Fenômenos naturais

Rastros de avião: por que alguns somem em segundos e outros duram horas e viram cirros

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Rastro de avião, ou contrail, é uma nuvem de cristais de gelo formada quando o vapor do escapamento de um jato esfria e condensa no ar frio de grande altitude. Se o ar em volta é seco, os cristais evaporam em instantes; se está úmido o bastante em relação ao gelo, eles crescem com a água do próprio ar, duram horas e podem se espalhar em cirros.

Jatos queimam querosene e liberam dióxido de carbono, vapor de água e partículas de fuligem. Em altitude de cruzeiro o ar é muito frio, e o escapamento, quente e úmido, mistura-se a ele logo atrás do motor. Se a mistura chega à saturação em relação à água líquida, formam-se gotículas sobre partículas, que congelam. Esse é só o começo: o destino do rastro depende da umidade do ar ao redor. Aqui a umidade conta em relação ao gelo, não à água líquida, e é por isso que o mesmo avião deixa rastro longo num dia e quase nenhum no outro. Como uma nuvem nasce e por que precisa de partículas está em outro artigo desta série.

Um tipo de rastro que vem da asa

O termo "contrail" também descreve os rastros curtos que às vezes aparecem sobre asas ou hélices em dias úmidos. Eles são feitos só de água da atmosfera, que condensa onde a pressão cai localmente com o movimento da asa.

O que precisa acontecer atrás do motor

O rastro aparece quando o escapamento quente e úmido se mistura rapidamente ao ar frio e a pluma ultrapassa a saturação em relação à água líquida. Só então gotículas se formam nas partículas disponíveis e congelam. Das emissões do motor, só o vapor de água é necessário. Mesmo assim, num rastro persistente a maior parte da água vem do ar ao longo da rota, não do motor. É o ar ambiente que decide se o rastro some ou cresce.

Curto ou persistente: o papel do gelo no ar

Se o ar está seco, os cristais evaporam logo e o rastro é curto. Se o ar está supersaturado em gelo, com umidade relativa em relação ao gelo acima de 100%, os cristais seguem crescendo com a água do ambiente. Esses rastros duram de dez minutos a mais de vinte horas, abrem-se por turbulência e diferenças de vento e podem virar cirros que não se distinguem dos naturais. Poucos voos cruzam essas regiões.

Como sabemos: medir a umidade no nível de voo

A física da formação é conhecida há décadas e permite prever se um rastro se forma. O difícil é saber onde o ar está supersaturado em gelo. Petzold e colegas analisaram sete anos de medições de umidade de aviões comerciais instrumentados e viram que, nas rotas do Norte, cerca de 90% das condições para rastros longos caem onde já havia cirro. Por isso o efeito de um rastro novo não é igual ao de um rastro em céu limpo. A medição cobre só as rotas desses aviões.

O que se sabe, e o que não, sobre o clima

Rastros refletem parte da luz solar e retêm radiação de onda longa que sai da Terra. Na estimativa de Lee e colegas, o cirro de rastros contribuiu com 57,4 mW por metro quadrado dos 100,9 mW da aviação em 2018, o maior termo de aquecimento. Esses números têm incerteza grande. Em cirros espessos, o efeito de um rastro pode ser pequeno ou até de resfriamento. Um ensaio com voos comerciais mostrou que ajustar a altitude reduz rastros visíveis em 64%, com cerca de 2% a mais de combustível por voo ajustado.

Como sabemos

A física da formação é bem estabelecida; o efeito climático por rastro é incerto e está tratado como tal.

Fontes

  1. U.S. Environmental Protection Agency — Aircraft Contrails Factsheet (EPA430-F-00-005)
    EPA, FAA, NASA e NOAA · 2000 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. Nature Communications — Most long-lived contrails form within cirrus clouds with uncertain climate impact
    Petzold, A. et al. · 2025 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41467-025-65532-2
  3. Atmospheric Environment — The contribution of global aviation to anthropogenic climate forcing for 2000 to 2018
    Lee, D. S. et al. · 2021 · Revisão ou síntese científica · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1016/j.atmosenv.2020.117834
  4. Communications Engineering (Nature Portfolio) — Feasibility test of per-flight contrail avoidance in commercial aviation
    Sonabend-W, A. et al. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s44172-024-00329-7
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 10; conferência de trechos automatizada)

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos