História do Brasil
Portinari pintou para a ONU os painéis Guerra e Paz, mas não esteve na inauguração, em 1957
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Cândido Portinari trabalhou de 1952 a 1956 nos painéis Guerra e Paz, encomendados pelo Itamaraty para a sede da ONU, em Nova York. Cada um mede cerca de 14 por 10 metros, em óleo sobre madeira. Foram inaugurados em 1957, no saguão da Assembleia Geral. O pintor não foi: segundo o filho dele, o visto americano lhe foi negado em plena Guerra Fria. O secretário-geral Dag Hammarskjöld os chamou de a obra monumental mais importante doada à ONU.
Guerra e Paz nasceram de um pedido do Itamaraty, em 1952, e os temas foram escolhidos por resumirem a razão de ser da ONU. Em vez de soldados, tanques ou armas, o painel da guerra mostra civis em sofrimento, em tons frios, com destaque para a mãe que perde o filho. O da paz é quente e cheio de crianças brincando. Antes de seguirem para Nova York, os painéis foram mostrados no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Portinari nasceu em 1903 numa fazenda de café perto de Brodowski, no interior de São Paulo, filho de imigrantes italianos, e morreu em 1962; a ONU registra que a intoxicação pelos metais das tintas foi a causa da morte. Em 2010 as obras saíram da ONU para restauro e voltaram ao saguão em 2014, com reinauguração em 2015.
A mãe que perde o filho oito vezes
Segundo João Candido Portinari, filho do artista, a cena de uma mãe que perde o filho se repete oito vezes no painel Guerra, em eco à Pietà clássica. Portinari não pintou armas, tanques, uniformes nem soldados: o sofrimento aparece nos civis.
Uma encomenda do Itamaraty
Em 1952, a pedido do Itamaraty, Portinari começou os modelos de dois painéis para o novo edifício da ONU, em Nova York. Guerra e paz foram os temas escolhidos por refletirem as preocupações centrais da organização. A obra foi concluída em 1956, a óleo sobre madeira, e ocupa paredes opostas do saguão dos delegados, junto à Assembleia Geral. Cada painel tem cerca de 14 por 10 metros. O acervo oficial registra a obra como concluída em 1956 e inaugurada em setembro de 1957.
Uma guerra sem soldados
João Candido Portinari, filho do artista, lembra que o pai não pintou armas, tanques, uniformes ou soldados. O sofrimento aparece nas mulheres, nas crianças e em uma mãe que perde o filho, cena que se repete oito vezes, como em uma Pietà. Os tons são frios e sombrios, com muito azul, cor pouco usada para retratar conflito. No painel da paz, as cores esquentam e as crianças brincam. Na pintura, as figuras se sobrepõem sem perspectiva, em formas geométricas e com poucas cores.
O pintor ausente e o preço das tintas
Portinari não viu a inauguração de 1957. Segundo o filho, por ser de esquerda, teve o visto americano negado na Guerra Fria. Antes do embarque, os painéis foram mostrados no Theatro Municipal do Rio, com o presidente Juscelino Kubitschek presente. Portinari morreu em 1962, e a ONU registra que a intoxicação pelos metais das tintas o matou. O secretário-geral Dag Hammarskjöld definiu Guerra e Paz como a obra monumental mais importante já doada à organização.
A volta ao Brasil e o retorno a Nova York
Em 2010, a reforma do edifício da ONU levou à retirada dos painéis, que foram restaurados e exibidos ao público no Brasil e na França. No Rio, o Theatro Municipal recebeu mais de 40 mil visitantes; houve mostras também em São Paulo, Belo Horizonte e Paris. As obras voltaram ao saguão em dezembro de 2014 e foram reinauguradas em 8 de setembro de 2015, com o secretário-geral Ban Ki-moon, nas comemorações dos 70 anos da ONU. O Projeto Portinari, criado em 1979 por João Candido, cuida da memória do artista.
Como sabemos
Datas, encomenda, dimensões aproximadas e história da restauração vêm de fontes da ONU e do acervo oficial do artista; o visto negado e a leitura da cena da mãe são relatos do filho, indicados como tal.
- Fato estabelecido: Portinari iniciou o projeto dos painéis em 1952, a pedido do Itamaraty; guerra e paz foram escolhidas como temas por representarem as preocupações centrais da ONU. [1]
- Fato estabelecido: A obra é de 1956 e consiste em dois painéis a óleo sobre madeira. [1]
- Fato estabelecido: Os painéis foram inaugurados em 1957 no saguão dos delegados do edifício da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em paredes opostas. [1] [2]
- Fato estabelecido: Cada painel mede cerca de 14 por 10 metros. [2] [4]
As fontes dão a medida em ordem diferente (10,4 por 14 m na ONU; 14 por 10 m na Agência Brasil); o texto usa "cerca de 14 por 10". - Fato estabelecido: O secretário-geral Dag Hammarskjöld declarou os painéis a obra monumental mais importante doada à ONU. [2]
- Evidência forte: Portinari não esteve na inauguração de 1957; segundo seu filho João Candido, por ser de esquerda lhe foi negado o visto americano em plena Guerra Fria. [3]
Relato de João Candido Portinari à ONU; não conferi documento do consulado. - Interpretação: Segundo João Candido Portinari, o artista não representou armas, metralhadoras, tanques, uniformes ou soldados; o sofrimento da guerra aparece nos civis, com uma mãe que perde o filho, cena repetida oito vezes e em eco da Pietà. [3]
Leitura do filho do artista, citada pela ONU, e não um dado catalogado da obra. - Evidência forte: O painel da guerra usa tons frios e sombrios, com muito azul; o da paz usa tons quentes e mostra crianças brincando. [3] [4]
- Fato estabelecido: Os painéis foram exibidos no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek, antes de seguirem para a ONU. [4]
- Fato estabelecido: Em 2010 os painéis saíram da ONU, durante a reforma do edifício, para restauro e exibição pública, no Brasil e na França; voltaram ao prédio em dezembro de 2014 e foram reinaugurados em 8 de setembro de 2015. [3] [2]
- Interpretação: No painel, as figuras se sobrepõem sem preocupação com perspectiva ou profundidade, em formas geométricas e com poucas cores. [4]
Descrição de estilo feita pela Agência Brasil; é leitura crítica, não dado catalogado. - Fato estabelecido: O Projeto Portinari foi criado em 1979 por João Candido Portinari, filho do artista, para cuidar da memória e da obra do pintor. [5]
- Fato estabelecido: Em 2010, no Rio, mais de 40 mil pessoas visitaram os painéis no Theatro Municipal; houve mostras também em São Paulo, Belo Horizonte e Paris. [4] [2]
- Fato estabelecido: Portinari nasceu em 29 de dezembro de 1903 numa fazenda de café perto de Brodowski (SP), filho de imigrantes italianos, e morreu em 1962. [5] [2]
- Consenso científico: A ONU atribui a morte de Portinari à exposição a chumbo e outros metais tóxicos das tintas. [2]
É a explicação mais difundida, repetida pela ONU; não conferi atestado ou estudo médico.
Fontes
- Projeto Portinari — OC-19 - ONU, Guerra e Paz (painéis)
consultada em 04/10/2026 - ONU News — Painéis Guerra e Paz completam 65 anos "mais atuais que nunca"
consultada em 04/10/2026 - ONU News — ONU 70: Painéis "Guerra e Paz" de Portinari são reinaugurados
consultada em 04/10/2026 - Agência Brasil (EBC) — História Hoje: Painéis Guerra e Paz de Portinari foram entregues à ONU em 1956
consultada em 04/10/2026 - Projeto Portinari — Candido Portinari (apresentação do artista)
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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