Zoologia

O peixe-caracol das Marianas: capturado a 7.966 m, filmado até 8.178 m e descrito como espécie nova em 2017

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Mar profundo

O peixe-caracol Pseudoliparis swirei foi descrito em 2017 a partir de 37 indivíduos capturados em armadilhas na Fossa das Marianas, entre 6.898 e 7.966 m: a captura mais funda de um vertebrado com profundidade corroborada até então. Em vídeo, a espécie foi registrada até 8.178 m. Uma revisão de 2021 listou 7.966 m (coleta) e 8.178 m (filmagem) como seus recordes entre os peixes ósseos.

A zona hadal vai de cerca de 6.000 a 11.000 m e quase só existe nas fossas oceânicas. Lá a pressão sobe 1 atmosfera a cada 10 m de água, chegando a cerca de 1.100 vezes a pressão do ar ao nível do mar no ponto mais fundo. Os peixes-caracol (família Liparidae) são o grupo de peixes mais abundante nessas profundidades, e cada fossa estudada tem seu próprio peixe-caracol. O das Marianas, Pseudoliparis swirei, mede de 89 a 235 mm, não tem pigmento e foi descrito por uma equipe da Universidade do Havaí e da Universidade de Newcastle com material coletado em 2014 e 2017. O nome homenageia um oficial do navio britânico HMS Challenger.

Um nome que vem de 1875

O epíteto swirei homenageia Herbert Swire, oficial da expedição do HMS Challenger. A sondagem de 8.184 m feita por esse navio, então a maior profundidade oceânica conhecida, foi batizada de Swire Deep, e os autores quiseram lembrar a tripulação que apoiou a oceanografia.

Como sabemos: armadilha, vídeo e profundidade corroborada

O recorde de coleta vem de armadilhas de queda livre iscadas com cavala, lastradas com aço que um liberador acústico solta para trazê-las de volta [a3]. Com o exemplar em mãos, a espécie é identificada e a profundidade, corroborada: as capturas foram de 6.898 a 7.966 m [a1][a2]. O vídeo vai mais fundo, até 8.178 m [a5][a6], mas a identificação é por aparência: no artigo de descrição, o limite do vídeo é 8.098 m e os indivíduos são 'provavelmente' da espécie [a4]. Capturar e filmar, portanto, não são o mesmo tipo de prova.

Um corpo para a pressão

Em P. swirei a pele e as escamas são transparentes e sem pigmento, os ossos são finos e incompletamente ossificados, e o crânio não é fechado [a10][a11]. O peixe não tem bexiga natatória (o balão de gás que muitos peixes usam para flutuar) e carrega uma camada de tecido gelatinoso sob a pele, que, segundo os autores, reduziria a densidade do corpo [a12]. Essa função é interpretação, não medição direta. Tudo isso acontece sob uma pressão que sobe 1 atmosfera a cada 10 m [a16].

Onde vive e por que parece só das Marianas

Em vídeo, os peixes se agrupam em torno da isca e comem anfípodes (crustáceos pequenos) que chegam junto [a13]. Os autores consideram a espécie quase certamente endêmica das Marianas [a14], e a genômica estima que ela se separou de um parente de águas rasas há cerca de 20 milhões de anos [a15]. O nome lembra a sondagem de 1875 do HMS Challenger [a17].

O recorde tem data

Em 2017 a coleta de P. swirei foi a mais funda com profundidade corroborada [a2]; em 2021 uma revisão listou 7.966 m de coleta e 8.178 m de filmagem, e um ofidiídeo da Fossa de Porto Rico com 7.965 m [a6][a7]. Ninguém tinha visto peixe abaixo de 8.200 m, número que uma hipótese sobre a molécula TMAO aponta como possível limite [a8]. Registros mais recentes, de outras espécies e fossas, estão no post sobre a TMAO e não são tratados aqui.

Como sabemos

Números de 2017 e 2021 vêm de texto integral ou resumo conferido; o recorde atual mudou depois e não foi detalhado aqui por falta de fonte acessível.

Fontes

  1. Zootaxa (Magnolia Press) — Pseudoliparis swirei sp. nov.: A newly-discovered hadal snailfish (Scorpaeniformes: Liparidae) from the Mariana Trench
    Gerringer, M. E., Linley, T. D., Jamieson, A. J., Goetze, E. & Drazen, J. C. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.11646/zootaxa.4358.1.7
  2. Integrative Organismal Biology — On the Success of the Hadal Snailfishes
    Gerringer, M. E. · 2019 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1093/iob/obz004
  3. Marine Biology (Springer Nature) — Revision of the depth record of bony fishes with notes on hadal snailfishes (Liparidae, Scorpaeniformes) and cusk eels (Ophidiidae, Ophidiiformes)
    Gerringer, M. E., Linley, T. D. & Nielsen, J. G. · 2021 · Revisão ou síntese científica · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1007/s00227-021-03950-8
  4. Nature Ecology & Evolution — Morphology and genome of a snailfish from the Mariana Trench provide insights into deep-sea adaptation
    Wang, K. et al. · 2019 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41559-019-0864-8
  5. Royal Society Open Science — Distribution, composition and functions of gelatinous tissues in deep-sea fishes
    Gerringer, M. E., Drazen, J. C., Linley, T. D., Summers, A. P., Jamieson, A. J. & Yancey, P. H. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1098/rsos.171063
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 11; conferência de trechos automatizada)

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