Astronomia

Plutão e Caronte: o centro de massa fica fora de Plutão, e os dois mostram sempre a mesma face um ao outro

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Sistema Solar

Caronte tem cerca de metade do tamanho de Plutão e cerca de 12% da massa do sistema. Por isso o ponto em torno do qual os dois giram, o baricentro, fica no espaço entre eles, fora de Plutão. Os dois também mostram sempre a mesma face um ao outro. "Planeta duplo" é expressão informal: a UAI não a define.

Quando dois corpos se orbitam, ambos giram em torno do baricentro, o centro de massa do par. Se um é muito mais pesado, o baricentro fica dentro dele e parece que o menor gira "em volta" do maior. É o caso da Terra e da Lua. Em Plutão e Caronte a razão de massas é de cerca de 8 para 1 e o baricentro cai no espaço entre os dois, fora do volume de Plutão. Já o travamento de maré mútuo é outro fenômeno: as forças de maré que cada corpo causa no outro, ao longo do tempo, fazem a rotação de cada um se igualar ao período da órbita. Resultado: Plutão e Caronte giram em cerca de 6,4 dias, o mesmo tempo que Caronte leva para orbitar. O post sobre a superfície de Plutão está em plutao-new-horizons; aqui o assunto é a dinâmica do par.

Caronte paira sempre sobre o mesmo ponto

Como a rotação de Plutão e a órbita de Caronte duram o mesmo tempo, Caronte não nasce nem se põe no céu de Plutão: fica parado sobre o mesmo lugar da superfície, e só um dos hemisférios de Plutão o vê.

Onde fica o baricentro e por que a Lua é diferente

Com 19.640 km entre os dois e razão de massas de cerca de 8 para 1, o baricentro de Plutão e Caronte fica a cerca de 2.100 a 2.200 km do centro de Plutão, quase o dobro do raio dele (cerca de 1.190 km). É cálculo nosso, a partir de dados das fontes. Na Terra e na Lua, a razão de massas é 0,0123 e o baricentro fica a cerca de 4.670 km do centro da Terra, dentro dela (raio equatorial de 6.378 km), também cálculo nosso. Por isso a Lua é satélite; Caronte é um caso à parte.

Travamento de maré mútuo

Hoje a rotação de Plutão é síncrona com a órbita de Caronte, e a de Caronte também: cada um mantém a mesma face voltada ao outro. Segundo Correia (2020), a configuração atual resultou provavelmente de torques de maré que Caronte exerceu em Plutão, e os de Plutão em Caronte. É o mesmo tipo de processo que faz a Lua mostrar sempre a mesma face à Terra, mas aqui os dois lados estão travados. Ver o post sobre a face da Lua.

Como sabemos

Em 1978, James Christy notou que as imagens de Plutão pareciam alongadas, e a direção do alongamento se repetia a cada 6,39 dias: era Caronte. Hoje as massas e órbitas vêm de astrometria: posições medidas em imagens do Hubble e da New Horizons. As quatro luas pequenas orbitam o baricentro do par, o que só faz sentido se o ponto central do sistema estiver entre Plutão e Caronte, e não no centro de Plutão.

Origem do par e a expressão planeta duplo

O cenário mais aceito para a origem é um impacto gigante entre dois corpos de tamanho parecido, tese que vem de McKinnon e de Canup. É modelo apoiado em simulações, não observação direta; a origem das quatro luas pequenas continua em aberto. Quanto ao nome: a UAI definiu em 2006 só planeta e planeta anão como classes distintas. Planeta duplo, ou planeta-anão duplo, aparece em fontes como a NASA, mas como forma de falar, não como categoria oficial.

Como sabemos

Números e conceitos vêm de NASA e de artigos no arXiv lidos na íntegra; a posição do baricentro é cálculo nosso, e a origem por impacto gigante é o modelo dominante, não observação direta.

Fontes

  1. NASA Science — Charon
    NASA · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  2. NASA Goddard Space Flight Center (NSSDCA) — Moon Fact Sheet
    NASA Space Science Data Coordinated Archive · 2026 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  3. União Astronômica Internacional (IAU) — IAU 2006 General Assembly: Result of the IAU Resolution votes
    União Astronômica Internacional · 2006-08-24 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  4. arXiv (Universidade de Coimbra e Observatório de Paris) — Tidal evolution of the Pluto-Charon binary
    Correia, A. C. M. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  5. arXiv (Southwest Research Institute; Planetary Science Journal) — Orbits and Masses of the Small Satellites of Pluto
    Porter, S. B.; Canup, R. M. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  6. arXiv (Universidade de Patras; Celestial Mechanics and Dynamical Astronomy) — Orbit determination of the moons of the Pluto-Charon system
    Gakis, D.; Gourgouliatos, K. N. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 17; conferência de trechos automatizada)

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