Evolução

Seleção natural: variação, herança e reprodução diferencial bastam para uma população mudar

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Evolução biológica

Há seleção natural quando, numa população, os indivíduos variam numa característica, essa característica é herdada e os portadores de certas variantes deixam mais descendentes que os demais. Com as três condições juntas, a frequência das variantes muda ao longo das gerações: a população evolui. Não é preciso planejamento nem objetivo, e quem muda é a população, não cada indivíduo.

Variação quer dizer que os indivíduos diferem em algo que tem base genética, como a cor. Ela nasce de mutações, de fluxo gênico (genes que chegam de outra população) e da recombinação sexual. Herança é a transmissão dessa base genética aos descendentes. Reprodução diferencial é a diferença no número de descendentes: como o ambiente não sustenta crescimento ilimitado, nem todos se reproduzem até o seu potencial. Quando uma variante aumenta as chances de sobreviver e se reproduzir naquele ambiente, ela tende a se tornar mais comum. A seleção atua sobre a variação que já existe; ela não cria a variante de que a população 'precisa'. A mariposa-salpicada britânica é um caso estudado há décadas.

Do jardim à janela

O biólogo Michael Majerus soltou 4.864 mariposas num jardim de Cambridgeshire e observou, da própria janela, aves de nove espécies atacando-as. Morreu em 2009, antes de publicar; colegas analisaram os dados e os divulgaram em 2012.

Do exemplo ao cálculo

Imagine, só como ilustração, 1.000 besouros, metade verdes e metade marrons, em que 40% dos verdes e 60% dos marrons sobrevivem até reproduzir, e os filhos herdam a cor dos pais. Sobram 200 verdes e 300 marrons: os marrons passam de 50% para 60% da população. Repetido, o marrom chega a cerca de 69% na geração seguinte. Os números são cálculo nosso, inventados; nenhum besouro mudou de cor. Mudou a composição do grupo, e é isso que se chama evoluir.

Como sabemos: o caso da mariposa-salpicada

A mariposa-salpicada mostra o ciclo completo. A forma escura é herdada por um único loco e se tornou comum na Grã-Bretanha industrial; desde 1970, a clara voltou. Para testar a explicação por predação, Majerus soltou 4.864 mariposas em seis anos e comparou as taxas de desaparecimento: as escuras sobreviveram cerca de 91% por dia em relação às claras. A seleção foi medida (um coeficiente de cerca de 0,1 por dia), não só suposta. O limite: é um local, e a conclusão geral se apoia no conjunto de estudos.

Indivíduos não mudam; populações sim

Uma ave que ganha penas coloridas ao amadurecer, ou perde penas por causa de parasitas, não está evoluindo: essas mudanças não vêm de alteração nos genes. Evolução é mudança na frequência das variantes numa população, ao longo de gerações. Também não vence só o 'melhor': quem for apto o bastante para se reproduzir passa seus genes adiante. Por isso a seleção natural não produz perfeição, e nenhuma população é perfeitamente adaptada.

Adaptação como resultado, não como meta

Chama-se adaptação a característica que surgiu e foi favorecida pela seleção para a função que cumpre hoje. É um resultado reconhecido depois, por evidência, e não uma intenção do organismo. Nem tudo é adaptação: os olhos sem função de peixes de cavernas escuras são estruturas vestigiais, restos de ancestrais que enxergavam. E como as mutações não surgem 'por necessidade', a seleção só escolhe entre as variantes que já existem.

Como sabemos

As condições e as correções conceituais vêm de páginas institucionais de Berkeley lidas por inteiro; o exemplo empírico vem de um artigo revisado por pares de 2012, lido por inteiro.

Em debate: A explicação clássica do melanismo industrial (camuflagem e predação por aves) foi criticada nos anos 1990 por detalhes de método, como o uso de mariposas mortas presas em troncos. O experimento de Majerus respondeu a essas críticas, e os autores de 2012 o veem como a evidência mais direta até então; é um estudo, num local.

Fontes

  1. Understanding Evolution, Universidade da Califórnia em Berkeley — Natural Selection (Evolution 101)
    Understanding Evolution, UC Museum of Paleontology · 2020 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. Understanding Evolution, Universidade da Califórnia em Berkeley — Genetic variation (Evolution 101)
    Understanding Evolution, UC Museum of Paleontology · 2020 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. Understanding Evolution, Universidade da Califórnia em Berkeley — Misconceptions about natural selection
    Understanding Evolution, UC Museum of Paleontology · 2020 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. Understanding Evolution, Universidade da Califórnia em Berkeley — Adaptation (Evolution 101)
    Understanding Evolution, UC Museum of Paleontology · 2020 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  5. Biology Letters (The Royal Society) — Selective bird predation on the peppered moth: the last experiment of Michael Majerus
    Cook, L. M.; Grant, B. S.; Saccheri, I. J.; Mallet, J. · 2012 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rsbl.2011.1136
  6. Understanding Evolution, Universidade da Califórnia em Berkeley — Misconceptions about evolution
    Understanding Evolution, UC Museum of Paleontology · 2020 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 1; conferência de trechos automatizada)

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