Oceanografia

Rodolitos: bancos de algas vermelhas calcárias que cobrem ao menos 45% da plataforma de Abrolhos

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Rodolitos são nódulos soltos de algas vermelhas calcárias que se acumulam no fundo e formam bancos. Em Abrolhos, um levantamento de 2012 com sonar e veículo remoto estimou 20.902 km² de bancos, ao menos 45% da plataforma. Os autores o descrevem como o maior banco contínuo do mundo e calcularam uma produção de carbonato de cálcio de 0,025 Gt por ano.

Algas vermelhas coralináceas incrustantes formam crostas calcárias. Quando crescem em volta de um núcleo e rolam livres pelo fundo, viram rodolitos, nódulos de 2 a 250 mm de diâmetro médio. Os bancos vivem em geral a menos de 150 m, onde ainda chega luz e o movimento da água é moderado. No Brasil, bancos desse tipo são citados entre 2°N e 27°S. Este texto trata da plataforma funda de Abrolhos; os recifes rasos em forma de cogumelo, com corais, briozoários e algas, têm post próprio. Corais e a pluma do Amazonas ficam em outros textos.

Um núcleo de 8.000 anos não é um nódulo de 8.000 anos

Núcleos de rodolitos de Abrolhos foram datados em cerca de 8.000 anos, logo depois que a plataforma foi inundada. Os autores explicam que são fragmentos antigos recolonizados por algas atuais, não uma alga que cresceu sem parar.

O que é um rodolito e como cresce

Em Abrolhos, seis espécies de algas coralináceas formam os rodolitos, e Lithothamnion crispatum é a mais abundante. Em ensaio no mar, a borda dos nódulos avançou 1 a 1,5 mm por ano, ritmo lento na escala humana. O crescimento foi maior a 20 m do que a 45 m de profundidade. Os nódulos vivos mostram a superfície avermelhada da alga; a parte morta mantém a forma e continua servindo de abrigo.

Como sabemos: sonar, robô e corante

O fundo foi varrido por sonar de varredura lateral em 20 transectos, de 10 a 110 m de profundidade. Áreas planas e muito refletivas foram conferidas por veículo remoto em 52 pontos, todos confirmados como bancos. O crescimento veio de rodolitos tingidos com vermelho de alizarina, que deixa uma marca na alga, recolocados no mar e cortados seis meses depois. A idade dos núcleos veio do carbono-14.

Uma fábrica de carbonato, e o título de maior

A produção estimada de 0,025 Gt de carbonato por ano vem de um cálculo dos autores com densidade, cobertura viva e crescimento anual, e a taxa varia muito de ponto a ponto. O título de maior banco contínuo do mundo é conclusão deles, em 2012, repetida em 2021: depende de poucos mapeamentos de outros países e não é um ranking oficial. Os corais Mussismilia pouco contribuem nas partes fundas, onde os rodolitos dominam.

Vida associada e riscos

Em Abrolhos, 85 de 107 espécies de peixes recifais ocorreram nos bancos; 36 só ali. No Espírito Santo, a macrofauna sobre rodolitos foi 15 vezes mais densa que a do sedimento. A revisão de 2025 diz haver evidência robusta de maior diversidade de invertebrados, mas poucos estudos testaram o mecanismo. Já a projeção de 2012 sobre acidificação é hipótese de modelos antigos, não observação feita em Abrolhos.

Como sabemos

Dados centrais vêm de um levantamento de campo de 2012 e de estudos de 2021 e 2025 lidos na íntegra; a revisão brasileira de 2024 não pôde ser lida.

Fontes

  1. PLoS ONE — Rhodolith beds are major CaCO3 bio-factories in the tropical South West Atlantic
    Amado-Filho, G. M. et al. · 2012 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0035171
  2. Scientific Reports — Tropical rhodolith beds are a major and belittled reef fish habitat
    Moura, R. L. et al. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/s41598-020-80574-w
  3. Biological Reviews — Positive species interactions structure rhodolith bed communities at a global scale
    Bulleri, F. et al. · 2025 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1111/brv.13148
  4. PeerJ — Taxonomic and functional diversity of benthic macrofauna associated with rhodolith beds in SE Brazil
    Stelzer, P. S. et al. · 2021 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.7717/peerj.11903
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 17; conferência de trechos automatizada)

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