Zoologia

Salmões nascem no rio, crescem no mar e voltam para desovar; os do Pacífico morrem, os do Atlântico nem sempre

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

Os salmões do gênero Oncorhynchus (real, vermelho, keta, prateado, rosado) nascem em água doce, passam de um a cinco anos no mar e voltam ao rio de origem para desovar. Todos eles morrem depois da desova. O salmão-do-atlântico (Salmo salar) faz a mesma viagem, mas alguns sobrevivem, voltam ao mar e podem desovar de novo. É uma minoria: cerca de 10% dos adultos se reproduzem mais de uma vez.

O retorno ao rio natal depende do olfato. Quando jovens, os salmões gravam o cheiro da água onde nasceram, antes de partir para o mar, e usam essa memória olfativa ao voltar adultos. Peixes que não conheceram a água natal na fase certa tendem mais a se perder e entrar em outros rios. Como a morte é a regra no Pacífico, o corpo dos adultos fica na margem ou no leito. Ursos arrastam muitos para a mata, e o nitrogênio vindo do mar chega a insetos, solo e árvores. Em experimentos no Alasca, abeto-branco adubado com salmão cresceu mais.

Nitrogênio do mar nas folhas de uma árvore

O nitrogênio marinho tem uma assinatura isotópica (mais 15N) diferente da terrestre. Em dois rios da Colúmbia Britânica, insetos da mata abaixo de cachoeiras que barram salmões tinham de 19% a 72% do nitrogênio vindo de salmão, comparados aos de acima.

Morrer depois de desovar

A semelparidade, reproduzir-se uma única vez e morrer, é a regra nos salmões do gênero Oncorhynchus: real, vermelho, keta, prateado, rosado e o salmão-cereja da Ásia. A truta steelhead, parente próxima, pode sobreviver e desovar de novo, o que mostra que o mesmo gênero tem as duas estratégias.

O Atlântico quebra a regra, mas pouco

O salmão-do-atlântico tem iteroparidade, e os adultos pós-desova (kelts) podem voltar ao mar. Só uma minoria consegue: a taxa de reprodutores repetidos fica em torno de 10 a 11%. Muitos kelts chegam sem reservas de energia, então a ideia de que todo salmão morre depois de desovar não vale para ele, embora a sobrevivência seja a exceção.

Como o peixe acha o rio

Antes de ir ao mar, o jovem grava o cheiro da água natal, e essa memória é guardada, ao menos em parte, nas células olfativas do nariz. Ao voltar, o adulto segue o cheiro. Quando o peixe não conhece a água natal na fase certa, a chance de ele entrar em outro rio cresce.

Do mar para a floresta

Como os salmões do Pacífico morrem em massa nos rios, ursos levam carcaças à mata, e o nitrogênio de origem marinha aparece em insetos, solo e árvores. Num experimento de 20 anos no Alasca, abetos-brancos adubados por carcaças cresceram mais rápido. Os números de contribuição do salmão ao nitrogênio das plantas variam muito conforme o local e o método.

Como sabemos

A semelparidade do Pacífico, a rara iteroparidade do Atlântico, a impressão olfativa e o nitrogênio marinho vêm de fontes institucionais e de artigos revisados por pares; só a proporção exata de reprodutores repetidos varia entre estudos.

Fontes

  1. North Pacific Anadromous Fish Commission — Species of Pacific salmon
    consultada em 11/10/2026
  2. Conservation Physiology (PMC) — Nutritional correlates of the overwintering and seaward migratory decisions and long-term survival of post-spawning Atlantic salmon
    consultada em 11/10/2026
  3. NOAA Fisheries — Fish olfaction and homing research
    consultada em 11/10/2026
  4. Proceedings of the National Academy of Sciences (PMC) — Evidence for a peripheral olfactory memory in imprinted salmon
    consultada em 11/10/2026
  5. BMC Ecology (PMC) — Salmon-derived nitrogen in terrestrial invertebrates from coniferous forests of the Pacific Northwest
    consultada em 11/10/2026
  6. University of Washington — Sockeye carcasses tossed on shore over two decades spur tree growth
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos