História geral

A Peste Negra (1347–1351) foi causada pela bactéria Yersinia pestis, como o DNA de vítimas confirmou

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026

Entre 1347 e 1351, a Peste Negra matou, segundo estimativas, de 30% a 50% da população da Europa em cerca de cinco anos. Por muito tempo se discutiu qual era o agente. A partir de 2010, DNA e proteínas de esqueletos de valas comuns, do norte, do centro e do sul da Europa, mostraram que foi a bactéria Yersinia pestis, a mesma da peste moderna. Em 2022, DNA de um cemitério do Quirguistão apontou a Ásia Central como origem provável.

O consenso científico de hoje é que a Peste Negra foi peste causada por Yersinia pestis. O debate anterior tinha motivos: epidemiologistas e historiadores achavam que a rapidez do contágio medieval não combinava com a peste do século XX, e propuseram outros agentes, como um vírus hemorrágico. Em 2011, pesquisadores reconstruíram o genoma da bactéria de vítimas enterradas em Londres entre 1348 e 1350 e viram que ele é ancestral da maioria das cepas atuais que infectam humanos. O que continua em discussão é o tamanho da catástrofe: um estudo de pólen em 261 sítios de 19 países, de 2022, indica que o impacto foi devastador em algumas regiões da Europa e quase nulo em outras, o que contesta a cifra de 'metade da Europa' como média única.

Uma lápide que diz 'morreu de peste'

Em cemitérios junto ao lago Issyk-Kul, no Quirguistão, há lápides de 1338 e 1339 que dão como causa da morte uma 'pestilência'. Uma delas diz: 'Este é o túmulo do crente Sanmaq. Morreu de peste.' Em 2022, DNA de três esqueletos do local revelou Yersinia pestis.

Uma discussão antiga

A Peste Negra chegou à Europa em 1347 e deixou ondas de epidemia até o século XVIII. Mas a identidade do agente era contestada: historiadores e epidemiologistas apontavam diferenças entre os relatos medievais e a peste do século XX, que se espalha de ratos a pessoas por pulgas. Propuseram-se outros agentes, como um vírus hemorrágico. A discussão só se encerrou quando métodos de DNA e de detecção de proteínas ficaram precisos o bastante.

Como o DNA confirmou

Em 2010, Haensch e colegas detectaram DNA e a proteína F1 de Yersinia pestis em esqueletos de valas comuns no norte, centro e sul da Europa. Em 2011, Bos e colegas reconstruíram o genoma da bactéria de vítimas de Londres, de 1348 a 1350, com cobertura de 30 vezes. Ele é ancestral da maioria das cepas atuais. A comparação não achou mutações que explicassem uma virulência maior, o que sugere o peso de fatores como ambiente e suscetibilidade.

De onde veio

Cemitérios junto ao lago Issyk-Kul, no Quirguistão, têm lápides com 'pestilência' como causa de morte e um número desproporcional de sepultamentos em 1338 e 1339. Em 2022, Spyrou e colegas extraíram DNA de sete indivíduos e acharam Yersinia pestis em três. A cepa é o ancestral comum da diversificação associada à pandemia, e a comparação com a diversidade atual da região do Tian Shan indica emergência local, no início do século XIV.

Quantos morreram

As cifras variam. Um estudo de DNA cita 30% a 50% da população europeia em cerca de cinco anos; outro, um terço; outro ainda, até 60% da Eurásia ocidental. Em 2022, Izdebski e colegas usaram pólen de 261 sítios em 19 países como indício indireto do uso da terra e concluíram que a mortalidade foi desigual: muito alta em algumas regiões, desprezível em outras. Um comentário na mesma revista contesta a interpretação, e os autores respondem que a divergência é sobre como ler os dados, não sobre os dados.

Como sabemos

A causa (Y. pestis) está provada por DNA em três estudos independentes; a mortalidade total é estimativa e a origem geográfica, conclusão de um único estudo de 2022.

Em debate: A mortalidade da Peste Negra é estimada em um terço, de 30% a 50% ou até 60% da população da Europa ou da Eurásia ocidental, e um estudo de pólen de 2022 sugere que variou muito entre regiões. Há quem conteste essa leitura, porque o pólen mede uso da terra, e não mortes.

Em debate: Até 2010, historiadores e epidemiologistas discutiam se Yersinia pestis era mesmo a causa. Hoje o DNA e as proteínas encontrados em esqueletos de várias regiões dão a questão por resolvida, embora detalhes de como a doença se espalhou tão rápido sigam em estudo.

Em debate: A origem da pandemia na Ásia Central, a partir dos cemitérios de Issyk-Kul, é a conclusão de um estudo de 2022 que se apresenta como resposta a um debate de longa data sobre o início da segunda pandemia.

Fontes

  1. Nature (Bos et al., 2011) — A draft genome of Yersinia pestis from victims of the Black Death
    consultada em 04/10/2026
  2. PLOS Pathogens (Haensch et al., 2010) — Distinct Clones of Yersinia pestis Caused the Black Death
    consultada em 04/10/2026
  3. Nature (Spyrou et al., 2022) — The source of the Black Death in fourteenth-century central Eurasia
    consultada em 04/10/2026
  4. Nature Ecology & Evolution (Izdebski et al., 2022) — Palaeoecological data indicates land-use changes across Europe linked to spatial heterogeneity in mortality during the Black Death pandemic
    consultada em 04/10/2026
  5. Nature Ecology & Evolution (Izdebski et al., 2022, Matters Arising) — Reply to 'Reduction in grain pollen indicates population decline, but not necessarily Black Death mortality'
    consultada em 04/10/2026
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