História da Ásia

Sekigahara, 1600: a batalha que pôs o Japão, já unificado, nas mãos dos Tokugawa

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026

Em 21 de outubro de 1600, entre 150 mil e 160 mil homens se enfrentaram no vale de Sekigahara, no centro do Japão. De um lado, Tokugawa Ieyasu; do outro, a coalizão reunida por Ishida Mitsunari. À tarde, Kobayakawa Hideaki, que estava no lado de Ishida mas negociava em segredo com Ieyasu, atacou os próprios aliados, e o exército ocidental desmoronou. Os japoneses a chamam de "a batalha que dividiu o reino".

Sekigahara não criou a unidade do Japão: ela já existia. Oda Nobunaga entrou em Quioto em 1568 escoltando o xogum Ashikaga Yoshiaki, expulsou-o em 1573, pondo fim ao xogunato Muromachi, e foi morto em 1582 no templo Honnōji, traído por seu general Akechi Mitsuhide. Toyotomi Hideyoshi herdou o projeto e, em 1590, ao destruir os Hōjō de Odawara e submeter o nordeste, completou a unificação. Morreu em 1598, deixando o filho pequeno, Hideyori, aos cuidados dos Cinco Grandes Anciãos, o conselho de senhores que Ieyasu encabeçava. Em 1600, Ieyasu marchou contra Uesugi Kagekatsu, que se recusara a ir à capital, e Ishida aproveitou a ausência para levantar um exército. A batalha decidiu quem governaria o país unificado. Em 1603, a corte imperial nomeou Ieyasu xogum, e ele instalou o governo em Edo, a atual Tóquio.

O vencedor foi refém na infância

Aos seis anos, a caminho de Sunpu como refém do clã Imagawa, o futuro Ieyasu foi capturado por gente dos Oda e levado para Owari. Só em 1549 uma troca de prisioneiros o mandou a Sunpu, ainda refém. Mais de uma década depois, aliou-se a Oda Nobunaga, herdeiro da casa que o capturara.

Três senhores, um país

Nobunaga unificou Owari, tomou Mino e, a partir de 1568, dominou a capital. Foi implacável: queimou o mosteiro de Enryakuji em 1571 e enfrentou as ligas religiosas Ikkō com táticas de massacre. Hideyoshi, seu general, herdou o projeto, venceu Akechi Mitsuhide em Yamazaki e completou a unificação em 1590. Com o levantamento das terras e a caça às espadas, separou guerreiros e camponeses. Suas invasões da Coreia fracassaram. Ieyasu, aliado de Nobunaga e depois vassalo de Hideyoshi, esperou.

O dia da batalha

O Arquivo Nacional do Japão estima cerca de 70 mil homens com Ieyasu e 80 mil com Ishida; a enciclopédia Nipponica fala em cerca de 80 mil de cada lado e observa que só uns 35 mil ocidentais chegaram a lutar. Do monte Matsuo, a 293 metros, Kobayakawa Hideaki via todo o vale. Ele já tinha acordo secreto com Ieyasu. À tarde, atacou o flanco de Ōtani Yoshitsugu, e a linha ocidental ruiu. Ishida fugiu, foi capturado e decapitado em Quioto com Konishi Yukinaga e Ankokuji Ekei.

O tiro que talvez não existiu

Uma tradição conta que Ieyasu, impaciente, mandou atirar contra o monte Matsuo para obrigar Kobayakawa a escolher um lado. O museu de Sekigahara a apresenta como 'uma versão'. Parte dos historiadores japoneses recentes a considera lenda, porque ela não aparece nos documentos da época, e sustenta que Kobayakawa agiu conforme o combinado. Kasaya Kazuhiko, professor emérito do Nichibunken, em Quioto, discorda: para ele, a cena é provável porque vários textos escritos de forma independente a relatam.

O reino redistribuído e a paz de Edo

Ieyasu redesenhou o mapa: 91 casas de daimiôs perderam suas terras, num total de 4,2 milhões de koku, a medida de arroz que avaliava os domínios. Os Mōri caíram de 1,12 milhão para 360 mil koku. Nomeado xogum em 1603, Ieyasu passou o cargo ao filho em 1605 sem largar o poder e eliminou os Toyotomi em Osaka, em 1615. O período Edo durou cerca de 265 anos. Depois de Shimabara, em 1637–1638, o país não viu guerra até a crise final do xogunato.

Como sabemos

Datas e fatos centrais vêm do Arquivo Nacional do Japão, do museu de Sekigahara e de enciclopédias acadêmicas japonesas assinadas; números de tropas e o episódio do tiro estão marcados como estimativa e debate.

Em debate: O 'tiro de pergunta' (toi-deppō): a tradição diz que Ieyasu mandou atirar contra o monte Matsuo para forçar Kobayakawa a trair; parte dos historiadores japoneses recentes a trata como invenção posterior, por não aparecer nos documentos da época, e sustenta que Kobayakawa atacou conforme o combinado; Kasaya Kazuhiko (Nichibunken) defende que o episódio é histórico por constar de vários textos independentes.

Em debate: Duração e efetivos da batalha: as obras de referência falam em combate da manhã até cerca das 16 horas e em cerca de 70–80 mil homens de cada lado; releituras recentes das fontes primárias propõem uma luta bem mais curta, e os números são estimativas tradicionais.

Em debate: O lugar de Nobunaga: a historiografia japonesa recente discute se o governo de Nobunaga já era um poder de tipo moderno, como o de Hideyoshi, ou ainda um poder central do tipo Sengoku.

Fontes

  1. Arquivo Nacional do Japão (国立公文書館) — 関ヶ原の戦い (A Batalha de Sekigahara), exposição digital "Tokugawa Ieyasu: sua vida pelos livros da casa xogunal"
    consultada em 05/10/2026
  2. Arquivo Nacional do Japão (国立公文書館) — 大坂冬の陣・夏の陣 (As campanhas de inverno e de verão de Osaka) e 本能寺の変 (O incidente de Honnōji), mesma exposição digital
    consultada em 05/10/2026
  3. Museu Memorial do Campo de Batalha de Sekigahara (岐阜関ケ原古戦場記念館), Governo da Província de Gifu — 小早川秀秋コース (Roteiro de Kobayakawa Hideaki)
    consultada em 05/10/2026
  4. Kotobank: 日本大百科全書 (Shōgakukan) e ブリタニカ国際大百科事典 — 関ヶ原の戦い (verbetes da Nipponica, por Okamoto Ryōichi, e da Britannica japonesa)
    consultada em 05/10/2026
  5. Kotobank: 日本大百科全書 (Shōgakukan) e outras obras de referência — 徳川家康 (Tokugawa Ieyasu)
    consultada em 05/10/2026
  6. Kotobank: 日本大百科全書, 世界大百科事典 (Heibonsha) e Mypedia — 織田信長 (Oda Nobunaga)
    consultada em 05/10/2026
  7. Kotobank: 日本大百科全書 e outras obras de referência — 豊臣秀吉 (Toyotomi Hideyoshi)
    consultada em 05/10/2026
  8. Kotobank: デジタル大辞泉 e 日本大百科全書 — 江戸時代 (Período Edo)
    consultada em 05/10/2026
  9. Kyoto Shimbun (jornal), série THE KYOTO — 論争関ケ原合戦 #3 問い鉄砲は本当か (Debate sobre Sekigahara, 3: o 'tiro de pergunta' aconteceu?), com Kasaya Kazuhiko
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão

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