Neurociência
Cada olho tem um ponto cego, mas o cérebro preenche o buraco e ninguém vê a falha
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
No fundo de cada olho, o ponto onde o nervo óptico sai da retina não tem células sensíveis à luz. Essa região, o disco óptico, cria um ponto cego a cerca de 15 graus do centro do campo visual, no lado da têmpora, com alguns graus de largura. Mesmo assim, ninguém enxerga um buraco: o cérebro preenche o vazio com cor, textura e até movimento do entorno.
O ponto cego é uma consequência da anatomia. Os axônios das células ganglionares da retina se reúnem no disco óptico para formar o nervo óptico e deixar o olho, e ali não há fotorreceptores. Medições em cinco observadores deram, em média, cerca de 5,4 graus na horizontal e 6,6 na vertical, a cerca de 15 graus do ponto de fixação. Outros estudos o descrevem como uma região de 6 por 8 graus. Em visão com os dois olhos, o ponto cego de um olho é coberto pelo outro. Com um olho só, a percepção de continuidade vem do preenchimento perceptivo, que pesquisas associam a atividade propagada a partir das regiões vizinhas do córtex visual, entre elas a área V1.
O experimento de Mariotte
O ponto cego foi descoberto em 1668 pelo padre e físico francês Edme Mariotte. Ele fixou dois discos de papel de 23 cm numa parede, tapou o olho esquerdo, recuou cerca de 2,7 metros e, olhando o disco da esquerda, viu o da direita sumir.
Por que existe o ponto cego
A retina é o tecido do fundo do olho que converte luz em sinais nervosos. Esses sinais viajam por axônios de células ganglionares, que precisam sair do olho para chegar ao cérebro. Eles se juntam num ponto, o disco óptico, e formam o nervo óptico. Nesse ponto não há fotorreceptores, de modo que nenhuma luz é detectada. Por isso o ponto cego é uma região real do campo visual de cada olho, e não um defeito: é o preço anatômico de ter o nervo saindo pela retina.
Onde ele fica e quanto mede
O ponto cego fica no lado da têmpora do campo visual, com centro a cerca de 15 graus do ponto que o olho fixa. Em medições com cinco observadores, o diâmetro médio foi de cerca de 5,4 graus na horizontal e 6,6 na vertical, e outro estudo o descreve como uma região de 6 por 8 graus. Os valores variam entre pessoas e métodos de medida. Com os dois olhos, o outro olho cobre a região, e as falhas se compensam.
Como o cérebro preenche
Com um olho só, ainda assim ninguém percebe um buraco. A região é preenchida com brilho, cor, textura e até movimento do entorno, fenômeno chamado de preenchimento perceptivo. Pesquisas indicam que o córtex visual faz esse trabalho: apesar de não haver entrada direta da retina para a parte do córtex que corresponde ao ponto cego, a atividade se propaga ativamente de regiões vizinhas, envolvendo a área V1 e possivelmente a V2. Um estudo recente mostrou até que interpretações ambíguas do entorno podem alternar dentro da região.
A descoberta de Mariotte
O ponto cego foi descoberto em 1668 por Edme Mariotte, padre e físico francês, pouco depois de entrar para a Academia. Para demonstrá-lo, usou dois discos de papel de cerca de 9 polegadas numa parede, um cerca de 2 pés à direita do outro e um pouco abaixo. Cobrindo o olho esquerdo, recuando cerca de 9 pés e olhando o disco da esquerda, o da direita desaparecia.
Como sabemos
A anatomia e a descoberta são consenso em fontes de periódico e museu; o mecanismo exato do preenchimento é descrito como o que as pesquisas indicam.
- Fato estabelecido: O ponto cego fisiológico corresponde ao disco óptico, onde o nervo óptico sai do olho e não há fotorreceptores. [1] [2]
- Fato estabelecido: Os axônios das células ganglionares da retina saem do olho pelo disco óptico. [2]
- Fato estabelecido: O ponto cego fica no campo visual temporal, com centro a cerca de 15 graus do ponto de fixação. [1] [2]
- Estimativa: O tamanho do ponto cego é de cerca de 5 a 6 graus na horizontal e 6 a 8 graus na vertical, conforme o estudo. [1] [2]
Em cinco observadores, f1 mediu em média 5,43° x 6,57°; f2 descreve 6° x 8°. Varia entre pessoas e métodos. - Fato estabelecido: Com os dois olhos abertos, o ponto cego de um olho é coberto pelo outro. [2]
- Consenso científico: O ponto cego é preenchido perceptivamente com brilho, cor, textura e até movimento do entorno, fenômeno chamado de preenchimento perceptivo. [1] [2]
- Evidência forte: A conclusão atual é que o preenchimento ocorre por propagação ativa de atividade neural, lateral ou de realimentação, a partir de regiões corticais vizinhas, envolvendo a área V1 e possivelmente a V2. [1] [2]
Os autores falam em 'pesquisas indicam'; o mecanismo exato ainda é objeto de estudo. - Fato estabelecido: Edme Mariotte descobriu o ponto cego em 1668. [3] [4]
- Fato estabelecido: Mariotte fixou dois discos de papel de cerca de 9 polegadas numa parede, um cerca de 2 pés à direita do outro e um pouco abaixo; cobrindo o olho esquerdo, a cerca de 9 pés e olhando o disco da esquerda, o da direita sumia. [3]
- Fato estabelecido: Mariotte era padre católico e físico francês. [3]
Fontes
- PubMed Central (periódico revisado por pares) — Filling-in rivalry: Perceptual alternations in the absence of retinal image conflict
consultada em 04/10/2026 - PubMed Central (periódico revisado por pares) — Asymmetrical color filling-in from the nasal to the temporal side of the blind spot
consultada em 04/10/2026 - Linda Hall Library — Scientist of the Day: Edme Mariotte
consultada em 04/10/2026 - Complete Dictionary of Scientific Biography, via Encyclopedia.com — Edmé Mariotte
consultada em 04/10/2026
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