Astronomia
Quasares: buracos negros que brilham mais que centenas de galáxias inteiras
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Um quasar é o núcleo de uma galáxia onde um buraco negro supermassivo engole gás tão depressa que o material, ao cair, esquenta e emite uma luz intensa. Segundo a NASA, essa luz equivale a 100 a 1.000 vezes a de uma galáxia com 100 bilhões de estrelas; o Observatório Chandra fala em mil galáxias ou mais. O brilho vem de uma região cerca de um milionésimo do diâmetro da galáxia hospedeira.
O primeiro quasar identificado foi 3C 273. Em 1962, observações de ocultação lunar o ligaram a uma fonte de rádio. Em 1963, o astrônomo holandês Maarten Schmidt percebeu que as linhas do espectro dessa fonte, de aparência estelar, eram padrões conhecidos deslocados por um desvio para o vermelho enorme. A conclusão: o objeto estava a cerca de 2,5 bilhões de anos-luz e brilhava mais que galáxias inteiras. Daí o nome, objetos quase estelares (quasi-stellar objects). Hoje se conhecem milhares. O Hubble mostrou depois que a maioria vive no centro de galáxias luminosas, espirais ou elípticas. O recorde de distância atual é o quasar J0313-1806, visto como era 670 milhões de anos após o Big Bang.
Um quasar que já existia 670 milhões de anos após o Big Bang
O quasar J0313-1806, anunciado em 12 de janeiro de 2021, tem desvio para o vermelho z = 7,64. Seu buraco negro pesa mais de 1,6 bilhão de massas solares, o que desafia os modelos de crescimento tão cedo na história cósmica.
De onde vem a luz
O próprio buraco negro não emite luz. O brilho vem do gás que cai em sua direção: ao espiralar, ele esquenta a milhões de graus e irradia, inclusive em raios X. Segundo o Chandra, a potência depende de dois fatores: a massa do buraco negro central e o ritmo com que ele consome matéria. Quase toda galáxia, inclusive a Via Láctea, tem um buraco negro supermassivo; o quasar é o caso extremo em que o gás chega depressa demais.
O erro de achar que era uma estrela
Nos telescópios ópticos, os quasares apareciam como pontos de luz, sem a mancha de uma galáxia. O espectro de 3C 273 parecia inexplicável até 1963, quando Schmidt viu que eram linhas conhecidas, só que deslocadas. Uma estrela com aquele brilho àquela distância seria impossível: o objeto precisava ser algo muito mais energético, e muito mais longe, do que qualquer estrela comum, e por isso o nome 'quase estelar' ficou.
As galáxias onde moram
Com o Hubble, ficou claro que quasares não são objetos isolados: a maioria fica no núcleo de galáxias luminosas, espirais ou elípticas, de aparência normal a muito perturbada. Colisões e aproximações entre galáxias parecem ajudar a ligar um quasar, mas cerca de metade dos estudados em meados dos anos 1990 não mostrava sinal de perturbação, de modo que outros mecanismos também atuam.
Faróis do universo jovem
Por brilharem tanto, quasares são visíveis a cerca de 12 bilhões de anos-luz e servem de sondas do universo antigo. O mais distante conhecido, J0313-1806, já tinha um buraco negro de mais de 1,6 bilhão de massas solares 670 milhões de anos após o Big Bang, o que desafia os modelos de como buracos negros crescem tão depressa. A galáxia hospedeira forma estrelas 200 vezes mais depressa que a Via Láctea.
Como sabemos
Fatos centrais confirmados em quatro fontes institucionais, mas detalhes históricos de 1963 (data exata, valor do desvio) não foram lidos em fonte primária.
- Fato estabelecido: Quasares emitem tanta energia por segundo quanto mil ou mais galáxias, a partir de uma região com cerca de um milionésimo do diâmetro da galáxia hospedeira. [4]
- Consenso científico: A potência de um quasar depende da massa do buraco negro supermassivo central e da rapidez com que ele consome matéria; o gás que cai esquenta a milhões de graus e emite raios X. [4]
- Fato estabelecido: Segundo a NASA, quasares produzem 100 a 1.000 vezes mais luz que galáxias com 100 bilhões de estrelas. [2]
- Fato estabelecido: Em 1962, observações de ocultação lunar identificaram 3C 273 como fonte de rádio; em 1963, Maarten Schmidt reconheceu que seu espectro mostrava linhas conhecidas fortemente deslocadas para o vermelho. [3]
- Estimativa: 3C 273 está a cerca de 2,5 bilhões de anos-luz e era então o quasar mais próximo conhecido. [3]
Distância citada da página do Rutgers; estimativas de distância mudam com os parâmetros cosmológicos adotados. - Fato estabelecido: O nome vem de 'quasi-stellar objects' (objetos quase estelares), pois a imagem parecia a de uma estrela; hoje se conhecem milhares. [3]
- Evidência forte: O Hubble mostrou que a maioria dos quasares fica no centro de galáxias luminosas, espirais e elípticas, de normais a muito perturbadas. [2]
- Evidência forte: Colisões e aproximações entre galáxias podem ajudar a 'acender' um quasar, mas cerca de metade dos quasares estudados não parecia perturbada. [2]
Amostra de cerca de 20 quasares, observados por duas equipes com a WFPC2. - Fato estabelecido: O quasar J0313-1806 tem z = 7,64 e é visto como era 670 milhões de anos após o Big Bang; é o mais distante conhecido segundo o Observatório Keck. [1]
- Estimativa: O buraco negro de J0313-1806 tem mais de 1,6 bilhão de massas solares, e o quasar brilha cerca de 1.000 vezes mais que a Via Láctea. [1]
Massa estimada por espectroscopia, com incerteza. - Fato estabelecido: J0313-1806 tem um vento de alta velocidade a 20% da velocidade da luz; a descoberta, liderada por Feige Wang (Universidade do Arizona), foi anunciada em 12 de janeiro de 2021. [1]
- Fato estabelecido: Alguns quasares são visíveis a cerca de 12 bilhões de anos-luz. [4]
Fontes
- W. M. Keck Observatory — J0313-1806: The Earliest Known Quasar
consultada em 06/10/2026 - NASA / Hubble — Hubble Surveys the Homes of Quasars
consultada em 06/10/2026 - Rutgers University, Departamento de Física — The Discovery of the Quasars (3C 273)
consultada em 06/10/2026 - Chandra X-ray Observatory (Harvard-Smithsonian CfA / NASA) — Chandra Field Guide: Quasars
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão