Astronomia
Como o Sistema Solar nasceu: da nuvem de gás aos planetas, há cerca de 4,6 bilhões de anos
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
O Sistema Solar se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, a partir de uma nuvem densa de gás e poeira interestelares que colapsou e formou um disco giratório, a nebulosa solar. O Sol reuniu mais de 99% da matéria disponível. No resto do disco, grumos de material se chocaram e cresceram, até virarem planetas e planetas-anões. Os grãos mais antigos já datados em meteoritos têm 4.567,30 milhões de anos, com margem de 0,16 milhão.
A história é contada por duas fontes independentes. Uma está no céu: telescópios veem hoje estrelas muito jovens cercadas de discos de gás e poeira. A outra está em casa: meteoritos primitivos guardam grãos que se formaram no disco do nosso próprio Sistema Solar e que podem ser datados com isótopos de chumbo. Em 2012, um estudo na revista Science mediu a idade de inclusões ricas em cálcio e alumínio, os sólidos mais antigos conhecidos nesses meteoritos, e de côndrulos, pequenas esferas de rocha derretida. As inclusões se formaram num intervalo curto, e os côndrulos continuaram a se formar por cerca de 3 milhões de anos, tempo parecido com a vida dos discos observados em outras estrelas.
Um disco que já parece ter planetas
A estrela HL Tauri tem cerca de 1 milhão de anos e está a uns 450 anos-luz. Em 2014, o ALMA mostrou seu disco com anéis claros separados por vazios escuros, que astrônomos atribuíram a corpos tipo planeta, jovens demais para o esperado.
1. A nuvem colapsa
Tudo começa numa nuvem densa de gás e poeira interestelares. A NASA descreve que ela colapsou, possivelmente pela onda de choque de uma supernova próxima. Esse gatilho é uma hipótese: o que se afirma com segurança é o colapso. A matéria se concentrou no centro, onde nasceria o Sol, e o material restante passou a girar ao redor dele, formando um disco achatado de gás e poeira.
2. O disco e o Sol
O colapso formou uma nebulosa solar, um disco giratório de material. O Sol acumulou mais de 99% da matéria disponível: tudo o que veio depois, planetas, luas, asteroides e cometas, saiu do pouco que sobrou no disco. A formação do Sol em si, do colapso à ignição do núcleo, está contada em outro post do WikiMundi, sobre o nascimento de uma estrela.
3. Grãos viram corpos maiores
Na parte externa do disco, grumos de material se chocavam e se juntavam em objetos cada vez maiores, até planetas e planetas-anões. Em simulações, a linha de neve, distância além da qual a água congela, ajuda nesse processo: pedregulhos de gelo se acumulam logo fora dela e podem formar planetesimais. O resultado depende do tipo de disco e não ocorre em todos os modelos.
4. Quanto tempo levou
Os meteoritos dão o relógio. As inclusões de cálcio e alumínio se formaram num intervalo curto, há 4.567,30 milhões de anos, com incerteza de 0,16 milhão. Os côndrulos continuaram a se formar por cerca de 3 milhões de anos. Assim, o disco do nosso Sistema Solar ficou ativo por poucos milhões de anos, e a idade de cerca de 4,6 bilhões de anos vem dessa datação dos meteoritos.
Como sabemos
O quadro geral (nuvem, disco, acreção, idade de cerca de 4,6 bilhões de anos) tem consenso e fontes primárias; o gatilho do colapso e os detalhes dos anéis estão marcados como hipótese ou interpretação.
- Consenso científico: O Sistema Solar se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos. [1]
- Consenso científico: Originou-se de uma nuvem densa de gás e poeira interestelares que colapsou. [1]
- Consenso científico: O colapso criou uma nebulosa solar, um disco giratório de material. [1]
- Fato estabelecido: O Sol reuniu mais de 99% da matéria disponível no Sistema Solar primitivo. [1]
- Consenso científico: Na parte externa do disco, grumos de material se chocaram e formaram objetos cada vez maiores, até planetas e planetas-anões. [1]
- Hipótese: O colapso da nuvem pode ter sido provocado pela onda de choque de uma supernova próxima. [1]
A NASA diz 'possivelmente'; o gatilho do colapso não é conclusão firme. - Evidência forte: Inclusões ricas em cálcio e alumínio em meteoritos se formaram num intervalo curto, com idade de 4.567,30 ± 0,16 milhões de anos (datação U-Pb corrigida). [2]
- Evidência forte: As idades dos côndrulos vão de 4.567,32 a 4.564,71 milhões de anos, e sua formação começou junto com as inclusões e durou cerca de 3 milhões de anos. [2]
- Evidência forte: Esse intervalo de cerca de 3 milhões de anos é semelhante ao tempo de vida de discos inferido por observações astronômicas. [2]
- Fato estabelecido: HL Tauri tem cerca de 1 milhão de anos e está a cerca de 450 anos-luz. [3]
- Fato estabelecido: A imagem do ALMA divulgada em 6 de novembro de 2014 mostra anéis brilhantes concêntricos separados por vazios no disco de HL Tauri. [3]
- Interpretação: Os anéis e vazios são quase certamente resultado de corpos jovens do tipo planeta se formando no disco, o que surpreendeu por a estrela ser tão jovem. [3]
Interpretação da equipe do ESO em 2014; a origem exata das estruturas segue em estudo. - Teoria científica: Em modelos de simulação, a linha de neve (onde a água congela) favorece a formação de planetesimais: a transição entre grãos úmidos e secos retarda a queda de material em direção à estrela, e pedregulhos de gelo se acumulam logo além dela. [4]
Resultado de modelo numérico, que ocorre em parte dos discos simulados, não em todos.
Fontes
- NASA Science — Solar System Formation
consultada em 06/10/2026 - Science / PubMed (PMID 23118187) — The absolute chronology and thermal processing of solids in the solar protoplanetary disk (Connelly et al., Science, 2012)
consultada em 06/10/2026 - ESO — Revolutionary ALMA image reveals planetary genesis (eso1436)
consultada em 06/10/2026 - Astronomy & Astrophysics / arXiv — Planetesimal formation at the snow line (Drazkowska e Alibert, A&A 608, A92, 2017)
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão