História do Brasil
São João del-Rei: cerca de 700 imóveis tombados e um toque de sinos que é patrimônio imaterial do Brasil
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
O antigo Arraial de Rio das Mortes virou vila em 1713 e recebeu o nome de São João del-Rei, em honra a D. João V. O Iphan tombou o conjunto em 1938, com cerca de 700 imóveis, entre igrejas, capelas, pontes e Passos da Paixão. Nas torres, os sinos ainda são tocados à mão: desde 2009, o toque dos sinos de Minas Gerais, que inclui a cidade, é uma Forma de Expressão registrada pelo Iphan.
Antes do ouro, a região já era passagem obrigatória para quem ia às minas: o Porto Real da Passagem, na margem esquerda do rio das Mortes, foi estabelecido por Tomé Portes del Rei. O ouro atraiu mineradores e fez nascer um arraial ao pé do morro das Mercês, o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, futura vila. No Morro da Forca, os paulistas ergueram a primeira igreja, concluída em 1721, hoje a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Com o declínio do ouro, a vila ganhou papel comercial. O tombamento de 1938 não definiu a área protegida, o que só aconteceu em 1947. Em 2007, a cidade foi escolhida Capital Brasileira da Cultura.
Os sinos falam
O ritmo muda conforme a ocasião: festas pedem toques rápidos e vibrantes, o luto, sons lentos e discretos. Segundo o Governo de Minas, pelo som é possível saber até se quem morreu era homem ou mulher. Com os sinos parados, tocam-se badaladas, pancadas ou repiques; em movimento, os dobres.
Do Porto Real ao arraial
Antes mesmo da descoberta do ouro, o local conhecido como Porto Real da Passagem era ponto obrigatório de quem seguia para as outras minas. A região mostrou-se rica em ouro, o que levou a ocupação pela Serra do Lenheiro e à formação de um arraial ao pé do morro das Mercês. Como em outras cidades mineiras, a ocupação inicial foi dispersa, com grupos de casas baixas em torno de uma pequena capela. O declínio do ouro não encerrou a vila, que passou a ter importante papel comercial.
O conjunto tombado
O Iphan tombou São João del-Rei em 1938 e definiu a área protegida em 1947. O núcleo histórico era então a parte mais íntegra, com igrejas, capelas, pontes e Passos da Paixão. A arquitetura religiosa segue, em geral, os padrões das matrizes mineiras, com nave, capela-mor, sacristias e corredores laterais e uma fachada de corpo central ladeado por duas torres. A ornamentação obedece ao gosto rococó da segunda metade do século XVIII e do início do XIX.
Uma cidade de orquestras
Segundo o Governo de Minas, a Rua Santo Antônio, chamada de Rua das Casas Tortas, abriga a Capela de Santo Antônio e a sede de duas orquestras bicentenárias: a Lira Sanjoanense, de 1776, e a Ribeiro Bastos, de 1790. Pelo centro há cinco oratórios de pedra e madeira, os Passinhos da Paixão, que recebem procissões na Quaresma e na Semana Santa. Dali também sai o passeio de Maria Fumaça até Tiradentes, e o Museu Ferroviário guarda a primeira locomotiva da Estrada de Ferro Oeste de Minas, de 1881.
O toque dos sinos
O toque dos sinos em Minas Gerais foi registrado pelo Iphan em 3 de dezembro de 2009, no Livro das Formas de Expressão, para nove cidades, entre elas São João del-Rei, Ouro Preto, Mariana e Tiradentes. A prática nasceu nas irmandades religiosas do ciclo do ouro, que coordenavam as celebrações e formavam sineiros. Onde essa atuação foi mais duradoura, como em São João del-Rei, o costume ganhou maior estrutura e continuidade. Em outros lugares, vive graças a sineiros voluntários.
Como sabemos
Tombamento e registro conferem em páginas do Iphan; a vila de 1713 e as orquestras vêm de texto do Governo de Minas, cujos dados sobre 1713 não foram cruzados com uma segunda fonte.
- Fato estabelecido: O arraial de Rio das Mortes foi oficializado como vila em 1713, com o nome de São João del-Rei, em homenagem a D. João V. [2]
- Fato estabelecido: A região era ponto de passagem obrigatório antes do ouro; o Porto Real da Passagem foi estabelecido por Tomé Portes del Rei na margem esquerda do rio das Mortes. [1]
- Fato estabelecido: A primeira igreja, hoje Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, foi erguida no Morro da Forca por paulistas e concluída em 1721. [2]
- Fato estabelecido: O conjunto arquitetônico e urbanístico de São João del-Rei foi tombado pelo Iphan em 1938; a delimitação da área só veio em 1947. [1]
- Estimativa: Os bens imóveis tombados somam cerca de 700 imóveis, entre igrejas, capelas, pontes e Passos da Paixão. [1] [2]
O Iphan fala em cerca de 700 imóveis. - Fato estabelecido: A cidade foi escolhida Capital Brasileira da Cultura em 2007. [1]
- Fato estabelecido: O toque dos sinos em Minas Gerais foi registrado pelo Iphan no Livro das Formas de Expressão em 3 de dezembro de 2009, abrangendo nove cidades mineiras, entre elas São João del-Rei. [3]
- Fato estabelecido: A prática nasceu nas irmandades religiosas do ciclo do ouro, que coordenavam as celebrações e formavam os sineiros. [3]
- Fato estabelecido: Festas pedem toques mais rápidos e o luto, sons mais lentos; com os sinos parados fazem-se badaladas, pancadas ou repiques, e em movimento, os dobres. [3]
- Fato estabelecido: Pelo som dos sinos é possível saber, em ocasiões fúnebres, se a pessoa que morreu era homem ou mulher. [2]
- Fato estabelecido: O passeio de Maria Fumaça liga São João del-Rei a Tiradentes, e o Museu Ferroviário guarda a primeira locomotiva usada na Estrada de Ferro Oeste de Minas, em 1881. [2]
- Fato estabelecido: A Rua Santo Antônio abriga a sede de duas orquestras bicentenárias, a Lira Sanjoanense (1776) e a Ribeiro Bastos (1790). [2]
Fontes
- Iphan, Conjuntos Urbanos Tombados (arquivo do portal) — São João del Rei (MG)
consultada em 04/10/2026 - Agência Minas, Governo de Minas Gerais (Minas 300 anos) — Maior cidade setecentista de Minas, São João del-Rei guarda casario barroco e colonial
consultada em 04/10/2026 - Iphan, Bem Cultural Registrado — Toque dos sinos em Minas Gerais
consultada em 04/10/2026
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