Arqueologia
Como a Pedra de Roseta ajudou a decifrar os hieróglifos egípcios
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
A Pedra de Roseta traz o mesmo decreto, de 196 a.C., em três escritas: hieróglifos egípcios, demótico e grego antigo. Como o grego ainda era lido, a pedra serviu de chave. O inglês Thomas Young mostrou que alguns hieróglifos escreviam os sons de um nome, o de Ptolomeu. Em 27 de setembro de 1822, o francês Jean-François Champollion anunciou à Academia de Paris que identificara os hieróglifos usados para nomes de governantes não egípcios.
O monumento foi achado em julho de 1799, durante a campanha de Napoleão no Egito, por soldados franceses que trabalhavam nas fundações de uma ampliação de um forte perto de Rashid, a Roseta dos franceses. Com a derrota de Napoleão, passou aos ingleses pelo Tratado de Alexandria, de 1801, e hoje está no Museu Britânico. Ninguém sabia ler hieróglifos: o conhecimento se perdera pouco depois do fim do século IV. A pedra não deu a leitura sozinha. Foram necessários 23 anos, comparações com outros textos, o conhecimento do copto e a disputa entre Young e Champollion, rivais, até que os sinais começassem a ser lidos.
Não era uma pedra única
O decreto foi gravado em estelas que deviam ser postas em todos os grandes templos do Egito. Até hoje se conhecem 29 decretos desse tipo em pedra, e 22 continuam no Egito. Algumas dessas estelas ajudaram a completar o texto hieroglífico, que na Pedra de Roseta está preservado só em parte.
O que a pedra diz
A pedra é um fragmento de granodiorito de uma estela maior. Registra um decreto de um conselho de sacerdotes reunido em Mênfis, no primeiro aniversário da coroação de Ptolomeu V, de 13 anos. O texto confirma o culto real de um rei macedônio como governante divino e é cópia parcial de um modelo de cerca de cem anos antes. Também recorda fatos do reinado, como a Grande Revolta, uma sublevação egípcia que desafiou o poder ptolomaico por quase vinte anos.
Por que três escritas
O hieróglifo era a escrita sagrada, adequada a um decreto sacerdotal. O demótico era a escrita cursiva egípcia do uso diário. O grego era a língua da administração, trazida pelos governantes greco-macedônios depois de Alexandre. A pedra tem 14 linhas hieroglíficas, 32 demóticas e 54 gregas. Como o mesmo texto aparece três vezes e o grego ainda podia ser lido, a pedra deu aos estudiosos algo que antes lhes faltava: um ponto de comparação.
Young e Champollion
Thomas Young, físico inglês, foi um dos primeiros a mostrar que alguns hieróglifos escreviam os sons do nome de Ptolomeu. Champollion, filólogo francês, foi além: identificou os sinais usados em nomes de governantes não egípcios, e o anunciou na Académie des Inscriptions et Belles-Lettres, em 27 de setembro de 1822, diante de Young. Depois notou que os sinais alfabéticos também valiam para nomes egípcios e, com o copto, começou a ler inscrições.
Depois de 1822
A decifração não terminou com o anúncio. Champollion foi o primeiro a reconhecer que os sinais podiam ser alfabéticos, silábicos ou determinativos, segundo a Britannica, e muitas portas ainda estavam fechadas. Os decretos semelhantes achados em outras estelas ajudaram a completar o texto hieroglífico da pedra. O Museu Britânico resume que a importância da pedra para a egiptologia é imensa.
Como sabemos
Descrição, datas e etapas da decifração vêm do Museu Britânico e da Britannica; a data exata da descoberta é apresentada como versão mais aceita.
Em debate: Mérito da decifração: Thomas Young e Jean-François Champollion foram rivais. Young mostrou que alguns sinais escreviam sons de nomes; Champollion estabeleceu que os sinais alfabéticos valiam também para o egípcio e conseguiu ler inscrições. O Museu Britânico e a Britannica reconhecem o papel de ambos, com pesos diferentes.
- Fato estabelecido: A Pedra de Roseta é parte de uma estela de granodiorito com um decreto sacerdotal sobre Ptolomeu V em três blocos de texto: hieroglífico (14 linhas), demótico (32 linhas) e grego (54 linhas). [1] [2]
- Fato estabelecido: As inscrições foram gravadas em 196 a.C., no primeiro aniversário da coroação de Ptolomeu V (reinado de 204 a 181 a.C.). [2]
- Fato estabelecido: O decreto, aprovado por um conselho de sacerdotes em Mênfis, confirma Ptolomeu V como governante divino, embora ele fosse macedônio e não egípcio. [2]
- Consenso científico: Soldados do exército de Napoleão acharam a pedra em 1799, ao cavar as fundações de uma ampliação de um forte perto de el-Rashid (Roseta); a versão mais aceita dá 15 de julho de 1799. [1] [2]
O Museu Britânico diz que os relatos da descoberta são hoje vagos; a data de 15 de julho é a versão mais aceita. - Fato estabelecido: Com a derrota de Napoleão, a pedra passou à propriedade dos ingleses pelo Tratado de Alexandria (1801); consta como doada por Jorge III ao Museu Britânico. [1]
- Fato estabelecido: Depois do fim do século IV d.C., quando os hieróglifos saíram de uso, o conhecimento de como lê-los desapareceu. [1] [2]
- Fato estabelecido: Thomas Young (1773–1829) foi um dos primeiros a mostrar que alguns hieróglifos da Pedra de Roseta escreviam os sons de um nome real, o de Ptolomeu. [2]
- Fato estabelecido: Champollion identificou os hieróglifos usados para escrever os nomes de governantes não egípcios e anunciou isso em 27 de setembro de 1822 na Académie des Inscriptions et Belles-Lettres, em Paris, com Young na plateia; a análise se baseou na Pedra de Roseta e em outros textos. [2]
- Fato estabelecido: Champollion percebeu depois que os sinais alfabéticos também escreviam nomes egípcios; com seu conhecimento do copto, derivado do egípcio antigo, passou a ler inscrições hieroglíficas. [2]
- Consenso científico: Champollion foi o primeiro a reconhecer que alguns sinais eram alfabéticos, outros silábicos e outros determinativos. [3]
Formulação da Britannica; a avaliação do mérito relativo de Young e Champollion é tema de debate histórico. - Fato estabelecido: Conhecem-se 29 decretos em pedra desse tipo no Egito, 22 deles ainda no país, e alguns ajudaram a compreender o texto hieroglífico completo, parcialmente preservado na Pedra de Roseta. [2]
- Fato estabelecido: O texto da pedra é cópia parcial de um modelo composto cerca de um século antes, no século III a.C., e conta também fatos reais do reinado de Ptolomeu V, como a Grande Revolta (204–186 a.C.). [2]
- Fato estabelecido: Napoleão fez campanha no Egito de 1798 a 1801. [2]
Fontes
- British Museum — Rosetta Stone (EA24), ficha de coleção
consultada em 04/10/2026 - British Museum — The Rosetta Stone: everything you need to know
consultada em 04/10/2026 - Encyclopaedia Britannica — Jean-François Champollion
consultada em 04/10/2026
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