Fenômenos naturais
Radar meteorológico: pulsos de rádio medem a distância, o tamanho das gotas e o vento da chuva
Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026
O radar meteorológico emite pulsos curtos de ondas de rádio e analisa o eco. O tempo de ida e volta dá a distância da chuva; a potência devolvida (refletividade) indica quanta água há no caminho; a mudança de fase do sinal mostra se ela se aproxima ou se afasta. Ele não mede milímetros de chuva: mede potência, que depende muito do tamanho das gotas.
Radar vem de radio detection and ranging: detecção e medida de distância por rádio. O aparelho transmite um pulso, a água líquida ou o gelo no ar devolvem uma parte minúscula dele, e a antena, que também é o receptor, escuta o eco. Gotas e cristais de gelo são os alvos. Como o feixe é um cone estreito que a antena gira e inclina, o radar varre o céu em círculos e em vários ângulos de elevação, montando um volume tridimensional a cada poucos minutos. As imagens que se veem na televisão e em aplicativos são uma conversão colorida desses ecos, em geral do ângulo mais baixo.
O radar passa quase o tempo todo calado
Em cada hora, o radar WSR-88D transmite por pouco mais de 7 segundos. Nos outros 59 minutos e 53 segundos ele apenas escuta os ecos. A linha giratória das telas de TV é só efeito gráfico.
Pulso, eco e distância
O radar usado nos Estados Unidos é de pulsos: o transmissor liga por 1,57 milionésimo de segundo, cerca de 1.300 vezes por segundo, e depois escuta. O tempo entre a saída do pulso e a chegada do eco dá a distância do alvo. A potência enviada é de 750.000 watts, mas volta só uma fração minúscula, amplificada antes de ser processada. Outros países usam outras frequências e potências; os números aqui são do WSR-88D.
Refletividade: potência devolvida, não chuva
O que a tela mostra em cores é a refletividade, em dBZ, uma escala logarítmica que comprime valores brutos muito diferentes. Em geral, quanto maior, mais forte a precipitação, mas há exceções, porque a potência devolvida cresce com a sexta potência do diâmetro das gotas. Uma gota de 3 mm devolve o mesmo que 729 gotas de 1 mm, embora a chuva das 729 seja mais intensa. Por isso a chuva tropical, de gotas pequenas, pode ser torrencial com 35 a 45 dBZ.
Como sabemos: o vento vem da fase do sinal
O radar guarda a fase do pulso enviado. Se o alvo se move, a fase do eco muda, e a diferença dá a velocidade, como o apito de um trem muda de tom ao passar. Só se mede a parte do movimento ao longo do feixe, a velocidade radial. Onde o vento cruza o feixe em ângulo reto, o valor é zero. Um par vizinho de vento chegando e vento saindo indica rotação, como numa tempestade com tornado.
Limites: altura do feixe, largura e refração
O feixe sobe com a distância e a curvatura da Terra: a 100 milhas (cerca de 160 km), o ângulo mais baixo olha uns 12.000 pés (cerca de 3,7 km) acima do solo, e o feixe chega a mais de 2 milhas de largura. Feições pequenas e baixas, como um gancho de tornado, somem. A refração também muda onde o feixe vai: em ar com densidade anômala ele pode passar por cima de tempestades distantes ou subestimar sua intensidade.
Como sabemos
Mecanismo básico consolidado e descrito em páginas educativas da NOAA lidas por inteiro; os números valem para o radar americano WSR-88D.
- Fato estabelecido: Um radar meteorológico emite pulsos muito breves de ondas de rádio e mede o tempo que cada pulso leva para ir, atingir o alvo e voltar à antena; esse tempo dá a distância. [1] How radar works, §3
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: No modo de pulso curto, cada pulso dura 1,57 milionésimo de segundo e é repetido cerca de 1.300 vezes por segundo; entre um pulso e outro o radar escuta o retorno. [1] How radar works, §6
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O radar transmite um pulso com 750.000 watts de potência, mas recebe de volta apenas uma fração dela, tão fraca que precisa ser amplificada antes de ser processada. [2] Reflectivity, §3
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A refletividade, que é a energia devolvida ao receptor, é o produto mais usado pelos meteorologistas para ver onde há precipitação e tempo severo. [2] Reflectivity, §1
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Como os valores brutos de refletividade variam enormemente conforme o alvo, o radar aplica uma escala logarítmica e expressa o resultado em dBZ, numa faixa de cerca de -35 a +85 dBZ. [2] Reflectivity, §4
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A potência devolvida é proporcional ao diâmetro da gota elevado à sexta potência; por isso uma gota de 3 mm devolve tanto quanto 729 gotas de 1 mm (29 dBZ em ambos os casos), embora a chuva das 729 seja bem mais intensa. [2] Reflectivity, exemplo das duas caixas
Contexto: Exemplo didático da NOAA com um metro cúbico de ar. · Limitações: A conta das caixas (729 x 1^6 = 1 x 3^6 = 729 mm^6/m^3, cerca de 29 dBZ) foi conferida por nós; o fator de intensidade da chuva que a NOAA cita não é reproduzido aqui. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O radar não mede a intensidade da chuva diretamente: mede apenas a potência que volta, e a conversão em chuva depende do tamanho das gotas e do tipo de sistema. [2] Reflectivity, §6
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em sistemas tropicais quentes como o furacão Ida (2021), a chuva torrencial apareceu com refletividade de apenas 35 a 45 dBZ, porque as gotas são menores e quase sem granizo. [2] Reflectivity, legenda do furacão Ida
Contexto: Furacão Ida após chegar à Louisiana, 29 de agosto de 2021. · Limitações: Um caso ilustrativo, não uma regra numérica para todo ciclone. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O efeito Doppler permite medir velocidade: quando o pulso atinge um alvo em movimento, a fase da onda que volta muda, e essa mudança de fase é usada para calcular a velocidade do alvo. [1] How radar works, §4
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O radar só mede a componente do movimento que se aproxima ou se afasta dele (velocidade radial), que é sempre menor ou igual à velocidade real; se o vento cruza o feixe em ângulo reto, a velocidade radial é zero. [3] Velocity, §1
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O radar não detecta o tornado em si, e sim a rotação muito intensa associada a ele, porque o feixe sobe rapidamente acima da superfície. [3] Velocity, tornado vortex signature
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O feixe se alarga com a distância, cerca de 1.000 pés (uns 300 m) a cada 10 milhas (16 km), de modo que a 120 milhas ele tem mais de 2 milhas de largura e feições pequenas deixam de ser resolvidas. [4] Radar beams, Beam Spreading
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Limitações: As conversões para metros e quilômetros são cálculo nosso (1 pé = 0,3048 m; 1 milha = 1,609 km). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Como o feixe é inclinado para cima e a Terra é curva, a 100 milhas do radar o ângulo mais baixo (0,5°) olha uns 12.000 pés acima do chão, e o radar deixa de ver o que acontece perto da superfície. [1] How radar works, §9
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Limitações: 12.000 pés equivalem a cerca de 3,7 km (cálculo nosso). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A atmosfera curva o feixe; quando a densidade cai mais rápido que o normal com a altura (subrefração), o radar pode passar por cima de tempestades distantes ou subestimar sua intensidade. [4] Radar beams, Subrefraction
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Desde 2012 a rede de radares dos EUA tem polarização dupla, que envia o pulso com oscilação horizontal e vertical e ajuda a distinguir chuva, granizo, neve, a linha chuva-neve e pelotas de gelo. [1] How radar works, Dual-Polarization
Contexto: Radar WSR-88D (NEXRAD) do serviço meteorológico dos EUA, descrito pela NOAA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- NOAA National Weather Service (JetStream) — How radar works
NOAA / National Weather Service, JetStream · 2023 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - NOAA National Weather Service (JetStream) — Radar Images: Reflectivity
NOAA / National Weather Service, JetStream · 2023 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - NOAA National Weather Service (JetStream) — Radar Images: Velocity
NOAA / National Weather Service, JetStream · 2023 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - NOAA National Weather Service (JetStream) — Max: Radar Beams
NOAA / National Weather Service, JetStream · 2023 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 13; conferência de trechos automatizada)