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Como o relógio de quartzo mede o tempo: um cristal que vibra 32.768 vezes por segundo

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Ciência do cotidiano

O quartzo serve de cronômetro porque é piezoelétrico: uma tensão elétrica o deforma e, com a tensão invertida, a deformação se inverte. Ligado a um circuito que realimenta o sinal, ele vibra numa frequência fixada pelo corte e pelo tamanho do cristal. Nos relógios de pulso são 32.768 vibrações por segundo, que um divisor reduz a um pulso por segundo. Em testes do NIST, três de quatro relógios baratos cumpriram ±15 s por mês.

Piezoeletricidade é a ligação entre deformação e carga elétrica em certos cristais: apertado, o quartzo gera tensão; recebendo tensão, ele se deforma. Num relógio, o cristal faz o papel do pêndulo. Um circuito eletrônico o excita e capta a vibração, e a frequência dessa vibração é o que marca o tempo. Como 32.768 é 2 elevado a 15, quinze divisões sucessivas por dois chegam a 1 Hz, um pulso por segundo para o motor de passo ou o mostrador. O relógio de quartzo não é atômico: a frequência de referência vem de um cristal, não de transições de um átomo. A exatidão de um cristal comum depende de temperatura, envelhecimento e ajuste de fábrica; por isso a medição do NIST separa dois conceitos, exatidão (quão certo está) e estabilidade (quanto varia).

Cristal de 32.768 Hz, mas relógio melhor

Nos relógios do teste, o cristal sozinho tinha desvio de 5,9 a 10 partes em 100.000 em três dos quatro modelos, cerca de 5 a 9 s por dia. O que levava o erro a menos de 1 s por dia era um truque do circuito: suprimir pulsos do cristal antes do divisor.

Por que o quartzo vibra sob comando elétrico

No quartzo, tetraedros de oxigênio em volta de átomos de silício se torcem quando o cristal é apertado, e esse deslocamento cria dipolos elétricos em cada célula unitária. É o efeito que os irmãos Curie descreveram em 1880. O inverso também vale: com tensão aplicada, o cristal se deforma. Se a tensão alterna na frequência certa, o cristal ressoa. A frequência é fixada pelo corte e pelo tamanho da peça, e um amplificador devolve ao cristal o sinal que ele mesmo gera, mantendo a oscilação.

De 32.768 vibrações a um pulso por segundo

O número 32.768 vem de uma escolha de engenharia: é 2 elevado a 15, e circuitos digitais dividem facilmente a frequência por dois. Quinze divisões levam a 1 Hz, que move o motor de passo ou o mostrador. A indústria adotou os cristais de 32 kHz no início dos anos 1970 por confiabilidade, tamanho pequeno e baixo consumo, segundo o NIST. Muitos relógios ainda corrigem a contagem: suprimem um número programável de pulsos do cristal antes do divisor, a chamada compensação por inibição.

Como sabemos: o teste do NIST com quatro relógios

Michael Lombardi, do NIST, mediu quatro relógios comuns (de US$ 15 a US$ 100, de um modelo de meados dos anos 1980 ao de 2007) com um analisador de relógios por 30 dias ou mais, com leitura a cada minuto. O analisador captava o som, o campo elétrico ou a corrente do cristal e os pulsos do motor, e foi calibrado com um sinal derivado do padrão nacional de frequência. Exatidão (quão perto do valor certo) e estabilidade (quanto varia) foram separadas, esta última pelo desvio de Allan. O limite: são só quatro relógios, medidos em laboratório.

O que limita o quartzo: temperatura e envelhecimento

A frequência do cristal muda com temperatura, umidade, pressão e vibração, e a estabilidade de longo prazo é limitada pelo envelhecimento, segundo o NIST. Mesmo os melhores osciladores de quartzo dificilmente se mantêm a 1 parte em 10 bilhões do valor nominal sem ajuste constante, razão pela qual osciladores atômicos são usados quando se exige estabilidade e exatidão de longo prazo melhores. Num relógio de pulso comum, essa limitação raramente aparece: o erro de poucos segundos por mês cabe na tolerância de quem só acerta a hora de vez em quando.

Como sabemos

Mecanismo e medições apoiados em texto do NIST e em material da Universidade de Cambridge, com trechos literais conferidos; a medição de 2008 usa só quatro relógios.

Fontes

  1. NIST (artigo publicado no Horological Journal, fev. 2008) — The Accuracy and Stability of Quartz Watches
    Lombardi, M. A. · 2008-02 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. National Institute of Standards and Technology (NIST) — Time and Frequency from A to Z, Q to Ra (verbetes Quality Factor e Quartz Oscillator)
    NIST, Time and Frequency Division · 2023 · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. University of Cambridge, Department of Materials Science & Metallurgy — Piezoelectric Materials (DoITPoMS), Introduction
    DoITPoMS, University of Cambridge · 2007 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. University of Cambridge, Department of Materials Science & Metallurgy — Piezoelectric Materials (DoITPoMS), The piezoelectric dipole moment
    DoITPoMS, University of Cambridge · 2007 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. University of Cambridge, Department of Materials Science & Metallurgy — Piezoelectric Materials (DoITPoMS), Atomic basis of non-spontaneously polarised piezoelectrics
    DoITPoMS, University of Cambridge · 2007 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  6. NIST (artigo publicado no Horological Journal, mar. 2010) — How Accurate is a Radio Controlled Clock?
    Lombardi, M. A. · 2010-03 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)

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