Zoologia

O pinguim-imperador choca o ovo no inverno antártico, em jejum de cerca de quatro meses, aquecido pelo grupo

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

O pinguim-imperador se reproduz durante o inverno antártico. O macho recebe o ovo da fêmea, mantém-no sobre os pés sob uma dobra de pele, a cerca de 38 °C, e não come por cerca de quatro meses, contando a chegada à colônia. Sem a vida em grupo, estimam os pesquisadores, ele aguentaria só uns 60 dias de jejum. Em grupos compactos, o ar ao redor das aves chegou a 37,5 °C, contra uma média de cerca de −17 °C fora deles.

Nas colônias da costa antártica o ar pode cair bem abaixo de −35 °C. A fêmea põe um único ovo e o passa ao macho, que o coloca sobre os pés e o cobre com uma dobra de pele. A incubação dura de 65 a 75 dias. Durante esse tempo o macho vive das reservas de gordura, só engole um pouco de neve e perde algo entre 40% e quase metade da massa corporal. A fêmea volta do mar, em julho, para assumir o filhote. Um estudo com aves marcadas mostrou que os machos passam cerca de 38% do tempo em grupos compactos, em episódios curtos, de 1,6 hora em média. Para os autores, é essa vida coletiva que torna o jejum de cerca de 120 dias possível.

Um grupo que nunca para de se arrumar

Filmando uma colônia de cerca de 2.000 aves, pesquisadores viram que, a cada 30 a 60 segundos, uma onda de passinhos de 5 a 10 cm percorre o grupo. Sem ela, a massa de aves, com cerca de 21 por metro quadrado, travaria.

O ovo nos pés

Logo depois da postura, a fêmea passa o ovo ao macho. Ele o coloca sobre os pés e o cobre com uma dobra de pele que o mantém a cerca de 38 °C, enquanto o ar fora pode cair bem abaixo de −35 °C. O macho não consegue sair para pescar com o ovo, por isso o jejum dele só termina quando a fêmea volta, em julho.

Quanto tempo dura o jejum

A incubação leva de 65 a 75 dias. Somando o tempo desde a chegada à colônia, o macho passa cerca de quatro meses sem comer, vivendo da gordura acumulada e engolindo só um pouco de neve. Ao longo desse período perde entre cerca de 40% e quase metade da massa corporal, segundo duas fontes que diferem no número.

O que o grupo muda

Uma revisão estima que, sem se agrupar, os machos aguentariam só cerca de 60 dias de jejum, metade do necessário. Num estudo com aves marcadas, o agrupamento elevou o ar ao redor delas acima de 0 °C, com máximo de 37,5 °C, num dia de média externa de cerca de −17 °C. Os grupos duram em média 1,6 hora.

Um grupo em movimento

Em uma colônia observada com câmera, cerca de 21 aves por metro quadrado ficavam tão apertadas que o grupo poderia travar. A cada 30 a 60 segundos, uma onda de pequenos passos de 5 a 10 cm atravessava o conjunto. Segundo os autores, esse rearranjo permite que cada ave passe tempo no interior, onde o frio é menor.

Como sabemos

Os números centrais vêm de duas fontes institucionais e de três estudos revisados por pares, com pequenas diferenças entre fontes sinalizadas no texto.

Fontes

  1. Divisão Antártica Australiana — Emperor penguin: breeding cycle
    consultada em 11/10/2026
  2. Animal Diversity Web, Universidade de Michigan — Aptenodytes forsteri (emperor penguin)
    consultada em 11/10/2026
  3. Proceedings of the Royal Society B (Ancel, Beaulieu, Le Maho e Gilbert, 2009) — Emperor penguin mates: keeping together in the crowd
    consultada em 11/10/2026
  4. Physiology & Behavior (Gilbert et al., 2006), via arXiv — Huddling behavior in emperor penguins: dynamics of huddling
    consultada em 11/10/2026
  5. PLoS ONE (Zitterbart, Wienecke, Butler e Fabry, 2011) — Coordinated movements prevent jamming in an emperor penguin huddle
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

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