Zoologia

Fêmea de polvo vigiou os ovos por 53 meses a 1.397 m, a incubação mais longa relatada em 2014

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Mar profundo

Em 2014, Robison, Seibel e Drazen relataram que uma fêmea de Graneledone boreopacifica, acompanhada por robô submarino em Monterey (Califórnia), foi reencontrada 18 vezes junto à mesma ninhada, de maio de 2007 a setembro de 2011: 53 meses, em água de 2,8 a 3,4 °C. Segundo os autores, é de longe o período de incubação mais longo já relatado para um animal. Ela nunca foi vista comendo.

Polvos costumam se reproduzir uma vez e morrer. A fêmea cola os ovos numa superfície e os guarda até a eclosão; nas espécies de águas rasas, isso leva de 1 a 3 meses. Em águas frias o desenvolvimento dos embriões costuma ser mais lento, mas faltava uma medição direta no fundo do mar. Este caso a deu: um ROV, veículo submarino operado remotamente, achou a fêmea chegando a uma rocha a 1.397 m e voltou ao local por quatro anos e meio. O estudo é de um único animal, e os números só valem para a espécie se novos acompanhamentos os confirmarem.

Os modelos erraram por cerca de um ano

Modelos que relacionam temperatura e tamanho do ovo previam de 2,8 a 75 meses para esta espécie. Estendidos para 3 °C, ainda ficavam cerca de um ano abaixo dos 53 meses medidos no fundo do mar.

Como sabemos: reencontrar a mesma fêmea 18 vezes

A equipe viu a fêmea chegar a uma rocha a 1.397 m, em abril de 2007, e 38 dias depois a encontrou sobre ovos recém-colados. Voltou 18 vezes ao longo de quatro anos e meio. A identidade veio de cicatrizes nos braços, e o crescimento dos ovos indicou a mesma ninhada. O limite do método é que o ROV só a viu em parte do tempo e nunca presenciou a eclosão: a data final vem da última visita e do achado das cápsulas vazias.

Frio e filhotes prontos: a explicação proposta

Em animais marinhos que não regulam a temperatura do corpo, água fria costuma alongar o desenvolvimento dos embriões. Aqui os ovos são grandes e a ninhada pequena, e os filhotes nascem quase como adultos. Os autores ligam os 53 meses ao frio e a essa vantagem de nascer pronto. É uma interpretação feita por comparação entre espécies. Os modelos disponíveis, estendidos para 3 °C, ficaram cerca de um ano abaixo do medido.

O recorde tem escopo e data

A afirmação dos autores é sobre incubação de ovos e a literatura de 2014. O maior valor anterior para polvos era de 14 meses, em laboratório, a 7 °C. Gestações dentro do corpo, como as de um tubarão ou de uma salamandra, duram quase tanto, mas são outro processo e não entram na mesma conta. Um só animal acompanhado não diz se 53 meses é a regra da espécie.

O que segue sem resposta

Nenhuma observação mostrou a fêmea comendo, mas as visitas cobrem só uma fração do período. Os autores propõem que o frio e a pouca atividade mantêm baixo o gasto de energia, e lembram que ela pode ter se alimentado do que passava perto. Não houve medição de reservas do corpo. Também não se sabe se outros polvos de fundo igualmente frio incubam por tanto tempo.

Como sabemos

Dados de um único estudo de campo com um só animal, lido na íntegra; superlativo atribuído e datado, sem segunda fonte institucional independente acessível.

Fontes

  1. PLOS ONE; Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI) — Deep-Sea Octopus (Graneledone boreopacifica) Conducts the Longest-Known Egg-Brooding Period of Any Animal
    Robison, B.; Seibel, B.; Drazen, J. · 2014 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0103437
  2. PubMed Central (NIH/NLM) — Deep-Sea Octopus (Graneledone boreopacifica) Conducts the Longest-Known Egg-Brooding Period of Any Animal (cópia no PubMed Central)
    Robison, B.; Seibel, B.; Drazen, J. · 2014 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0103437
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 17; conferência de trechos automatizada)

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