História do Brasil

Paraty foi porto do ouro de Minas Gerais e, em 2019, entrou na lista da UNESCO como patrimônio cultural e natural

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Com o ouro de Minas Gerais, o Caminho do Ouro ligou a região mineradora a Paraty, de onde o metal e produtos agrícolas seguiam para a Europa. Por Paraty também entravam africanos escravizados. Em 2019, a UNESCO inscreveu Paraty e Ilha Grande, Cultura e Biodiversidade, o primeiro sítio brasileiro misto, ao mesmo tempo cultural e natural. O centro histórico conserva o traçado urbano do século XVIII.

Paraty se separou de Angra dos Reis em 1667. Seu porto ganhou importância central nos primeiros anos da mineração, e um sistema de defesa foi construído para protegê-lo. O auge durou pouco: uma carta régia de 1698 mandou abrir o Caminho Novo, mais curto, que desviou o tráfego do ouro e esvaziou a região, que depois viveu de café, cana-de-açúcar e cachaça. O que a UNESCO reconheceu em 2019 vai além da cidade: são seis áreas, entre elas o centro histórico, o Morro da Vila Velha, com as ruínas do Forte Defensor Perpétuo, um trecho do Caminho do Ouro dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina e áreas de Mata Atlântica, onde ainda vivem comunidades quilombolas, guaranis e caiçaras.

Floresta com recorde de plantas endêmicas

Segundo a UNESCO, o sítio concentra a maior riqueza de plantas vasculares endêmicas do hotspot da Mata Atlântica e abriga 57% das espécies de aves endêmicas dessa região, numa faixa que vai do nível do mar a cerca de 2.000 metros.

Um porto para o ouro

Paraty se separou de Angra dos Reis em 1667, depois de rebeliões de seus moradores, e passou à capitania do Rio de Janeiro. Quando o ouro de Minas Gerais começou a ser extraído, seu porto se tornou central para a exportação do metal. O Caminho Velho, ou Caminho do Ouro, ligava a região mineradora a Paraty, e o ouro seguia dali para a Europa, junto com produtos agrícolas. Por Paraty também entravam africanos escravizados, e foi construído um sistema de defesa para proteger o porto rico.

O Caminho Novo e a perda do tráfego

O Caminho Velho era lento, com cerca de 73 dias de viagem e o risco do trecho marítimo perto de Angra. Uma carta régia de 1698 mandou abrir o Caminho Novo, que reduziu o tempo a um terço e desviou o ouro de Paraty. Em 1727, o posto de fiscalização da vila ainda tinha dificuldade para impedir o contrabando. Com o desvio, a região se esvaziou. Mais tarde, o café, a cana-de-açúcar e a cachaça reergueram a economia local, segundo o Arquivo Nacional.

Cidade, forte, caminho e mata

O sítio da UNESCO tem seis partes: o centro histórico, que mantém o traçado urbano do século XVIII; o Morro da Vila Velha, onde ficam as ruínas do Forte Defensor Perpétuo; e quatro áreas protegidas, entre elas o Parque Nacional da Serra da Bocaina, que guarda um trecho do Caminho do Ouro. A área inclui sítios arqueológicos de ocupação indígena desde a pré-história, primeiro de caçadores-coletores e depois de guaranis. Os europeus chegaram no século XVI e escolheram o lugar por ser um refúgio seguro para navios e uma das portas para o interior.

Quem vive ali e o que está em risco

A UNESCO destaca que comunidades quilombolas, guaranis e caiçaras mantêm modos de vida e ritos ancestrais, e que a pesca tradicional segue forte. Os quilombolas descendem de africanos escravizados no período colonial. O sítio foi reconhecido por dois critérios, um cultural, pela interação entre as pessoas e a paisagem, e outro natural, pela biodiversidade da Mata Atlântica. A própria UNESCO adverte que as mudanças climáticas e o aumento de desastres naturais tornam a paisagem cultural de Paraty muito vulnerável.

Como sabemos

O núcleo histórico e a inscrição de 2019 estão na UNESCO e no Arquivo Nacional; apenas o rótulo "sítio misto, cultural e natural," depende de páginas institucionais que não consegui abrir.

Fontes

  1. UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial — Paraty and Ilha Grande: Culture and Biodiversity
    consultada em 04/10/2026
  2. Arquivo Nacional, História Luso-Brasileira — Registro de Paraty
    consultada em 04/10/2026
  3. Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro — Paraty e Ilha Grande são eleitos Patrimônio Mundial da UNESCO
    consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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