Fenômenos naturais
A pororoca: a onda que sobe os rios da Amazônia contra a correnteza
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
A pororoca é um macaréu: uma onda que avança rio acima quando a maré começa a encher e encontra uma foz larga, rasa e afunilada. Acontece sobretudo nas marés de sizígia, na lua nova e na cheia. O nome vem do tupi e remete a estrondo. No Brasil, o caso mais estudado é o do rio Araguari, no Amapá, onde a onda chegava a cerca de 50 km da foz até 2014.
Um macaréu (em inglês, tidal bore) é uma série de ondas que sobe um estuário quando a maré vira para enchente, e atrás dele a corrente do rio se inverte. Os estudos hidráulicos o associam a marés de grande amplitude e a uma foz afunilada e de pouca profundidade, que concentra a maré. No Brasil, a palavra pororoca designa o fenômeno em rios do Amapá e do Pará, como o Guamá, e no Mearim, no Maranhão. O Araguari era o exemplo clássico: seu estuário tem maré média de cerca de 5,2 m e, até 2014, a onda era comum até 50 km para dentro do rio. Depois, mudanças na foz mudaram o fenômeno.
A palavra que também virou pipoca
Segundo o dicionário Priberam, pororoca vem do tupi poro'roka. O mesmo dicionário registra que, no Pará, a palavra também nomeia grãos de milho estourados, a pipoca, e uma árvore de madeira avermelhada e dura, a Dialium guianense.
Como a onda se forma
Quando a maré enche, a água do mar entra no estuário. Se a foz é afunilada e rasa e a amplitude da maré é grande, a frente da maré fica íngreme e vira uma onda que sobe o rio. Atrás dela, a corrente passa a correr rio acima. A Universidade de Queensland, que estuda macaréus no mundo todo, descreve o fenômeno como uma série de ondas que se propaga quando a maré vira para enchente.
Por que a sizígia importa
As marés de sizígia ocorrem quando Sol e Lua estão alinhados com a Terra, na lua nova e na cheia, e a amplitude é maior que a média. É nesses dias que as condições para o macaréu costumam ser mais favoráveis. Por isso a pororoca não é diária: depende do calendário das marés e do rio.
O Araguari, no Amapá
O Araguari desemboca perto da foz do Amazonas, num estuário macrotidal com maré média de cerca de 5,2 m. Segundo um estudo de pesquisadores do IEPA, da UFPA e da UFF, a pororoca era comum até 2014, com ocorrência até 50 km rio adentro, e remexia sedimentos na foz, causando erosão e deposição rápidas. Em 2014, a foz externa foi assoreada e o fluxo do rio passou a se desviar para o Amazonas.
O que mudou e o que voltou
As causas do assoreamento são discutidas. Pesquisadores citados na imprensa apontam barragens e canais abertos para criação de búfalos; o estudo de 2025 descreve sobreposição de processos naturais e intervenções humanas. Em abril de 2025, o ICMBio registrou a pororoca de novo, depois de 11 anos, por outro caminho: o canal da Uricurituba, por onde hoje passa boa parte da água do rio.
Como sabemos
Mecânica e dados do Araguari conferidos em artigo revisado de 2025 e em material da Universidade de Queensland; retorno de 2025 e causas dependem de reportagens com fontes institucionais.
Em debate: A causa do fim da pororoca na foz original do Araguari é debatida: reportagens apontam barragens e canais abertos para criação de búfalos, enquanto o estudo de 2025 descreve sobreposição de processos naturais e intervenções humanas, sem quantificar a contribuição de cada um.
Em debate: O limite mínimo de amplitude de maré para formar um macaréu varia entre trabalhos, de cerca de 4,5 m a 9 m.
- Fato estabelecido: Um macaréu (tidal bore) é uma série de ondas que sobe o estuário quando a maré vira para enchente, e a corrente do rio se inverte atrás dele. [1]
- Consenso científico: Os macaréus se formam em estuários de maré de grande amplitude, com foz de forma afunilada e rasa que amplifica a maré; os limites de amplitude citados variam entre os trabalhos. [1]
Chanson associa o fenômeno a amplitudes de maré de vários metros; o valor mínimo citado varia de 4,5 a 9 m conforme o trecho consultado. O texto não cita número. - Fato estabelecido: Marés de sizígia ocorrem quando Sol e Lua ficam alinhados com a Terra, na lua nova e na cheia, e têm amplitude maior que o normal. [6]
- Consenso científico: A pororoca ocorre sobretudo nas marés de sizígia. [1] [6]
A ligação com a sizígia vem do critério de macromaré e de marés vivas apontado por Chanson; a frequência exata por rio não foi verificada. - Fato estabelecido: Pororoca é palavra de origem tupi (poro'roka). [3]
- Consenso científico: O termo tupi remete a estrondo ou trovão. [5]
Sentido dado pela reportagem da Mongabay; o Priberam registra só a origem tupi, sem detalhar o significado. - Evidência forte: No Brasil há pororocas em rios do Amapá, no Guamá (Pará) e no Mearim (Maranhão). [5]
Fonte jornalística que cita pesquisador da Unifap; não foi conferida em artigo científico. - Fato estabelecido: O estuário do Araguari é macrotidal, com maré média de cerca de 5,2 m. [2]
- Fato estabelecido: Até 2014, a pororoca era comum no Araguari, com ocorrência até 50 km rio acima. [2]
- Fato estabelecido: Em 2014, a foz externa do Araguari foi assoreada e o fluxo do rio passou a se desviar para o rio Amazonas. [2]
- Evidência forte: As mudanças recentes combinam processos naturais e intervenções humanas, como os canais (valas) abertos na região, ligados à criação de búfalos. [2] [5]
- Em debate: Barragens hidrelétricas e criação de búfalos são apontadas por especialistas como causas do assoreamento da foz. [4] [5]
Atribuição feita em reportagens, com pesquisadores da Unifap e do ICMBio; o artigo de 2025 fala em sobreposição de processos naturais e antrópicos e não pesa a parte de cada causa. - Fato estabelecido: Em abril de 2025, o ICMBio registrou a pororoca de novo no Araguari, 11 anos depois, agora por outro caminho, o canal da Uricurituba. [4]
Fontes
- The University of Queensland — Tidal bores, Mascaret, Pororoca. Myths, Fables and Reality
consultada em 05/10/2026 - Revista Brasileira de Geomorfologia (IEPA, UFPA, UFF) — Dynamics of a macrotidal estuary along 400 years based on historical maps and remote sensing: Araguari river, Amazon coast, Brazil
consultada em 05/10/2026 - Dicionário Priberam da Língua Portuguesa — pororoca
consultada em 05/10/2026 - Portal Amazônia (com declarações do ICMBio) — Rio Araguari volta a ter pororoca depois de 11 anos
consultada em 05/10/2026 - Mongabay Brasil (com entrevista a Eldo Santos, Unifap) — Os caçadores da pororoca perdida
consultada em 05/10/2026 - Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina — Marés
consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 3 imagem(ns) real(is) do Commons
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão