Botânica

Sementes que esperam séculos: a tamareira de Masada germinou; a Silene do permafrost foi regenerada do fruto

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Uma semente de tamareira com cerca de 2 mil anos, achada em Masada (Israel), germinou e é o maior registro de semente madura recuperada viva. Já a Silene de 31.800 anos, do permafrost siberiano, não germinou de semente: foi regenerada em laboratório a partir de tecido de fruto imaturo, cultivado in vitro.

Uma semente espera como embrião seco, à espera de água; um fruto congelado espera como tecido. A tamareira de Masada é o primeiro caso: sementes escavadas entre 1963 e 1991 e guardadas à temperatura ambiente, das quais 6 em 32 germinaram em estudo publicado em 2020. A datação por radiocarbono, que mede o decaimento do carbono-14, as situa entre os séculos IV a.C. e II d.C. A Silene é o segundo caso: frutos imaturos achados em tocas de esquilos a 38 m de profundidade, em solo congelado que nunca degelou, dos quais se tiraram pedaços de placenta para cultura de tecidos. Dizer que uma semente de 30 mil anos germinou mistura os dois casos.

Mesma espécie, resultados opostos

Sementes de tamareira coletadas em Bagdá em 1873 e guardadas no Kew estavam mortas quando testadas, enquanto as de Masada, bem mais velhas, germinaram. A idade sozinha não prevê a viabilidade.

Tamareira: semente madura que germinou

Em 2020, a equipe de Sarah Sallon plantou 32 sementes de tamareira do deserto da Judeia e seis germinaram (a1). O material estava guardado à temperatura ambiente desde a escavação (a2). A taxa baixa importa: a germinação foi a exceção. A plântula Methuselah, de Masada, foi germinada em 2005 e é tida como o maior registro de semente madura viva (a5).

Como sabemos a idade, e o limite dessa prova

A idade vem do radiocarbono, medido em pedaços da casca que ficaram presos às raízes da plântula (a4). Como a plântula incorpora carbono moderno ao crescer, os autores corrigiram a idade em 250 a 300 anos (a3). O resultado são faixas de séculos, não anos exatos. Para a Silene, o AMS deu 31.800 ± 300 anos nos frutos (a7). A datação diz a idade do material, não explica por que ele continuou vivo.

Silene: tecido de fruto, não semente

Os frutos imaturos estavam em tocas de esquilos, a 38 m, em permafrost que nunca degelou (a7). Dos pedaços de placenta, em meio de cultura, nasceram plantas inteiras, que floresceram e deram sementes viáveis (a6, a8). Sementes da mesma espécie, de outra toca, só emitiram raiz e pararam, por dano ao embrião (a9). Os autores veem alta resistência da placenta ao congelamento (a14). Uma carta ao PNAS discute a identidade da planta (a15).

Quanto tempo uma semente pode esperar?

Não há um teto medido: os registros são os maiores achados até agora (a5, a10). Frio e baixa umidade ajudam (a13), mas a idade não basta: sementes de tamareira de 1873 estavam mortas, enquanto as de Masada germinaram (a12). Sementes de lótus de até 1.288 anos também foram achadas vivas (a11).

Como sabemos

Os dois casos centrais vêm de artigos abertos no PMC; a descrição original de Methuselah (Science, 2008) não foi lida, e a carta sobre a Silene só pelo título.

Em debate: A tamareira é semente madura; a Silene é tecido de fruto regenerado in vitro. Uma carta ao PNAS discute a identidade taxonômica da planta regenerada.

Fontes

  1. Science Advances — Origins and insights into the historic Judean date palm based on genetic analysis of germinated ancient seeds and morphometric studies
    Sallon, S.; Cherif, E.; Chabrillange, N. et al. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.aax0384
  2. Proceedings of the National Academy of Sciences — The genomes of ancient date palms germinated from 2,000 y old seeds
    Gros-Balthazard, M. et al. · 2021 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1073/pnas.2025337118
  3. Proceedings of the National Academy of Sciences — Regeneration of whole fertile plants from 30,000-y-old fruit tissue buried in Siberian permafrost
    Yashina, S.; Gubin, S.; Maksimovich, S.; Yashina, A.; Gakhova, E.; Gilichinsky, D. · 2012 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1073/pnas.1118386109
  4. Frontiers in Plant Science — Assessing Extreme Seed Longevity: The Value of Historic Botanical Collections to Modern Research
    Porteous, G.; Nesbitt, M. et al. · 2019 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3389/fpls.2019.01181
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 15; conferência de trechos automatizada)

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