 W3). Battams e Knight leem isso como destruição e vaporização, o que dá tamanhos iniciais abaixo de 100 m e, nos menores, de 5 a 10 m. É uma inferência a partir do brilho, não uma medida de núcleo. A radiação nessas distâncias basta para sublimar até materiais duros.

Como o SOHO e os voluntários chegam a um cometa

O LASCO usa coronógrafos (C2 e C3) cujo disco bloqueia o Sol. Com os dados públicos na internet, amadores sem ligação com a missão começaram a reportar cometas em imagens de arquivo que os cientistas tinham deixado passar; o projeto financiado pela NASA nasceu em 2000. Desde agosto de 2010 as câmeras gravam a cada 12 minutos. Um Kreutz só é confirmado com pelo menos cinco imagens, para descartar ruído e raios cósmicos. Battams e Knight argumentam que, assim, quase todo Kreutz acima do limite do instrumento é achado. Ressalva: as órbitas obtidas só com o SOHO são muito ambíguas.

A conta tem data: 200, 3.000 e 5.000

Por volta de 2000, eram cerca de 200 cometas nas imagens do LASCO. O 3.000º foi detectado em 14 de setembro de 2015; em 31 de maio de 2016 a contagem era 3.138, com algumas dezenas de periódicos contados mais de uma vez. O 5.000º foi visto em 25 de março de 2024. Os membros conhecidos do sistema Kreutz foram de quase 30 em 1990 a mais de 4.300 no fim de 2023, segundo Sekanina. Contagens de datas diferentes e de definições diferentes não devem ser misturadas.

De onde vem o fluxo de Kreutz: hipótese, não consenso

Heinrich Kreutz já defendia em 1901 que os rasantes de 1843 a 1887 eram fragmentos de um corpo-pai comum. Sekanina propõe que esse progenitor, o 'cometa de Aristóteles', era um binário de contato (dois lobos ligados por um pescoço) que se dividiu perto do afélio e seguiu se fragmentando até os objetos do SOHO. É um modelo de um autor, em preprint. Há ainda pares de Kreutz muito próximos no tempo: Sekanina os vê como mais do que o acaso, e Battams e Knight lembram que o fluxo é denso e coincidências são possíveis.

Como sabemos

Os números centrais vêm da NASA/ESA e de uma revisão publicada; a origem do grupo Kreutz é hipótese de um autor e está marcada como tal.

Em debate: A origem do fluxo de cometas Kreutz é debatida. O modelo de Sekanina (progenitor em forma de binário de contato que se fragmentou em cascata) é de um autor e está em preprint; os pares de Kreutz com chegadas próximas podem ser fragmentos recentes ou coincidência, e as órbitas do SOHO são ambíguas demais para decidir.

Fontes

  1. Philosophical Transactions of the Royal Society A (preprint arXiv:1611.02279; Naval Research Laboratory e Universidade de Maryland) — SOHO Comets: 20-Years and 3,000 Objects Later
    Battams, K.; Knight, M. M. · 2017 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1098/rsta.2016.0257
  2. NASA — ESA, NASA Solar Observatory Discovers Its 5,000th Comet
    NASA Science (Goddard Space Flight Center) · 2024 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  3. arXiv (preprint, astro-ph.EP) — Formation and Evolution of the Stream of SOHO Kreutz Sungrazers. I. History and Preliminary Investigations
    Sekanina, Z. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  4. arXiv (preprint, astro-ph.EP); Jet Propulsion Laboratory, Caltech — Kreutz Sungrazers: Summary of Recent Modeling and Orbits of the SOHO Objects
    Sekanina, Z. · 2022 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026
  5. Agência Espacial Europeia (ESA) — SOHO's 3000th comet
    ESA/NASA · 2015-09-16 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  6. Agência Espacial Europeia (ESA) — SOHO reaches 5000 comets
    ESA/NASA · 2024-03 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 18; conferência de trechos automatizada)

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