Astronomia
Pulsares: o farol cósmico que uma estudante de doutorado achou num rabisco de papel em 1967
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Em 28 de novembro de 1967, a estudante Jocelyn Bell, em Cambridge, confirmou um sinal de rádio que se repetia a cada 1,337 segundo, com precisão de relógio. Era o primeiro pulsar. O ritmo era tão regular que o grupo brincou com a sigla LGM, de "Little Green Men". Hoje se sabe que pulsares são estrelas de nêutrons em rotação, cujos feixes de radiação varrem o espaço como um farol.
Bell fazia doutorado com Antony Hewish e usava o Interplanetary Scintillation Array, no Mullard Radio Astronomy Observatory, perto de Cambridge, que operava em 81,5 MHz. O resultado saía em longos rolos de papel de um registrador. Em agosto de 1967 o aparelho já tinha gravado um traço estranho, que ela chamou de "scruff". Ao reencontrá-lo, com um registro mais rápido, o traço virou uma série de pulsos. Em dezembro de 1967 apareceu um segundo pulsar, e o artigo saiu na Nature em fevereiro de 1968. Hoje a NASA conta mais de 3.000 pulsares conhecidos.
O pulsar mais rápido dá 716 voltas por segundo
O pulsar de rotação mais rápida conhecido gira 716 vezes por segundo, segundo a NASA. O da Nebulosa do Caranguejo dá quase 30 voltas por segundo, e o pulsar Vela, cerca de um terço disso. Os mais lentos levam quase 6,7 horas para uma volta.
O que é um pulsar
Pulsar é uma estrela de nêutrons que gira e emite feixes de radiação a partir das proximidades de seus polos magnéticos. Quando o feixe cruza a direção da Terra, os radiotelescópios registram um pulso. Entre um pulso e outro, o sinal diminui, como a luz de um farol. É por isso que o ritmo é tão regular: ele acompanha a rotação da estrela.
Como nasce
Estrelas de 8 a 20 massas solares colapsam ao esgotar o combustível. Se o núcleo restante tiver entre 1,2 e 3 massas solares, prótons e elétrons se comprimem em nêutrons e a estrela se estabiliza. A rotação é rápida pela conservação do momento angular, como numa patinadora que fecha os braços, e o campo magnético fica trilhões de vezes mais forte que o da Terra.
Um sinal que parecia artificial
O sinal apareceu no papel do registrador como um "scruff", um rabisco fora do padrão. Sua regularidade parecia artificial, e por isso o grupo o apelidou de LGM-1. A descoberta de um segundo pulsar, em dezembro de 1967, mostrou que não era um caso único, e o artigo na Nature saiu em fevereiro de 1968, com Hewish à frente da lista de autores.
Pulsares de milissegundos
Em sistemas binários, um pulsar pode puxar matéria da companheira e ser acelerado ao longo de milhões de anos. É assim que se chega a rotações de centenas de voltas por segundo, com recorde de 716. Segundo a NASA, esses pulsares de rotação muito rápida já são metade do catálogo de pulsares vistos em raios gama pelo telescópio Fermi.
Como sabemos
Fatos centrais confirmados em fontes abertas (arXiv e NASA); detalhes do Nobel dependem de fonte que não pôde ser aberta.
Em debate: Reconhecimento no Nobel de 1974
- Fato estabelecido: Jocelyn Bell, estudante de doutorado, fez a detecção inicial do primeiro pulsar em Cambridge. [1] [2]
- Fato estabelecido: A observação de descoberta é datada de 28 de novembro de 1967, com gravação anterior em agosto de 1967. [1]
- Fato estabelecido: O instrumento era o Interplanetary Scintillation Array, do Mullard Radio Astronomy Observatory, operando em 81,5 MHz. [1]
- Fato estabelecido: O período do sinal era de 1,337 segundo. [1]
- Fato estabelecido: O sinal apareceu no papel do registrador como "scruff" e recebeu o apelido LGM-1 (Little Green Men) pela regularidade aparentemente artificial. [1] [2]
- Fato estabelecido: Um segundo pulsar foi descoberto em dezembro de 1967 e o artigo na Nature saiu em fevereiro de 1968. [1]
- Fato estabelecido: O Nobel de Física de 1974 pela descoberta dos pulsares foi dividido por Antony Hewish, e Bell não esteve entre os premiados. [1]
A fonte registra o prêmio a Hewish e a discussão histórica sobre o papel de Bell; a lista completa dos premiados não foi aberta no site do Nobel (bloqueado). - Fato estabelecido: Pulsares são estrelas de nêutrons em rotação rápida, remanescentes de estrelas massivas, com campos magnéticos trilhões de vezes mais fortes que o da Terra. [2]
- Consenso científico: Feixes de radiação saem das proximidades dos polos magnéticos; a rotação os varre pelo espaço como um farol. [2] [3]
- Consenso científico: Estrelas massivas de 8 a 20 massas solares, ao esgotar o combustível, colapsam; um núcleo de 1,2 a 3 massas solares estabiliza como estrela de nêutrons. [2]
- Fato estabelecido: Há mais de 3.000 pulsares conhecidos; o Fermi cita cerca de 3.400. [2] [3]
A contagem muda com novas descobertas. - Fato estabelecido: O pulsar mais rápido conhecido gira 716 vezes por segundo; o da Nebulosa do Caranguejo, quase 30; os mais lentos levam quase 6,7 horas por volta. [2] [3]
- Consenso científico: Em sistemas binários, um pulsar pode puxar matéria da companheira e ser acelerado ao longo de milhões de anos. [3]
Fontes
- arXiv — The SETI Episode in the 1967 Discovery of Pulsars
consultada em 06/10/2026 - NASA Science — Pulsars (Hubble)
consultada em 06/10/2026 - NASA Science — NASA's Fermi Mission Nets 300 Gamma-Ray Pulsars... and Counting
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão