Arqueologia

A erupção do Vesúvio em 79 e Pompeia: o que se sabe e por que a data ainda é discutida

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

O Vesúvio entrou em erupção em 79 d.C. e soterrou Pompeia sob pelo menos 6 m de cinzas e detritos vulcânicos. A data tradicional, 24 de agosto, vem de uma carta de Plínio, o Jovem, escrita cerca de 20 anos depois. Em 2018, uma inscrição a carvão encontrada na cidade, com a data de 17 de outubro, reabriu o debate sobre um desastre de outono. Um estudo do parque arqueológico, em 2024, diz que agosto não pode ser descartado.

Pompeia ficava a cerca de 23 km a sudeste de Nápoles, no sopé do Vesúvio. Segundo a Britannica, a cidade tinha entre 10 mil e 20 mil habitantes; a maioria provavelmente escapou, e se calcula que cerca de 2 mil pessoas morreram, das quais mais de mil corpos foram encontrados. O desastre destruiu também Herculano, Estábias e outras localidades. A cidade ficou preservada por séculos sob a cinza, e as escavações do século XVIII marcaram o início da arqueologia moderna. A data exata importa pouco para o saber geral, mas muito para os especialistas: frutas de outono, braseiros e roupas pesadas achados nas ruínas sugerem outra estação, e a evidência mais citada é uma frase escrita a carvão numa parede.

Para os romanos, agosto já era outono

No calendário agrícola de Plínio, o Velho, o outono começava por volta de 8 de agosto, 46 dias depois do solstício de verão. O historiador Díon Cássio situa a erupção no outono. Por isso, segundo o estudo do parque, a data de 24 de agosto e a menção de Díon ao outono não se contradizem.

O testemunho de Plínio, o Jovem

O relato de testemunha que chegou até nós está em duas cartas de Plínio, o Jovem, ao historiador Tácito, que perguntara sobre a morte do tio, Plínio, o Velho, comandante da frota romana em Miseno. O tio saiu de Miseno para ajudar a população e observar o fenômeno de perto, e morreu em Estábias, segundo a Britannica. A data de 24 de agosto vem dessa carta, escrita cerca de 20 anos depois, e é a única data precisa de que se dispõe.

Por que alguns duvidam de agosto

Desde 1797, quando Carlo Maria Rosini sugeriu o outono, estudiosos apontam achados da cidade: frutas e plantas de outono, braseiros, tecidos pesados e uma moeda de Tito. A moeda, depois, teve sua leitura contestada. A data de 24 de outubro se espalhou pela internet, mas, como mostrou Pedar Foss, ela vem de um uso impróprio dos manuscritos, e não de um documento antigo. Todas as datas além de 24 de agosto, diz o estudo do parque, são invenções sem base na tradição.

A inscrição da Casa do Jardim

Em 2018, equipes no átrio da Casa do Jardim acharam uma frase a carvão com a data XVI K NOV, 17 de outubro, sem o ano. Massimo Osanna, então diretor do parque, a apresentou como argumento para o outono: o carvão é frágil, e o átrio estaria em obras, então seria improvável que o texto durasse mais de dez meses. O próprio Osanna admitiu, em 2019, que o argumento não era determinante, pois o carvão poderia se conservar por um ano.

O experimento e o que ele não prova

Em 17 de outubro de 2023, o parque escreveu uma inscrição igual sobre reboco antigo e a fotografou todo mês. Em 24 de agosto de 2024 o texto continuava legível. Os autores concluem que a inscrição pode ter sido feita em outubro de 78 e que 24 de agosto de 79 não pode ser excluído. Eles ressalvam que isso não prova que Plínio acertou, nem que a outra data esteja errada: o estudo quer abrir o debate, não fechá-lo.

Como sabemos

A erupção e a sequência geral estão bem estabelecidas; a data exata é apresentada como debate com base no estudo do próprio parque arqueológico.

Em debate: Agosto ou outono: a tradição dos manuscritos de Plínio, o Jovem, é unânime para 24 de agosto, mas achados em Pompeia (frutas de outono, braseiros, roupas pesadas) levaram parte dos estudiosos a defender outubro ou novembro. A inscrição a carvão de 2018 foi apresentada como prova de outubro; o estudo do parque, em 2024, mostrou que carvão pode durar mais de dez meses e concluiu que agosto não pode ser descartado.

Em debate: A data de 24 de outubro, muito divulgada, não tem apoio na tradição dos manuscritos e é invenção do século XX, segundo Foss. Isso não prova que agosto esteja certo: Plínio pode ter errado.

Fontes

  1. Encyclopaedia Britannica — Pompeii
    consultada em 04/10/2026
  2. Parco Archeologico di Pompei, E-Journal degli Scavi di Pompei, n. 27 — La data della distruzione di Pompei: premesse per un dibattito aperto
    consultada em 04/10/2026
  3. Archaeology Magazine (Archaeological Institute of America) — New Thoughts on Pompeii's Last Day
    consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 3 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +4 imagem(ns)
  • Versão 2 · 05/10/2026 — Galeria: 2 imagem(ns) real(is) de pessoas e lugares (Wikidata/Commons)
  • Versão 1 · 05/10/2026 — migração da versão 0.3 (lotes 001 a 003)

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos