Fenômenos naturais
A Terra tem cerca de 44 relâmpagos por segundo, e o lago Maracaibo, na Venezuela, é o ponto que mais os concentra
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Satélites da NASA indicam que ocorrem, em média, cerca de 44 relâmpagos por segundo no planeta, somando os que descem ao solo e os que ficam dentro das nuvens. A estimativa tradicional, de 1925, era de 100 por segundo. A distribuição é muito desigual: com 16 anos de dados de satélite, pesquisadores apontaram o lago Maracaibo, na Venezuela, como o maior ponto de relâmpagos da Terra, com tempestades no mesmo lugar em média 297 dias por ano.
A estimativa de 44 relâmpagos por segundo vem do detector óptico OTD, que operou de 1995 a 2000, e varia ao longo do ano: cerca de 55 por segundo no verão boreal e 35 no verão austral. Os 'pontos quentes' foram mapeados com 16 anos de dados do sensor LIS, a bordo do satélite TRMM, numa resolução muito alta. O primeiro lugar é o Maracaibo, onde o lago de 13.210 km² está cercado pelos Andes, com água quente e úmida o ano todo, e as tempestades têm pico à noite. O segundo é o parque nacional Kahuzi-Biéga, perto de Kabare, na República Democrática do Congo, junto à cordilheira Mitumba. Em outros continentes, os máximos também ficam perto de grandes montanhas, o que mostra o peso do relevo na formação das tempestades.
O farol do Catatumbo
Navegantes do Caribe usavam as tempestades do lago Maracaibo como farol, e o poema La Dragontea (1598), de Lope de Vega, as cita como o que impediu um pirata inglês de atacar Maracaibo. Segundo a NASA, os relâmpagos atingem o lago cerca de 28 vezes por minuto, por até nove horas seguidas.
Quantos por segundo
A primeira estimativa global, de 1925, era de 100 relâmpagos por segundo. Depois vieram observadores, redes de detecção em terra e, por fim, satélites. O detector óptico OTD, em órbita entre 1995 e 2000, deu uma média anual de cerca de 44 por segundo, com máximo de 55 no verão boreal e mínimo de 35 no verão austral. São relâmpagos, não só descargas ao solo: o número inclui os que ficam dentro das nuvens.
O mapa dos pontos quentes
O sensor LIS, a bordo do satélite TRMM, operou de novembro de 1997 até 8 de abril de 2015. Um estudo de 2016 usou 16 anos dos seus dados para mapear a densidade de relâmpagos em alta resolução. O resultado colocou o lago Maracaibo em primeiro lugar, Kahuzi-Biéga, no Congo, em segundo, e destacou o noroeste do Himalaia, perto de Daggar, no Paquistão, como o ponto quente da Ásia.
Por que o Maracaibo
O lago, com água entre 28 e 31 °C, fica entre ramos setentrionais dos Andes e aberto ao golfo da Venezuela. Ventos de montanha, de vale, de lago e de mar convergem sobre essa água quente e úmida, na zona de convergência intertropical. Medições com balões de 2015 mostraram um jato de baixos níveis noturno que leva umidade do Caribe e do lago às montanhas, onde o ar sobe depressa.
A vida em torno das tempestades
Segundo a NASA, o lago sustenta cerca de 20 mil pescadores, muitos em casas sobre palafitas. Pesquisadores trabalham em modelos que prevejam a atividade com meses de antecedência, o que poderia ajudar pescadores e a indústria do petróleo, cuja extração sofre interrupções por causa das tempestades, a planejar suas atividades. As tempestades já serviam de referência a navegantes séculos atrás.
Como sabemos
Números e classificação vêm de artigo científico revisado por pares com dados de satélite da NASA, e o resumo do método está nas fontes; as estimativas globais variam por instrumento e período.
- Estimativa: Dados de satélite do detector OTD indicam uma média global de cerca de 44 relâmpagos por segundo, somando relâmpagos entre nuvem e solo e dentro das nuvens. [1] [2]
Estimativa de satélite de 1995 a 2000; o próprio estudo reporta variação sazonal. - Estimativa: O número varia ao longo do ano, de cerca de 35 por segundo no verão austral a 55 no verão boreal. [2]
- Fato estabelecido: A primeira estimativa global, de 1925 (Brooks), era de 100 relâmpagos por segundo. [2]
- Evidência forte: Com 16 anos de dados do sensor LIS (1998–2013), o lago Maracaibo é o maior ponto de relâmpagos da Terra, com convecção profunda no mesmo lugar em média 297 dias por ano, com pico em setembro. [2]
Classificação com resolução de 0,1 grau a partir do sensor LIS; outros métodos podem dar ordem diferente. - Fato estabelecido: O lago Maracaibo tem 13.210 km², é o maior da América do Sul e fica entre ramos setentrionais dos Andes; a água do lago e do golfo da Venezuela fica entre 28 e 31 °C o ano todo. [2]
- Evidência forte: O segundo maior ponto de relâmpagos é o parque nacional Kahuzi-Biéga, perto de Kabare, na República Democrática do Congo, no lado oeste dos montes Mitumba. [2]
- Fato estabelecido: Navegantes do Caribe usavam as tempestades do Maracaibo como farol, e o poema La Dragontea (1598), de Lope de Vega, as menciona como o que impediu um pirata inglês de atacar Maracaibo. [2]
- Estimativa: Logo depois do anoitecer, os relâmpagos atingem o lago cerca de 28 vezes por minuto por até nove horas. [3]
Taxa citada em matéria da NASA; vale para noites de pico. - Fato estabelecido: O lago sustenta cerca de 20 mil pescadores, muitos em palafitas, e pesquisadores trabalham em modelos para prever a atividade de relâmpagos com meses de antecedência; a extração de petróleo na região sofre interrupções por causa das tempestades. [3]
- Evidência forte: Um jato de baixos níveis noturno leva umidade do Caribe e do lago às montanhas ao sul, onde o ar é forçado a subir rápido, o que ajuda a explicar a constância das tempestades. [3]
Resultado de medições com balões em 2015, segundo a NASA.
Fontes
- NASA Technical Reports Server — Global Lightning Activity
consultada em 04/10/2026 - Bulletin of the American Meteorological Society — Where Are the Lightning Hotspots on Earth?
consultada em 04/10/2026 - NASA Earthdata — The Maracaibo Beacon
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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