Fenômenos naturais

Satélites meteorológicos: das fotos do TIROS-1, em 1960, aos 16 canais do GOES, que imageia a cada 10 minutos

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Dois tipos de satélite observam a atmosfera. Os geoestacionários, como os GOES, ficam a 22.236 milhas (cerca de 35.800 km) sobre o equador, sempre sobre a mesma região, e a câmera ABI lê 16 faixas de luz, podendo refazer o disco inteiro a cada 10 minutos. Os polares, como os JPSS, cruzam de polo a polo 14 vezes por dia e cobrem o planeta duas vezes ao dia. O primeiro satélite feito para ver nuvens, o TIROS-1, é de 1960.

Um satélite meteorológico não mede "o tempo" diretamente: mede radiação em faixas de comprimento de onda, chamadas canais ou bandas. Na luz visível, o sensor registra o sol refletido, por isso só serve de dia. No infravermelho, registra a radiação emitida, da qual se tira uma temperatura de brilho, e funciona também à noite. Há ainda canais infravermelhos sensíveis ao vapor d'água, que mostram onde há umidade em altitude. O que muda entre os satélites é a órbita. Na geoestacionária, a velocidade acompanha a rotação da Terra e o satélite fica fixo sobre uma região; na polar, ele passa de polo a polo e varre o planeta em faixas. Cada órbita responde a uma necessidade diferente: acompanhar uma tempestade minuto a minuto, ou cobrir o globo inteiro.

As primeiras imagens esperavam na fita

O TIROS-1 não transmitia sempre ao vivo: guardava as fotos em gravadores de fita e só as descarregava ao passar sobre estações em Fort Monmouth, em Nova Jersey, ou em Kaena Point, no Havaí.

Dois tipos de órbita, dois tipos de olhar

Um satélite geoestacionário fica a 22.236 milhas sobre o equador, com velocidade igual à rotação da Terra, e por isso mantém uma região sempre à vista, com cobertura contínua. O GOES Leste e o GOES Oeste juntos cobrem mais da metade do globo, da costa oeste da África à Nova Zelândia. Os JPSS fazem o oposto: passam de polo a polo 14 vezes por dia e cobrem o planeta inteiro duas vezes ao dia. Um dá continuidade sobre uma região; o outro, o globo todo com intervalo maior.

O que cada faixa de luz mostra

O ABI usa 16 bandas: dois canais visíveis, quatro no infravermelho próximo e dez no infravermelho. Os visíveis dependem do sol e só servem de dia. As bandas de vapor d'água são de infravermelho e medem a temperatura média de uma camada de umidade, útil para acompanhar ventos médios e correntes de jato. A de 3,9 µm é sensível à parte mais quente de cada pixel, o que ajuda a detectar incêndios, às vezes antes de serem vistos do solo.

Do TIROS ao GOES-R

O TIROS-1, de 1960, tinha duas câmeras de televisão e guardava as fotos em fita: fez 23.000 imagens em cerca de três meses. Em 1966, o ATS-1 transmitiu, segundo a NASA, as primeiras imagens do disco inteiro da órbita geoestacionária, uma a cada meia hora. A série GOES-R varre a Terra cinco vezes mais rápido, com quatro vezes mais resolução e três vezes mais canais que os GOES anteriores, e inclui um mapeador de raios, o primeiro operacional nessa órbita, segundo a NOAA.

Limites: o que o satélite não vê sozinho

Nuvens densas escondem a umidade de níveis mais baixos, e o ângulo de visão altera a temperatura aparente: nas bandas de vapor d'água, a borda do disco pode parecer até 8 °C mais fria que o centro, nas mesmas condições. A imagem também é uma média sobre uma camada de altura variável, não um perfil vertical. Esse perfil é medido diretamente por radiossondas, tema de outro post; as radiâncias dos satélites entram, junto com ele, nos modelos de previsão.

Como sabemos

Fatos e números vêm de páginas institucionais da NOAA e da NASA lidas por inteiro; quase tudo é da perspectiva norte-americana e é autodescrição das agências, sem fonte independente sobre o ganho de acerto das previsões.

Fontes

  1. NOAA National Environmental Satellite, Data, and Information Service — Geostationary Satellites (GOES-R Series)
    NOAA NESDIS · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. NOAA National Environmental Satellite, Data, and Information Service — Advanced Baseline Imager (ABI)
    NOAA NESDIS · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. NOAA National Environmental Satellite, Data, and Information Service — Joint Polar Satellite System
    NOAA NESDIS · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. NASA Earth Observatory — 50th Anniversary of the TIROS Satellite
    Riebeek, H. (legenda); NASA Goddard Space Flight Center · 2010 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. NASA Science — Applications Technology Satellites (ATS)
    NASA · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  6. NOAA NESDIS STAR / CIMSS, Universidade de Wisconsin-Madison — ABI Band 9 (6.9 µm) Quick Guide
    Bachmeier, S.; Schmit, T.; Gerth, J. (UW-Madison CIMSS/NOAA) · 2017-08 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 14; conferência de trechos automatizada)

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