Zoologia
Peixes soam pela bexiga natatória ou raspando espinhos; só cerca de 4% das espécies têm som testado
Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026
Assuntos: Comunicação animal
Muitos peixes produzem sons ativos. Em alguns, músculos sônicos fazem a bexiga natatória vibrar, como nas piranhas e no Porichthys notatus; em outros, como os bagres Synodontis, espinhos das nadadeiras raspam o ombro. Os sons aparecem em perturbação, agressão e reprodução. Mas só cerca de 4% das espécies de peixes têm teste de produção de som publicado, então o quadro geral é parcial.
A bexiga natatória é um órgão cheio de gás que regula a flutuação e, em muitos peixes, também participa da produção e da recepção de som. Músculos sônicos são músculos de contração muito rápida ligados a ela. Estridulação é raspar duas peças duras uma na outra, como o espinho da nadadeira peitoral no sulco do ombro. Os pesquisadores chamam de ativos os sons intencionais; chamamos aqui de passivos os que surgem de outra atividade, como a raspagem de um peixe-papagaio ao pastar. Este post trata de como o som é produzido e do que se sabe sobre sua função. Outros canais, como a linha lateral e os campos elétricos, têm posts próprios, e o ruído humano no oceano fica fora do recorte.
Uma bexiga que fala numa estação e ajuda a ouvir em outra
No Porichthys notatus, os músculos sônicos dos machos reprodutores ficam cerca de 7 vezes maiores que os das fêmeas. Fora da época de reprodução, a bexiga ganha extensões em forma de chifre, que a aproximam do ouvido interno e melhoram a sensibilidade a sons graves.
Dois mecanismos: bexiga em vibração e estridulação
No primeiro, um músculo sônico se contrai e faz a bexiga natatória vibrar. Nas piranhas, esses músculos saem das vértebras e prendem-se a um tendão que envolve a bexiga; a taxa de contração dita a frequência fundamental. Nos Holocentridae, costelas articuladas ligadas à bexiga vão e voltam, e cada pulso corresponde a um vaivém. No segundo, a estridulação, bagres Synodontis esfregam os espinhos peitorais em sulcos do ombro. Há também sons de mordida: segundo Mélotte e colegas, que citam Millot et al., a piranha-de-barriga-vermelha emite um som de 1.700 Hz ao fechar as mandíbulas.
Como sabemos: gravar, dissecar e medir
Os estudos de piranhas e de Holocentridae gravaram peixes segurados na mão, dissecaram o aparelho e examinaram os músculos. Para o Porichthys notatus, os autores combinaram morfologia, eletrofisiologia e modelagem, em machos coletados dentro e fora da estação reprodutiva. No campo, hidrofones registram sons sem tocar nos peixes. O limite é que um som gravado com o peixe preso não diz sozinho em que situação ele ocorre na natureza, nem o que significa para outro peixe.
O que se sabe sobre a função
A revisão de 2025 liga os sons de peixes de recife à perturbação, à agressão e à reprodução. No Porichthys notatus, os músculos sônicos aumentados dos machos reprodutores permitem os chamados de anúncio. Nos bagres Synodontis, os sons ocorrem em perigo e em disputas, e a audição é mais sensível justamente nas frequências dominantes dos próprios sons. Nos Holocentridae, o chamado não informa o tamanho do peixe. A função varia entre grupos e, para a maioria das espécies, não foi testada.
Quase tudo por estudar, e o uso no monitoramento
Só cerca de 4% das espécies de peixes têm teste de som publicado. Em recifes tropicais, 258 espécies têm som ativo comprovado; uma reconstrução evolutiva sugere até cerca de 75% sonoras ou prováveis, estimativa tratada como limite superior aproximado. O monitoramento acústico passivo acompanha agregações de desova, mas, no estudo do Epinephelus striatus, a posição do hidrofone mudou a detecção e até o padrão temporal, e os autores recomendam arranjos maiores de hidrofones.
Como sabemos
Mecanismos bem descritos em artigos abertos, mas cada um vale para poucas espécies; os números gerais são estimativas e há duas afirmações de segunda mão.
- Consenso científico: Peixes teleósteos evoluíram vários mecanismos de produção de som, entre eles a vibração da bexiga natatória; além de regular a flutuação, o órgão também participa da produção e da recepção de som. [2] Introdução
Contexto: Peixes teleósteos em geral; a fonte descreve a bexiga como órgão de recepção sobretudo para o subgrupo que detecta pressão sonora (por exemplo Ostariophysi e Gadiformes). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: No Porichthys notatus (midshipman), os músculos sônicos da bexiga dos machos reprodutores aumentam e permitem os chamados de anúncio; ficam cerca de 7 vezes maiores que os das fêmeas e 10 vezes maiores que os dos machos do tipo II. [2] Introdução
Contexto: Machos reprodutores do tipo I do Porichthys notatus, uma espécie do Pacífico; os valores de 7 e 10 vezes vêm de trabalhos anteriores citados na introdução do estudo. · Limitações: Os fatores 7× e 10× são citados pela fonte a partir de estudos anteriores, não medidos neste artigo. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Nas oito espécies de piranha comparadas, músculos sônicos saem das vértebras e prendem-se a um tendão que envolve a bexiga por baixo; a contração deles faz a bexiga vibrar e dita a frequência fundamental do som. [4] Resumo
Contexto: Oito espécies de piranhas (Serrasalmidae) neotropicais; os sons foram gravados com os peixes segurados na mão. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Em seis espécies de Holocentridae (peixes-esquilo e peixes-soldado), cada pulso do som resulta do vaivém de costelas articuladas ligadas à bexiga, movidas por músculos de contração rápida; o chamado não informa de modo confiável o tamanho do peixe. [3] Resumo
Contexto: Gêneros Holocentrus, Myripristis, Neoniphon e Sargocentron, de regiões diferentes; peixes gravados segurados na mão, com dissecção e microscopia dos músculos. · Limitações: Gravação com o peixe preso registra o som e o aparelho, mas por si só não diz em que situação natural o som é emitido (inferência nossa). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Bagres do gênero Synodontis, chamados de "squeakers", produzem sons de estridulação ao mover os espinhos das nadadeiras peitorais, esfregando-os em sulcos da cintura escapular; os sons ocorrem em situações de perigo e em disputas. [5] Introdução
Contexto: Gênero Synodontis (Mochokidae); o estudo mediu a espécie S. schoutedeni e cita a descrição do contexto de outras fontes. · Limitações: O contexto de perigo e de disputa vem da introdução do artigo, que o atribui a trabalhos anteriores. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Em bagres S. schoutedeni de todos os tamanhos estudados, as frequências em que a audição é mais sensível coincidem com as frequências dominantes dos sons de estridulação. [5] Resumo
Contexto: Seis classes de tamanho, de 22 mm a 126 mm de comprimento padrão, da espécie Synodontis schoutedeni. · Limitações: Mostra coincidência entre faixa de audição e faixa de emissão; não prova por si só que o som seja usado para comunicação entre bagres. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Muitos peixes de recife produzem sons ativos, que a literatura chama de intencionais, em comportamentos de perturbação, agressão e reprodução. [1] Introdução
Contexto: Peixes de recifes tropicais; "ativo (intencional)" é o termo dos autores da revisão. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Segundo uma revisão sobre piranhas, a piranha-de-barriga-vermelha (Pygocentrus nattereri) produz um som agudo, de cerca de 1.700 Hz, causado pelo fechamento rápido das mandíbulas, descrito por Millot e colegas. [4] Introdução
Contexto: Pygocentrus nattereri; a fonte f4 resume o trabalho de Millot et al., que não foi lido por nós. · Limitações: Fonte de segunda mão: leia como "segundo Mélotte et al., que citam Millot et al.". · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Num estudo de agrupamento sem rótulos aplicado a gravações de recifes havaianos, uma das classes de som identificadas por revisão manual foi a raspagem de peixes-papagaio ao pastar, um som sem função de sinal conhecida. [7] Resumo
Contexto: Gravações anuais de recifes de coral do Havaí; o algoritmo agrupou os sons e uma revisão manual identificou as classes. · Limitações: A fonte não classifica o som como "passivo" nem discute função; chamar esse som de passivo e dizer que não tem função de sinal conhecida é leitura nossa a partir da definição de som ativo como intencional. · Classificação como som passivo é nossa. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Só cerca de 4% das espécies de peixes têm teste de produção de som publicado, com viés provável para espécies e sons mais fáceis ou mais desejáveis de estudar e para resultados positivos. [1] Resultados e discussão
Contexto: Peixes do mundo todo; dado da revisão de 2025. · Limitações: O número é aproximado e a própria fonte aponta o viés de amostragem. · Valor aproximado dado pelos autores ("about 4%"); depende de como se conta teste publicado. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Cruzando bancos de dados, a revisão encontrou 258 espécies de peixes de recifes tropicais com produção ativa de som comprovada, em 46 famílias. [1] Resultados e discussão
Contexto: Peixes de recifes tropicais, com estudos publicados de 1874 a 2021 nos bancos FishSounds e FishBase. · Limitações: É contagem de espécies já estudadas, não de todas as que emitem som. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Uma reconstrução evolutiva sugere que cerca de 75% das espécies de peixes de recifes tropicais sejam sonoras ou provavelmente sonoras, número que os autores tratam como limite superior aproximado. [1] Resultados e discussão
Contexto: Peixes de recifes tropicais; a estimativa mistura espécies confirmadas e prováveis. · Limitações: A própria revisão alerta que deduzir por taxonomia exige cautela, porque o som evoluiu de modo independente em vários grupos e pode ter sido perdido. · Estimativa baseada em reconstrução de estado ancestral, não em medição direta. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Em campo, a observação direta mostrou produção ativa de som em 47% de 96 espécies de peixes de recife havaianos observadas. [1] Resultados e discussão
Contexto: Comunidade de peixes de recifes do Havaí, levantamento de Tricas e Boyle citado pela revisão. · Limitações: Fonte de segunda mão: a revisão (f1) cita o levantamento original, que não foi lido por nós. · Conferida em parte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: O monitoramento acústico passivo, com hidrofones, é usado para estudar comportamento e dinâmica populacional de peixes sonoros, e a produção de sons de garoupas ajudou a acompanhar suas agregações de desova. [1] Introdução [6] Resumo
Contexto: Peixes que emitem sons e se agregam para desovar, como o Epinephelus striatus (Nassau grouper). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Num sítio de desova do Epinephelus striatus em Little Cayman, com seis hidrofones e nove dias de gravação contínua, a detecção dos sons de agregação variou muito de um ponto a outro, e a posição do hidrofone influenciou até o padrão temporal. [6] Resumo
Contexto: Um único sítio de desova, em Little Cayman (Ilhas Cayman), numa estação de inverno. · Limitações: Um sítio e nove dias de dados; os autores recomendam arranjos de hidrofones suficientemente grandes para captar a tendência do local inteiro. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Journal of Fish Biology — Actively soniferous tropical reef fishes are diverse, vulnerable, and valuable
Hodson EJ, Cox K, Juanes F, Looby A · 2025 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1111/jfb.16030 - Proceedings of the Royal Society B — Functional plasticity of the swim bladder as an acoustic organ for communication in a vocal fish
Rogers LS, Lozier NR, Sapozhnikova YP, Diamond KM, Davis JL, Sisneros JA · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1098/rspb.2023.1839 - Frontiers in Zoology — Comparative study on sound production in different Holocentridae species
Parmentier E, Vandewalle P, Brié C, Dinraths L, Lecchini D · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1186/1742-9994-8-12 - Scientific Reports — Interspecific variation of warning calls in piranhas: a comparative analysis
Mélotte G, Vigouroux R, Michel C, Parmentier E · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/srep36127 - BMC Biology — Ontogenetic development of auditory sensitivity and sound production in the squeaker catfish Synodontis schoutedeni
Lechner W, Wysocki LE, Ladich F · 2010 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1186/1741-7007-8-10 - Ecological Applications — Hydrophone placement yields high variability in detection of Epinephelus striatus calls at a spawning site
Van Horn CJ, Candelmo AC, Heppell SA, McCoy CRM, Pattengill-Semmens CV, Waterhouse L, Cherubin LM, Taylor JC, Michaels W, Locascio J, Ibrahim AK, Semmens BX · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1002/eap.70081 - PLoS Computational Biology — Multi-class, unsupervised detection and classification of biological and anthropogenic sounds in coral reefs
Duane D, Duggan MT, Berlik E, Dantzker MS, Rice AN, Freeman LA · 2026 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pcbi.1014516
Histórico de alterações
- Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 15; conferência de trechos automatizada)