Biologia

Prochlorococcus: a célula fotossintetizante mais abundante do mar, descrita em 1988

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Prochlorococcus é uma cianobactéria marinha com 0,5 a 0,7 micrômetro de diâmetro, a menor fotossintetizante conhecida. Estima-se que existam cerca de 2,9 × 10^27 células no oceano, e ela só foi descrita formalmente em 1988. Uma das razões do atraso: sem análise de fluorescência, o microscópio óptico não a distingue de pequenas bactérias que não fazem fotossíntese.

A maior parte da fotossíntese oceânica é feita por organismos que ninguém enxerga a olho nu. Prochlorococcus vive sobretudo entre 40°S e 40°N, da superfície até cerca de 200 metros em águas estratificadas, e em geral não aparece onde a superfície está abaixo de 10 °C. Nos mares tropicais pobres em nutrientes passa de 100 mil células por mililitro. A descrição formal veio em 1988, com o grupo de Sallie Chisholm, e dependeu de um instrumento que conta células uma a uma pela fluorescência: o citômetro de fluxo. Seu pigmento, a clorofila divinil, é exclusivo do gênero e dá a fluorescência vermelha usada na detecção.

Um genoma enxuto

O genoma de Prochlorococcus tem cerca de 1,9 a 2,0 milhões de pares de bases, o menor entre os procariotos que produzem oxigênio. Mesmo assim, o gênero se divide em linhagens adaptadas a níveis diferentes de luz.

Pequena demais para o método antigo

Com 0,5 a 0,7 µm, Prochlorococcus tem tamanho próximo ao de bactérias comuns do mar. Num microscópio óptico, sem análise de fluorescência, não há como separá-la das que não fazem fotossíntese. Por isso uma célula tão numerosa passou despercebida por décadas de estudos do plâncton.

O papel do citômetro de fluxo

O instrumento foi criado para contar e classificar células. Aplicado à água do mar, ele registrou uma população de células muito pequenas, com fluorescência vermelha. Essa população, em geral, aparecia em abundância na zona iluminada do oceano. A descrição formal foi publicada em 1988 por Chisholm e colaboradores.

Onde ela vive e onde não vive

O gênero domina águas quentes e pobres em nutrientes, entre 40°S e 40°N. Em águas com superfície abaixo de 10 °C costuma faltar. Em geral Prochlorococcus é cerca de uma ordem de grandeza mais numerosa que Synechococcus e chega a mais de 100 metros além em profundidade.

Um futuro mais quente, mais células

Modelos de nicho que usam temperatura e luz projetam aumento de 29% na abundância global de Prochlorococcus até o fim do século 21. O efeito não seria uniforme: algumas regiões ganham, outras perdem. É projeção de modelo, não observação, e depende dos cenários de aquecimento adotados.

Como sabemos

Números centrais conferidos em revisão de 1999, estudo global de 2013 e artigo sobre ecótipos; estimativas marcadas como tal.

Fontes

  1. Microbiology and Molecular Biology Reviews (ASM) — Prochlorococcus, a Marine Photosynthetic Prokaryote of Global Significance
    consultada em 05/10/2026
  2. PNAS / MIT DSpace — Present and future global distributions of the marine Cyanobacteria Prochlorococcus and Synechococcus
    consultada em 05/10/2026
  3. Applied and Environmental Microbiology (ASM) — Prochlorococcus Ecotype Abundances in the North Atlantic Ocean As Revealed by an Improved Quantitative PCR Method
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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