Astronomia

Ryugu, asteroide de entulho: a Hayabusa2 mediu sua porosidade, abriu uma cratera e trouxe mais de 5 g

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

A Hayabusa2 mediu a densidade média de Ryugu em 1,19 ± 0,02 g/cm³, o que indica mais de 50% de espaço vazio no interior: um amontoado de fragmentos, não uma rocha maciça. A sonda ainda abriu uma cratera artificial de mais de 10 m com um impactor, coletou material em dois pontos, um deles com material da cratera, e entregou à Terra, em 6 de dezembro de 2020, mais de 5 g de pedregulhos e areia.

Ryugu é um asteroide carbonáceo (tipo C) próximo da Terra, visitado pela sonda japonesa Hayabusa2, que chegou lá em 2018. "Pilha de entulho" (rubble pile) é um corpo formado por blocos soltos, mantidos juntos pela própria gravidade, e não por uma rocha única. A prova é indireta: mede-se a massa, o volume e a temperatura da superfície, e se compara com o que uma rocha compacta daria. Este texto trata da missão e da física do corpo. A água das amostras e os compostos orgânicos têm posts próprios, ligados abaixo.

Blocos densos no meio dos porosos

Nem tudo em Ryugu é fofo. As imagens térmicas acharam blocos que esfriam mais de dia, com inércia térmica acima de 600 tiu, o que corresponde a rochas densas, como condritos carbonáceos típicos. Podem vir do interior mais consolidado do corpo de origem ou de fora dele.

Como sabemos que é uma pilha de entulho

Há três pistas independentes. A massa e o volume deram densidade média de 1,19 g/cm³ e porosidade acima de 50%. As imagens térmicas mostraram inércia térmica de cerca de 300 tiu, uma medida de quão devagar a superfície esquenta e esfria: valor baixo sugere material poroso. E há blocos grandes por toda parte. Limite: a porosidade total soma vazios entre blocos e dentro deles, e a rugosidade da superfície também mexe na inércia térmica.

O impactor como experimento

Para ver o que há sob a superfície, a Hayabusa2 usou o SCI e a câmera destacável DCAM3 filmou o resultado. A cratera de mais de 10 m cresceu limitada pela gravidade, e não pela resistência do material: em corpos pequenos e de baixa gravidade, isso mostra que a superfície oferece pouca resistência. O experimento também expôs material do subsolo, que depois foi coletado.

Duas coletas, uma delas ligada à cratera

A segunda coleta, em 11 de julho de 2019, ocorreu onde havia ejecta da cratera artificial, o que permitiu pegar material do subsolo, antes protegido sob a superfície. O que voltou à Terra em 6 de dezembro de 2020 somou mais de 5 g. Para checar se isso é típico de Ryugu, os autores compararam cor, forma e estrutura dos grãos com o que a sonda viu em órbita e no solo, e concluíram que são representativos.

De onde vem a forma de pião

Ryugu pode ter girado antes duas vezes mais rápido, e isso teria deformado o corpo. Simulações de 2020 mostram outra via: a forma de pião sair direto da reacumulação de fragmentos de uma colisão, sem depender só de giro acelerado. As duas ideias não se excluem e os dados atuais não escolhem entre elas. As simulações, além disso, ainda não resolvem os detalhes da topografia.

Como sabemos

Medidas centrais conferidas em resumos de artigos da Science e da Nature e em uma página da JAXA; só o artigo de simulação foi lido por inteiro.

Em debate: Como Ryugu ganhou a forma de pião

Fontes

  1. Science 364:268 — Hayabusa2 arrives at the carbonaceous asteroid 162173 Ryugu: a spinning top-shaped rubble pile
    Watanabe, S. et al. · 2019 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.aav8032
  2. Science 368:67 — An artificial impact on the asteroid (162173) Ryugu formed a crater in the gravity-dominated regime
    Arakawa, M. et al. · 2020 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.aaz1701
  3. Science 375:1011 — Pebbles and sand on asteroid (162173) Ryugu: In situ observation and particles returned to Earth
    Tachibana, S. et al. · 2022 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.abj8624
  4. Nature Communications 11:2655 — Collisional formation of top-shaped asteroids and implications for the origins of Ryugu and Bennu
    Michel, P. et al. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-020-16433-z
  5. Nature 579:518 — Highly porous nature of a primitive asteroid revealed by thermal imaging
    Okada, T. et al. · 2020 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41586-020-2102-6
  6. JAXA, projeto Hayabusa2 — Images from the 2nd touchdown
    Projeto Hayabusa2 · 2019-07-26 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 10; conferência de trechos automatizada)

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