História da Ásia
A partição da Índia em 1947 deslocou mais de 10 milhões de pessoas
Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
Em 1947, a saída britânica da Índia foi antecipada para 15 de agosto, e a divisão de Punjab e Bengala ficou nas mãos de Cyril Radcliffe, um advogado que nunca tinha estado no país. Ele chegou em 8 de julho e entregou o mapa em 12 de agosto. A linha só foi divulgada em 17 de agosto, dois dias depois das independências. As estimativas falam em 10 a 15 milhões de pessoas deslocadas e em 500 mil a 1 milhão de mortos.
A Índia britânica foi dividida em dois Estados: a Índia e o Paquistão, este em duas partes distantes, uma a oeste e outra a leste, em Bengala. O prazo original para a retirada britânica era junho de 1948, mas o último vice-rei, Lord Mountbatten, concluiu que um entendimento entre o Congresso e a Liga Muçulmana era impossível e adiantou a data para 15 de agosto de 1947. Duas comissões de fronteira, com quatro membros do Congresso e quatro da Liga Muçulmana, foram presididas pelo mesmo Radcliffe, um advogado sem experiência em fronteiras. Os números dessa catástrofe são estimativas: variam conforme a fonte e o método, e nenhuma contagem sistemática foi feita na época.
Dois dias sem fronteira
Radcliffe entregou o mapa em 12 de agosto, mas Mountbatten adiou a divulgação para depois das cerimônias de independência. Nos primeiros dois dias de existência, Índia e Paquistão não tinham fronteiras conhecidas. Em regiões de destino incerto, as duas bandeiras chegaram a ser hasteadas.
A pressa da retirada
O prazo dado a Mountbatten era junho de 1948. Pouco depois de chegar, ele concluiu que um entendimento entre o Congresso e a Liga Muçulmana era impossível e antecipou a data para 15 de agosto de 1947. Segundo Cambridge, a transferência de poder foi comprimida em menos de seis meses. Foi nesse intervalo que se decidiu o que seria Índia e o que seria Paquistão, e onde passaria a fronteira entre eles.
O advogado e as cinco semanas
Cyril Radcliffe, advogado britânico respeitado por sua capacidade intelectual, nunca tinha estado na Índia. Chegou em 8 de julho de 1947 e soube que o trabalho tinha de acabar até 15 de agosto. Presidiu as duas comissões, a de Punjab e a de Bengala, cada uma com quatro membros do Congresso e quatro da Liga Muçulmana. Entregou o laudo em 12 de agosto. Antes de voltar à Inglaterra, destruiu seus papéis sobre o processo.
Punjab e Bengala
No Punjab, a linha separou Amritsar, na Índia, de Lahore, no Paquistão: a Índia ficou com cerca de 62% da área da província e 55% da população. Em Bengala, a parte oriental formou o Paquistão Oriental, hoje Bangladesh. Os Chittagong Hill Tracts, onde os muçulmanos eram cerca de 3% da população, foram atribuídos ao Paquistão. Os próprios documentos da época registram o caos de fronteiras ainda incertas, com bandeiras dos dois países hasteadas no mesmo lugar.
A violência e a travessia
A divulgação foi adiada até 17 de agosto, depois das independências, e a violência no Punjab atingiu o auge em setembro. Cerca de 4 milhões de muçulmanos saíram do Punjab e número semelhante de hindus e sikhs chegou do Paquistão Ocidental, segundo documento da época. O total de deslocados é estimado em 10 a 15 milhões, e o de mortos, em 500 mil a 1 milhão. São estimativas, não contagens, e a fronteira resultante segue entre as mais militarizadas do mundo.
Como sabemos
Datas e fatos da comissão vêm de fontes acadêmicas e de arquivo; deslocados e mortos são estimativas em faixa, e faltam fontes de pesquisadores sul-asiáticos.
Em debate: As cifras de deslocados (de 10 a mais de 15 milhões) e de mortos (de 500 mil a 1 milhão, com estimativas ainda diferentes) variam conforme a fonte e o método, porque nunca houve contagem sistemática.
Em debate: A responsabilidade pelo desastre é disputada entre historiadores: pesa a pressa britânica na retirada, e pesa também o fracasso do entendimento entre o Congresso e a Liga Muçulmana. As fontes citadas descrevem a pressa, mas não decidem o debate.
- Fato estabelecido: O prazo original para a retirada britânica era junho de 1948, e Mountbatten o antecipou para 15 de agosto de 1947 ao concluir que um entendimento entre as partes era impossível. [2]
- Fato estabelecido: Cyril Radcliffe era um advogado britânico respeitado por sua capacidade intelectual, mas nunca tinha estado na Índia. [2]
- Fato estabelecido: Radcliffe chegou à Índia em 8 de julho de 1947 e soube que a fronteira tinha de estar pronta até 15 de agosto, cerca de cinco semanas. [2] [5]
- Fato estabelecido: Radcliffe presidiu as duas comissões de fronteira, a de Punjab e a de Bengala, cada uma com quatro membros do Congresso e quatro da Liga Muçulmana. [2] [3]
- Fato estabelecido: Radcliffe entregou o laudo em 12 de agosto, e Mountbatten adiou a divulgação para 17 de agosto, depois das independências; por dois dias os países ficaram sem fronteiras conhecidas, e em alguns lugares as duas bandeiras foram hasteadas. [2] [3]
- Fato estabelecido: A linha de Punjab separou Amritsar, que ficou na Índia, de Lahore, que ficou no Paquistão, e deu à Índia cerca de 62% da área da província, com 55% da população. [2]
- Fato estabelecido: Os Chittagong Hill Tracts, em Bengala, foram atribuídos ao Paquistão, embora a população muçulmana fosse de apenas cerca de 3%. [2]
Dado de Chester (UNC), que cita o percentual; confirmar em segunda fonte. - Fato estabelecido: Punjab Ocidental passou ao Paquistão e Punjab Oriental, à Índia; Bengala também foi dividida, e a parte oriental formou o Paquistão Oriental (hoje Bangladesh). [3]
- Estimativa: Cerca de 10 a 15 milhões de pessoas foram deslocadas pela partição (10 a 12 milhões segundo uma fonte; até 14 milhões segundo Cambridge e a Cruz Vermelha; mais de 15 milhões segundo o Arquivo Nacional britânico). [1] [2] [3] [4]
As fontes divergem entre 10–12 e 15 milhões; não houve contagem sistemática. Todas concordam em mais de 10 milhões. - Estimativa: O número de mortos é estimado entre 500 mil e 1 milhão; Cambridge fala em centenas de milhares e a Cruz Vermelha em até 1 milhão. [1] [2] [4]
Há estimativas mais baixas e mais altas; a faixa de 500 mil a 1 milhão é a que aparece nas fontes abertas. - Estimativa: Cerca de 4 milhões de muçulmanos deixaram o Punjab e número semelhante de hindus e sikhs chegou do Paquistão Ocidental. [3]
Cifra de um documento oficial da época, reproduzido pelo Arquivo Nacional britânico. - Fato estabelecido: A violência atingiu o auge no Punjab em setembro de 1947. [3]
- Fato estabelecido: Radcliffe destruiu seus papéis sobre a partição antes de voltar à Inglaterra, o que limita o acesso a fontes primárias além do laudo oficial. [5]
- Fato estabelecido: A fronteira hoje é uma das mais militarizadas do mundo. [1]
Fontes
- University of Cambridge — A tryst with destiny
consultada em 05/10/2026 - American Diplomacy, University of North Carolina at Chapel Hill — The 1947 Partition: Drawing the Indo-Pakistani Boundary
consultada em 05/10/2026 - The National Archives (Reino Unido) — Partition of British India
consultada em 05/10/2026 - British Red Cross — India partition: Red Cross response to the refugee crisis
consultada em 05/10/2026 - Global Histories of Statelessness (Yale University / University of Manitoba) — Radcliffe Report of the Punjab Boundary Commission, 1947
consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão