Ciências da Terra

San Andreas: como duas placas que se roçam de lado acumulam tensão e geram terremotos

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Tectônica de placas

Numa falha transformante, duas placas deslizam lado a lado, sem criar nem destruir crosta. Na San Andreas, a Placa do Pacífico se move para noroeste em relação à Norte-Americana, a cerca de 5 cm por ano em média. Trechos da falha ficam travados por décadas e liberam a tensão de uma vez, em terremotos; outros rastejam sem parar.

Placas podem se afastar, se aproximar ou se roçar. No terceiro caso o limite é transformante: o movimento é horizontal, paralelo à falha, e a crosta não é produzida nem consumida. A San Andreas é do tipo que os geólogos chamam de lateral direita: quem olha através dela vê o outro lado deslocado para a direita. O atrito prende as superfícies, a tensão se acumula como numa mola e, ao passar do limite de resistência da rocha, a falha escorrega de repente e libera ondas sísmicas. Como a ruptura ocorre perto da superfície, os terremotos de limites transformantes costumam ser rasos. Mas nem toda a falha se comporta assim: há trechos que escorregam devagar e continuamente, sem acumular tanta tensão.

Uma estrada deslocada por seis metros

No terremoto de San Francisco, em 1906, a estrada que cruzava a cabeceira da baía de Tomales foi deslocada quase 21 pés, cerca de 6,4 m, o maior deslocamento registrado. O lado oeste da falha avançou para o norte.

O que torna uma falha 'transformante'

Numa falha transformante o movimento é horizontal e paralelo ao limite, e a crosta não é criada nem destruída. J. Tuzo Wilson propôs que essas falhas conectam dois limites divergentes ou, menos comumente, fossas oceânicas. A maioria fica no fundo do mar, deslocando as dorsais em zigue-zague; a San Andreas é uma das poucas expostas em terra. Ela liga a Dorsal do Pacífico Leste, ao sul, a uma dorsal ao largo do noroeste dos EUA, ao norte. Outro exemplo citado pelo serviço geológico britânico é a falha da Anatólia.

Por que o movimento contínuo vira terremoto

As placas se movem sem parar, mas a falha não escorrega sem parar. Em trechos travados, o atrito prende as rochas dos dois lados e a deformação se acumula por décadas ou séculos; quando o limite de resistência é vencido, a falha desliza de uma vez e libera ondas sísmicas. Em 1906, o deslocamento da estrada na baía de Tomales chegou a quase 21 pés (cerca de 6,4 m). Já nos trechos que rastejam, a falha desliza aos poucos e, ao menos no registro histórico, sem terremotos grandes.

Como sabemos o que está travado e o que rasteja

Dois tipos de medida se complementam. A geodesia (medidas de posição por satélite e radar) mostra quanto o solo se desloca junto à falha. A sismologia conta os terremotos. No trecho central, um estudo comparou os dois e achou correlação de 0,933 entre o rastejamento medido por radar e a fração de terremotos fora de sequências de réplicas. Os limites: o catálogo cobre só cerca de 40 anos, curto diante do intervalo entre os maiores terremotos, e o radar mede o rastejamento na superfície, não em profundidade.

O que ainda é incerto

Entre o trecho de rastejamento e os trechos travados há zonas de transição, onde a falha tem comportamento intermediário. Uma questão aberta é se uma grande ruptura vinda de um trecho travado poderia atravessar o trecho que rasteja. A impressão geral é que é improvável, mas simulações e medidas de deformação levam alguns pesquisadores a considerá-lo possível. Isso é debate científico, não previsão: ninguém sabe dizer quando nem se isso ocorrerá.

Como sabemos

Conceitos centrais vêm de duas páginas do serviço geológico dos EUA, de um estudo revisado por pares e de um serviço geológico britânico; a ruptura passante pelo trecho que rasteja é apresentada como questão aberta.

Em debate:

Fontes

  1. U.S. Geological Survey — Understanding plate motions (This Dynamic Earth: the story of plate tectonics)
    U.S. Geological Survey · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. U.S. Geological Survey — The San Andreas Fault
    Schulz, S. S.; Wallace, R. E. · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. Science Advances — A unified perspective of seismicity and fault coupling along the San Andreas Fault
    Liu, Y.-K.; Ross, Z. E.; Cochran, E. S.; Lapusta, N. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.abk1167
  4. British Geological Survey — Plate tectonics: transform boundary
    British Geological Survey · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 5; conferência de trechos automatizada)

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