Astronomia

Por que os planetas giram em torno do Sol quase no mesmo plano e no mesmo sentido

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Sistema Solar

Porque nasceram de um disco. Uma nuvem de gás em rotação que se contrai conserva o momento angular, gira mais rápido e se achata; os planetas se formaram nesse disco e herdaram seu sentido e seu plano. As inclinações vão de 0,8° (Urano) a 7,0° (Mercúrio); Plutão, com 17,2°, e cometas como o Halley, retrógrado, destoam.

Momento angular é a medida da quantidade de rotação de um sistema; sem influência externa, ele não se perde. Quando uma nuvem gira e encolhe, a rotação acelera, como a de uma patinadora que fecha os braços. A gravidade comprime o gás ao longo do eixo de rotação sem dificuldade, mas a rotação segura o material no sentido lateral. O resultado é um disco, e o que se condensa nele continua a girar no mesmo sentido. Inclinação é o ângulo entre o plano da órbita de um corpo e a eclíptica, o plano da órbita da Terra. A formação completa do Sistema Solar está no artigo ligado abaixo; aqui o foco é só esse padrão.

Quão plana é uma órbita de 7 graus

Mercúrio tem a maior inclinação entre os planetas (7,0°), e mesmo assim sua órbita sobe só cerca de 12% do seu raio acima da eclíptica; a de Netuno, 3% (conta nossa, a partir dos dados do JPL).

Como a rotação vira disco

A nuvem que formou o Sol girava, ainda que devagar. Ao colapsar, o momento angular se conserva e a rotação acelera. Na direção do eixo, nada segura a queda; no plano perpendicular, a força centrífuga freia o gás num raio em que equilibra a gravidade. O material se acumula nesse plano e gira todo no mesmo sentido. Esse é o modelo da nebulosa solar: o padrão dos planetas foi a razão de ele ter sido proposto no século XVIII, e por isso, sozinho, não o comprova.

Como sabemos: números e discos observados

Dois tipos de evidência se somam. Primeiro, as medidas: as inclinações das sete órbitas planetárias vão de 0,8° a 7,0° (JPL e NASA). Segundo, os discos vistos ao redor de estrelas jovens pelo ALMA, muitos com rotação kepleriana. Os limites: o sentido comum dos planetas é descrito, não medido por nós aqui, e o ALMA vê discos de outras estrelas, não o nosso de 4,6 bilhões de anos atrás. A conclusão é por analogia e por consistência.

As exceções que testam a regra

Plutão, a 17,2°, e o cometa Halley, em órbita retrógrada num plano a 18° do da Terra, destoam. Cometas, segundo a fonte, podem ter órbitas de qualquer forma e orientação, sinal de que não se formaram no disco como os planetas. Tritão, lua de Netuno, orbita em sentido contrário ao da rotação do planeta; a hipótese é de um objeto do Cinturão de Kuiper capturado. Ou seja, as exceções têm origem fora do disco, ou foram perturbadas depois, e esse é um argumento a favor do modelo.

O que ainda está em aberto

Na teoria, o campo magnético da nuvem pode frear a rotação e retirar tanto momento angular que o disco nem chega a se formar. Sabemos que os discos existem, mas o caminho que os produz com campos magnéticos realistas é debatido numa revisão de 2020. O padrão dos planetas, portanto, tem uma explicação geral bem aceita, porém com detalhes do passo inicial (do núcleo da nuvem ao disco) ainda em pesquisa.

Como sabemos

Inclinações e exceções vêm de NASA/JPL; o mecanismo vem de uma revisão revisada por pares e de um livro eletrônico, e parte dele (frenagem magnética) segue em debate.

Fontes

  1. NASA Goddard Space Flight Center, NSSDCA — Planetary Fact Sheet - Metric
    Williams, D. R. (curador) · 2025 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. NASA Jet Propulsion Laboratory, Solar System Dynamics — Approximate Positions of the Planets
    Standish, E. M.; Williams, J. G. · s.d. · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. Online Astronomy eText — Orbital Regularities (Online Astronomy eText: The Planets / The Origin of the Solar System)
    Seligman, C. · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. Space Science Reviews 216, 43 — Formation and Evolution of Disks Around Young Stellar Objects
    Zhao, B.; Tomida, K.; Hennebelle, P.; Tobin, J. J.; Maury, A.; Hirota, T. et al. · 2020 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1007/s11214-020-00664-z
  5. NASA Science — Triton
    NASA Science · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  6. NASA Science — 1P/Halley
    NASA Science · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 1; conferência de trechos automatizada)

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos