Grandes descobertas

A penicilina foi descoberta por Fleming em 1928, mas virou remédio graças a Florey, Chain e Heatley

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026

Em 1928, Alexander Fleming viu que um fungo contaminante impedia o crescimento de bactérias numa placa de cultura. Mas ele não conseguiu purificar a substância, e a ideia ficou parada por cerca de dez anos. Foi a equipe de Howard Florey, Ernst Chain e Norman Heatley, em Oxford, que a isolou e a testou em pacientes, em 1941. Os três dividiram o Nobel de 1945, e a produção em massa saiu de laboratórios nos Estados Unidos.

Fleming, bacteriologista do Hospital St. Mary's, em Londres, publicou o achado em 1929, mas viu na penicilina sobretudo um antisséptico local, e o artigo teve pouca repercussão. A substância era instável e difícil de obter. Em Oxford, a equipe de Florey, com Chain e Heatley, purificou o composto e mostrou seu potencial terapêutico. O primeiro paciente, um policial, melhorou em 24 horas em fevereiro de 1941, mas o estoque acabou antes de a cura se completar, e ele morreu. Para produzir em escala, o trabalho foi levado ao laboratório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em Peoria, onde se usou fermentação em tanques profundos com licor de maceração de milho e uma linhagem de fungo muito mais produtiva, encontrada em 1943.

O aviso de Fleming

Ao receber o Nobel, em 1945, Fleming alertou que não era difícil tornar micróbios resistentes à penicilina. A resistência a antibióticos já aparecia no horizonte do próprio descobridor.

A placa de 1928

Fleming estudava estafilococos. Ao voltar de férias, notou que, ao redor de um fungo que contaminara uma placa, as bactérias não tinham crescido. Isolou o fungo, identificou-o como do gênero Penicillium e chamou o agente antibacteriano de penicilina. Em 1929 publicou o resultado, mas considerava a substância mais útil como antisséptico local. Como era instável e ele não conseguiu purificá-la, enviou culturas a outros pesquisadores, mas, por cerca de dez anos, nada avançou.

Oxford e o primeiro paciente

No fim da década de 1930, em Oxford, Howard Florey e Ernst Chain reconheceram o potencial terapêutico da penicilina, e Norman Heatley, o 'homem esquecido da penicilina', adaptou aparelhos improvisados, como um sistema de purificação feito de uma estante, para extraí-la. Em fevereiro de 1941, o policial Albert Alexander recebeu a primeira dose terapêutica e melhorou em 24 horas. O estoque, porém, acabou antes de um tratamento completo, e ele morreu.

Peoria e a produção em massa

Para fazer penicilina em quantidade, o trabalho foi levado ao laboratório do Departamento de Agricultura dos EUA em Peoria, Illinois. Andrew Moyer e colegas desenvolveram a fermentação submersa em tanques profundos, com licor de maceração de milho, subproduto da indústria de amido. Em 1943, um fungo encontrado num melão de um mercado local, a cepa NRRL 1951, mostrou-se bem mais produtivo do que o fungo original de Fleming. Foi a base da penicilina feita em escala durante a guerra.

O Nobel e o aviso

Em 1945, Fleming, Chain e Florey dividiram o Nobel de Medicina. Fleming recebeu mais atenção pública, enquanto Florey evitava a imprensa, o que consolidou a imagem de Fleming como único herói. Em seu discurso, ele observou que não é difícil tornar micróbios resistentes à penicilina. O aviso apareceu antes de a resistência a antibióticos se tornar o problema que é hoje para a medicina.

Como sabemos

Os marcos (1928, 1941, Nobel de 1945) coincidem em quatro fontes institucionais; a atribuição de mérito está tratada como debate.

Em debate: O crédito pela penicilina é discutido por historiadores. Fleming a descobriu e a nomeou em 1928, mas Florey, Chain e Heatley fizeram dela um medicamento, e a produção em escala veio dos laboratórios dos Estados Unidos. A publicidade em torno de Fleming alimentou o chamado mito Fleming. Também há diferença de nomenclatura do fungo entre as fontes: P. notatum nas mais antigas, P. rubens ou P. chrysogenum, conforme a revisão taxonômica.

Em debate: A autoria do achado do melão de Peoria é incerta: duas mulheres são citadas pelo USDA, Mary Hunt e Mary Lou Finley Roberson.

Fontes

  1. Emerging Infectious Diseases, CDC — The Discovery of Penicillin: New Insights After More Than 75 Years of Clinical Use
    consultada em 04/10/2026
  2. Science Museum Group — Oxford and the forgotten man of penicillin
    consultada em 04/10/2026
  3. USDA Agricultural Research Service — The Enduring Mystery of Moldy Mary
    consultada em 04/10/2026
  4. Science History Institute — Alexander Fleming
    consultada em 04/10/2026
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