Astronomia

O sinal Wow! de 1977: 72 segundos registrados, nenhuma repetição e explicações ainda em disputa

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Astrobiologia

Em 15 de agosto de 1977 o telescópio Big Ear registrou um sinal de banda estreita (até 10 kHz) perto da linha do hidrogênio, 30,5 vezes acima do ruído, durante 72 segundos. Nunca mais foi visto. Não se sabe a posição exata, em qual dos dois feixes entrou, nem se foi interferência, uma fonte natural rara ou um transmissor. Cada explicação proposta enfrenta objeções.

O Big Ear era um radiotelescópio de Ohio que, desde 1973, procurava sinais de banda estreita: emissões concentradas numa faixa muito fina de frequências, que quase nenhum objeto celeste produz. Um receptor de 50 canais de 10 kHz gravava a razão sinal-ruído a cada 12 s, e o computador imprimia uma letra ou número por canal. Havia duas cornetas lado a lado no foco, de modo que uma fonte fixa no céu passaria primeiro por um feixe e cerca de 3 minutos depois pelo outro. O Wow! foi notado dias depois, ao se revisar o impresso, quando Jerry Ehman circulou 6EQUJ5 e escreveu “Wow!” ao lado. O nome ficou, mas “sinal” aqui é só o registro: ninguém sabe o que o produziu.

Não foram 37 segundos

Ehman avisa que há quem diga que o sinal durou 37 segundos. Esse número é a largura a meia potência do feixe. O registro cobre seis leituras de 12 s, ou 72 s, e a duração real da emissão é desconhecida.

Como sabemos o que foi registrado: ler o impresso

Tudo parte de uma folha de computador. Cada coluna é um canal de 10 kHz; cada letra ou número é a razão sinal-ruído de 10 s de dados, truncada para um inteiro. Em 6EQUJ5 os seis valores crescem, chegam a U (30 a 31) e caem, como o feixe do telescópio faria ao ver uma fonte fixa passar. Ehman ajustou uma gaussiana aos seis pontos, e Gray e Marvel também: o ajuste é muito bom. Mas são só seis números, cada um arredondado, num único canal.

O que o registro não dá: lado, posição e potência

O programa de 1977 não anotava em qual corneta o sinal entrou, então há duas ascensões retas possíveis, a 3 minutos uma da outra. A declinação é a mais incerta: o telescópio estava parado e o sinal pode ter vindo de uma parte menos sensível do feixe. Por isso a densidade de fluxo tem duas estimativas internas, 54 e 212 Jy, e Ehman diz não ter resolvido a diferença. Só um sinal repetido responderia a essas perguntas.

Como sabemos que ele não se repetiu, e o que isso exclui

Foram cerca de 100 varreduras do próprio Ohio State, mais as tentativas com META, VLA, Hobart e Allen Telescope Array, que somou mais de 100 horas. Essas buscas excluem um emissor periódico, como um farol com período abaixo de 40 horas, dentro dos limites de cada instrumento. Não excluem um emissor irregular: Kipping e Gray calculam que ainda seria preciso muito mais observação para derrubar essa possibilidade.

As explicações propostas e o peso de cada uma

Interferência terrestre e refletor de detrito espacial têm objeções (a forma do sinal, a banda protegida), mas Ehman não as exclui. A hipótese de 2024 diz que uma nuvem fria de hidrogênio brilhou como maser por um instante, talvez disparada por um magnetar; foi proposta em pré-publicação e não foi testada no local. A dos cometas (2015) foi descartada, segundo Caballero. Transmissor artificial não tem prova a favor. A origem continua em aberto.

Como sabemos

O registro vem do próprio autor do Big Ear e as buscas de artigos abertos; as explicações são hipóteses, e quatro dos artigos lidos são pré-publicações no arXiv.

Em debate:

Fontes

  1. Observatório de Rádio da Universidade Estadual de Ohio (Big Ear) e NAAPO — The Big Ear Wow! Signal (30th Anniversary Report)
    Ehman, J. R. · 2007 (revisado em 2010) · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. The Astrophysical Journal 546, 1171 — A VLA Search for the Ohio State “Wow”
    Gray, R. H.; Marvel, K. B. · 2001 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1086/318272
  3. Universidade Columbia e Gray Data Consulting (versão no arXiv; MNRAS) — Could the “Wow” signal have originated from a stochastic repeating beacon?
    Kipping, D.; Gray, R. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. Universidade de Porto Rico em Arecibo e colaboradores (versão no arXiv) — Arecibo Wow! I: An Astrophysical Explanation for the Wow! Signal
    Méndez, A.; Ortiz Ceballos, K.; Zuluaga, J. I. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. Journal of the Washington Academy of Sciences (versão no arXiv) — Hydrogen Clouds from Comets 266P Christensen and P2008 Y2 (Gibbs) are Candidates for the Source of the 1977 WOW Signal
    Paris, A.; Davies, E. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  6. International Journal of Astrobiology (versão no arXiv) — An approximation to determine the source of the WOW! Signal
    Caballero, A. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)

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