Biologia

Quantas espécies o Brasil tem? 125.138 animais válidos (2024) e 32.109 plantas com semente (2015)

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

O Brasil não tem um censo de espécies: o número vem de catálogos mantidos por especialistas, que só contam o que já foi descrito, nomeado e aceito. O catálogo de fauna listava 125.138 espécies animais válidas em 1º de janeiro de 2024, e a lista de plantas com semente tinha 32.109 espécies nativas em 2015. Esses totais sobem com novas descrições e podem cair quando nomes são reunidos.

Uma espécie 'válida' ou 'aceita' é um nome científico que especialistas reconhecem como o correto para um tipo de organismo; sinônimos são nomes que o mesmo grupo de especialistas reuniu sob um nome só. Contar espécies é, portanto, contar nomes aceitos em uma lista. No Brasil, essa lista é mantida em duas frentes: o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil, para animais, e a Flora e Funga do Brasil, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, para plantas, algas e fungos. Em ambos, taxonomistas (especialistas que descrevem e classificam espécies) cuidam de cada grupo e os dados ficam abertos online. O total muda por três motivos: espécies novas são descritas, registros antigos são recuperados e nomes são sinonimizados ou corrigidos.

Mais nomes novos do que espécies novas

Entre 2010 e 2014 foram publicados 1.191 nomes novos de angiospermas para o Brasil, mas a lista de plantas com semente ganhou 921 espécies em cinco anos. Parte dos nomes novos virou sinônimo na checagem dos especialistas.

Quem conta e com que critério

Não há um levantamento único. O Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil, aberto ao público em 21 de dezembro de 2015, tem hoje mais de 800 especialistas, organizados em coordenadores de grandes grupos e subcoordenadores de grupos menores. Um nome entra, de preferência, quando há exemplar-tipo de localidade brasileira ou dado de literatura e coleções. Para as plantas, mais de 430 especialistas checaram nomes online na lista de 2015; a fase seguinte, Flora do Brasil 2020, reuniu mais de 900 taxonomistas.

Como sabemos o que o número mede

O número mede nomes aceitos por especialistas, não a vida que existe. O catálogo de fauna distingue 133.691 espécies nominais de 125.138 válidas, e a lista de plantas separa nomes aceitos, sinônimos e nomes sem posição definida: em 2015, mais de 95,5% dos nomes de angiospermas tinham sido checados. Isso dá rastreabilidade, porque cada espécie contada tem um nome revisado, e dá limite: um grupo sem especialista ativo fica subcontado.

Por que os números mudam

Há três forças. Descrições novas somam: o ritmo de descrição de plantas passou de cerca de 178 para cerca de 253 espécies por ano entre os períodos 2004–2009 e 2010–2014. Recuperar registros somam sem que nada seja descoberto: o catálogo de fauna atribui parte do aumento ao resgate de registros da literatura. E a sinonimização subtrai: nomes reunidos e espécies citadas mas nunca localizadas no país saem da conta. Por isso 1.191 nomes novos de angiospermas viraram um ganho líquido de 921 espécies, e o endemismo de samambaias caiu de 38,2% para 36,7% quando a lista melhorou.

O que ainda falta, e quanto vale 'o mais biodiverso'

Os autores do catálogo de fauna avaliam que o conhecimento do país ainda é limitado, exceto para a maioria dos cordados, e que o esforço de descrição é muito desigual entre grupos e regiões. Nenhuma das fontes lidas dá um total esperado de animais brasileiros, então não se pode dizer que fração já foi nomeada. Sobre o ranking: Zappi e colegas escrevem que a lista de plantas de 2010 superava a de qualquer outro país; é uma comparação de listas feita pelos autores, não uma medida de biodiversidade real.

Como sabemos

Os números de fauna e flora vêm de artigos lidos por inteiro, mas são de datas diferentes (2024 e 2015) e o site oficial das duas listas não pôde ser lido.

Fontes

  1. Zoologia (Sociedade Brasileira de Zoologia), via SciELO — Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil: setting the baseline knowledge on the animal diversity in Brazil
    Boeger, W. A.; Valim, M. P.; Zaher, H.; Rafael, J. A. et al. (Brazilian Zoology Group) · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1590/s1984-4689.v41.e24005
  2. Rodriguésia (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro), via SciELO — Growing knowledge: an overview of Seed Plant diversity in Brazil
    Zappi, D. C.; Filardi, F. L. R.; Leitman, P. et al. · 2015 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1590/2175-7860201566411
  3. Rodriguésia (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro), via SciELO — Diversity of ferns and lycophytes in Brazil
    Prado, J.; Sylvestre, L. S.; Labiak, P. H.; Windisch, P. G. et al. · 2015 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1590/2175-7860201566410
  4. Rodriguésia (Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro), via SciELO — Update of the Brazilian floristic list of Algae and Cyanobacteria
    Menezes, M.; Bicudo, C. E. M.; Moura, C. W. N.; Alves, A. M. et al. · 2015 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1590/2175-7860201566408
  5. GBIF, publicado pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro — Flora e Funga do Brasil - Lista Oficial (conjunto de dados no GBIF)
    Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro · 2026 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.15468/1mtkaw
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 20; conferência de trechos automatizada)

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