Física

Pulsar de Hulse e Taylor: a órbita que encolhe e a prova indireta das ondas gravitacionais

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Estrelas

Em 1974, Hulse e Taylor descobriram em Arecibo um pulsar que orbita outra estrela de nêutrons em menos de oito horas. Medindo o período orbital por décadas, viu-se que ele diminui cerca de 75 milionésimos de segundo por ano, no ritmo que a relatividade geral prevê para a perda de energia em ondas gravitacionais: a razão entre o medido e o previsto é 0,9983 ± 0,0016. É uma prova indireta: nenhuma onda foi captada desse sistema.

Um pulsar é uma estrela de nêutrons que gira e lança um feixe de ondas de rádio; o intervalo entre os pulsos funciona como um relógio de grande precisão. No PSR B1913+16, o primeiro pulsar binário descoberto, esse relógio orbita outro astro: o período aparente dos pulsos varia por efeito Doppler, e dessa variação se deduz a órbita. A relatividade geral prevê que corpos em órbita irradiem ondas gravitacionais, perdendo energia, e que a órbita encolha. Nesse par, duas estrelas de nêutrons de massa próxima à do Sol giram a uma distância de poucas vezes a da Lua à Terra, o que torna o efeito mensurável. A descoberta dos pulsares e os pulsares de milissegundo têm posts próprios.

Mais rápido que Mercúrio

O periastro, ponto da órbita em que as duas estrelas ficam mais próximas, gira cerca de 4 graus por ano. O periélio de Mercúrio avança 43 segundos de arco por século. Por isso esse par virou um laboratório da relatividade fora do Sistema Solar.

Um relógio que orbita e entrega a órbita

Os pulsos chegam à Terra com o intervalo esticado ou encolhido pelo movimento orbital, o efeito Doppler. Seguindo essa variação por anos, a equipe de Arecibo obteve a velocidade, o período e a forma da órbita, que tem menos de oito horas e é bem excêntrica. Os dois astros são estrelas de nêutrons de cerca de 1,4 massa solar cada uma.

Pesar as estrelas e prever o encolhimento

O avanço do periastro e um atraso de relógio, ambos relativísticos, deixam só as duas massas como incógnitas, e o ajuste dá 1,438 e 1,390 massa solar. Com elas, o ritmo de perda de energia por ondas gravitacionais fica determinado, sem parâmetro livre para ajustar. A previsão sai dos mesmos tempos de chegada, e a conta só vale se a relatividade geral descrever bem o sistema.

Do primeiro relato à razão de 0,9983

O encurtamento foi relatado em 1978, e em 1993 já concordava com a teoria em cerca de meio por cento. A análise de 2010 chegou a 0,997 ± 0,002, uma diferença de 1,8 sigma em relação à relatividade; a de 2016, com parâmetros galácticos novos, a 0,9983 ± 0,0016. Segundo o artigo, a melhora veio sobretudo dos novos parâmetros galácticos, usados na correção do decaimento.

O que a prova indireta não é

Ninguém captou ondas desse par. O que se mediu foi a perda de energia orbital, e a interpretação como radiação gravitacional vem da relatividade geral. Pulsares com anã branca de companheira já restringem teorias alternativas melhor que este. A detecção direta, com o LIGO, é outro método e foi premiada em 2017.

Como sabemos

Os números centrais vêm do artigo de 2016 lido por inteiro e do comunicado do Nobel de 1993, com dois estudos independentes de análise e uma prova declarada como indireta.

Fontes

  1. The Astrophysical Journal (preprint arXiv) — Relativistic Measurements from Timing the Binary Pulsar PSR B1913+16
    Weisberg, J. M.; Huang, Y. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. Royal Swedish Academy of Sciences / NobelPrize.org — Press release: The 1993 Nobel Prize in Physics
    Royal Swedish Academy of Sciences · 1993-10-13 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. Nobel Foundation / NobelPrize.org — The Nobel Prize in Physics 1993
    Nobel Prize Outreach · 1993 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. Nobel Foundation / NobelPrize.org — The Nobel Prize in Physics 2017
    Nobel Prize Outreach · 2017 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. The Astrophysical Journal (preprint arXiv) — Timing Measurements of the Relativistic Binary Pulsar PSR B1913+16
    Weisberg, J. M.; Nice, D. J.; Taylor, J. H. · 2010 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 13; conferência de trechos automatizada)

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