Evolução
Como sabemos como eram as primeiras florestas: os troncos de Gilboa e as raízes de Archaeopteris, no Devoniano
Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026
Assuntos: Plantas em ação
Os tocos de Gilboa (Nova York), de meados do Devoniano, eram citados como a floresta mais antiga, mas a parte aérea da planta era desconhecida até 2007, quando exemplares mostraram uma árvore com aspecto de samambaia, de pelo menos 8 m. Mapas de raízes (2012) e o sítio de Cairo (2020) completaram o quadro: raízes de penetração limitada em Gilboa e raízes extensas do grupo de Archaeopteris em Cairo.
Meados do Devoniano é a faixa de 393 a 383 milhões de anos atrás usada por Stein e colegas em 2020. Em Gilboa, os tocos são moldes de arenito da base de troncos, chamados Eospermatopteris, achados em posição de vida, isto é, onde a planta cresceu. Cladoxylopsida é um grupo extinto de plantas vasculares com porte de árvore; Archaeopteris pertence às lignófitas, grupo com madeira e provável parentesco com as plantas de semente. Um paleossolo é um solo fóssil, onde as raízes ficam preservadas onde estavam. Fósseis mostram forma e posição, não medem CO2 nem clima: essas ligações são inferidas, e o texto separa uma coisa da outra.
Um tronco sem raiz principal
Na reconstrução de 2007, a base do tronco de Eospermatopteris era plana, com muitas raízes pequenas de ancoragem, em vez de uma raiz profunda. A árvore tinha pelo menos 8 m e, segundo os autores, copa em módulos que se soltavam como frondes.
A copa que faltava: a descoberta de 2007
Os tocos de Gilboa foram achados nos anos 1870 e viraram o exemplo clássico de floresta mais antiga, mas a parte aérea da planta era desconhecida. Em 2007, Stein e colegas relataram exemplares de Schoharie County com a copa inteira presa ao tronco e à base. A ligação física entre as partes é o que permite dizer que são o mesmo organismo, sem depender de semelhança. O resultado foi uma planta de pelo menos 8 m, parecida com uma samambaia arborescente.
O chão da floresta: o mapa de 2012
Em 2010, a retirada do entulho da pedreira de Gilboa deixou mapear 1.200 m². Havia raízes de muitos Eospermatopteris em posição de vida, em um grupo de idades diferentes. Entre eles passavam rizomas lenhosos de outro grupo, os progimnospermas aneurofitaleanos, o mais antigo grupo fóssil com câmbio vascular bifacial, que produz madeira. O horizonte de raízes é um lamito arenoso, com penetração limitada.
Cairo e as raízes do grupo de Archaeopteris (2020)
Em Cairo, também em Nova York, um paleossolo preserva Eospermatopteris e raízes muito extensas atribuídas às lignófitas, grupo que inclui Archaeopteris. Os autores veem nelas um sistema avançado, comparável ao das plantas de semente atuais, num ambiente periodicamente mais seco que o de Gilboa. Segundo eles, é a floresta mais antiga já identificada no mundo, do Givetiano médio.
E o solo e o CO2? O que se mediu e o que é hipótese
Os artigos de Stein descrevem plantas e raízes; o efeito sobre o CO2 aparece como consequência potencial, não como medida nos fósseis. Um experimento de 2015 com hepáticas mostrou que plantas pequenas com fungos aceleram o intemperismo, mas, por terem raízes rasas, o efeito total seria pelo menos 10 vezes menor que o de árvores. Isso sugere que as florestas pesaram mais, por inferência.
Como sabemos
Os achados de campo vêm de três artigos lidos só no resumo; a ligação com solos e CO2 é inferência apoiada em experimento com plantas atuais.
- Fato estabelecido: Os tocos de Gilboa, em Nova York, de fim do Devoniano Médio, são moldes de arenito de bases de troncos em posição de vida, nomeados Eospermatopteris e muito citados como a floresta mais antiga da Terra. [1] Resumo [2] Resumo
Contexto: Gilboa, Condado de Schoharie, Nova York. O sítio da Riverside Quarry foi descoberto nos anos 1920, segundo f2; os primeiros tocos, nos anos 1870, segundo f1. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em 2007, exemplares de Schoharie County mostraram uma copa intacta de Wattieza ligada ao tronco e à base de Eospermatopteris, ou seja, as duas peças são partes da mesma planta. [1] Resumo
Contexto: Condado de Schoharie, Nova York; antes disso a parte aérea era desconhecida, segundo os autores. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: A planta reconstruída em 2007 era uma árvore com aspecto de samambaia, de pelo menos 8 m, com ramos grandes dispostos em fileiras ao longo do tronco. [1] Resumo
Contexto: Reconstrução de Stein e colegas (2007) a partir dos espécimes de Schoharie County. · Limitações: É uma reconstrução a partir de exemplares fósseis, não uma árvore preservada inteira. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: A base do tronco era plana, com muitas raízes pequenas de ancoragem, e a parte baixa do tronco tinha as fitas de carbono em sentido longitudinal típicas de Eospermatopteris. [1] Resumo
Contexto: Eospermatopteris/Wattieza, Gilboa. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Hipótese: Pela construção modular, os autores de 2007 julgam provável que essas plantas produzissem muita serapilheira, o que indicaria potencial de acúmulo de carbono em terra e de uma fauna de artrópodes baseada em detritos já no Devoniano Médio. [1] Resumo
Contexto: Inferência a partir da morfologia modular da planta, não medida diretamente. · Limitações: Palavra dos autores: "probably" (provavelmente). · Hipótese dos autores, baseada na construção em módulos; não é medição de carbono. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em 2010, a remoção do entulho da pedreira de Gilboa permitiu mapear 1.200 m² com muitas raízes de Eospermatopteris em posição de vida, em um grupo de árvores de idades diferentes. [2] Resumo
Contexto: Riverside Quarry, Gilboa, Nova York. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: Entre os Eospermatopteris passavam rizomas lenhosos de progimnospermas aneurofitaleanos, o mais antigo grupo fóssil com madeira produzida por um câmbio vascular bifacial, de modo que a floresta de Gilboa era mista. [2] Resumo
Contexto: Gilboa; o superlativo é dos autores de 2012 e vale para o registro fóssil conhecido naquela data. · Limitações: "Mais antigo" depende do registro fóssil conhecido. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: O horizonte de raízes de Gilboa é um lamito arenoso cinza-escuro com penetração limitada de raízes, em planície costeira alagada; a floresta provavelmente durou pouco e sofria perturbações periódicas. [2] Resumo
Contexto: Gilboa, Riverside Quarry. · Limitações: A duração limitada é inferência ("probably") dos autores. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: Em 2020, Stein e colegas relataram, em um paleossolo da região de Catskill, perto de Cairo (Nova York), evidência da floresta mais antiga identificada no mundo até então, do Givetiano médio, em meados do Devoniano (393–383 milhões de anos). [3] Resumo
Contexto: Atribuição e data: artigo de Stein et al. publicado em dezembro de 2019 (online) e fevereiro de 2020 (volume 30). · Limitações: "Mais antiga" vale para as florestas identificadas até o artigo; novas descobertas podem mudar isso. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: Em Cairo também há Eospermatopteris, como em Gilboa, mas o ambiente parece ter sido periodicamente mais seco. [3] Resumo
Contexto: Cairo, Nova York, paleossolo. · Limitações: "Appears": interpretação do ambiente a partir do solo fóssil. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: Em Cairo há sistemas de raízes muito extensos atribuídos ao grupo de lignófitas que inclui Archaeopteris, e os autores concluem que esse sistema de raízes era avançado, comparável ao das plantas de semente atuais. [3] Resumo
Contexto: Paleossolo de Cairo, Nova York; atribuição das raízes ao grupo de Archaeopteris feita pelos autores. · Limitações: A atribuição é a nível do grupo (lignófitas), não de uma espécie com raiz ligada à copa. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Interpretação: Para os autores de 2020, o grupo de Archaeopteris parece ter tido um papel ecológico único, com uso de energia e recursos muito ampliado e influência global maior do que o esperado só pelo tamanho das árvores ou pela profundidade das raízes. [3] Resumo
Contexto: Interpretação dos autores a partir da anatomia das raízes. · Limitações: Palavra dos autores: "suggests" (sugere). · Interpretação, não medição do efeito global. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Hipótese: Segundo Stein e colegas (2012), a origem das árvores no Devoniano Médio sinaliza mudança maior nos ecossistemas terrestres, com consequências potenciais de longo prazo, como mais intemperismo e queda do CO2 atmosférico; eles dizem que se sabe pouco sobre a ecologia das primeiras florestas. [2] Resumo
Contexto: Contexto do artigo de 2012; consequências listadas como potenciais. · Limitações: Palavra dos autores: "potential" (potenciais). O artigo descreve plantas e raízes; não mede CO2. · Ligação com o CO2 é proposta, não medida nos fósseis do artigo. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: Em experimento de 12 meses, hepáticas com fungos micorrízicos arbusculares amplificaram o intemperismo do cálcio de grãos de basalto de 3 a 7 vezes em relação a controles sem plantas. [4] Resumo
Contexto: Hepáticas atuais (linhagem de plantas terrestres iniciais) em câmaras de crescimento, com CO2 de 1200, 450 e 200 ppm; basalto moderno, não solo devoniano. · Limitações: Experimento com hepáticas vivas hoje, análogas, não com as plantas do Devoniano. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Pelo cálculo de Quirk e colegas (2015), plantas iniciais de ancoragem rasa (0,1 m) teriam efeito total sobre o intemperismo pelo menos 10 vezes menor que o de árvores com raízes e micélio até 0,75 m, o que é compatível com um papel maior das florestas depois. [4] Resumo
Contexto: Cálculo dos autores, integrando taxas de grão sobre profundidades de 0,1 m (hepáticas) e 0,75 m (árvores). · Limitações: Estimativa ("probably") baseada em hepáticas atuais e em profundidade típica de árvores atuais; não mede florestas devonianas. Comparação feita pelos autores, não por nós. · Estimativa dos autores; sustenta o papel das florestas por inferência. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Nature — Giant cladoxylopsid trees resolve the enigma of the Earth's earliest forest stumps at Gilboa
Stein, W. E.; Mannolini, F.; Hernick, L. V.; Landing, E.; Berry, C. M. · 2007-04-19 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/nature05705 - Nature — Surprisingly complex community discovered in the mid-Devonian fossil forest at Gilboa
Stein, W. E.; Berry, C. M.; Hernick, L. V.; Mannolini, F. · 2012-02-29 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/nature10819 - Current Biology — Mid-Devonian Archaeopteris Roots Signal Revolutionary Change in Earliest Fossil Forests
Stein, W. E.; Berry, C. M.; Morris, J. L.; Hernick, L. V.; Mannolini, F.; Ver Straeten, C.; Landing, E.; Marshall, J. E. A.; Wellman, C. H.; Beerling, D. J.; Leake, J. R. · 2020-02-03 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1016/j.cub.2019.11.067 - Proceedings of the Royal Society B (Universidade de Sheffield) — Constraining the role of early land plants in Palaeozoic weathering and global cooling
Quirk, J.; Leake, J. R.; Johnson, D. A.; Taylor, L. L.; Saccone, L.; Beerling, D. J. · 2015-08-22 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1098/rspb.2015.1115
Histórico de alterações
- Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 18; conferência de trechos automatizada)