Paleontologia

Rochas do Rio Grande do Sul, de cerca de 233 milhões de anos, guardam alguns dos dinossauros mais antigos conhecidos

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Na região de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, camadas da Formação Santa Maria preservam dinossauros do Triássico Superior. Datações de cristais de zircão dão a essas rochas cerca de 233 milhões de anos, com margem de 0,73 milhão. Isso as coloca entre as mais antigas com dinossauros do mundo, em empate técnico com a Formação Ischigualasto, na Argentina.

Os dinossauros gaúchos eram pequenos. Staurikosaurus, descrito em 1970 pelo norte-americano Edwin Colbert, era um predador bípede de até cerca de 2,5 metros. Saturnalia e Buriolestes pertencem à linhagem que, dezenas de milhões de anos depois, daria os saurópodes gigantes. Viviam na Pangeia, quando os continentes formavam uma massa só e o clima era em boa parte árido. A idade vem de uma análise de zircão publicada em 2018 por Max Langer (USP), Jahandar Ramezani (MIT) e Átila Da Rosa (UFSM). Os dados mostram que dinossauros já eram diversos no Brasil naquela época, mas ainda pequenos e discretos no ecossistema.

O primeiro parente dos saurópodes comia carne

Buriolestes schultzi, descrito em 2016, tem dentes curvos e serrilhados, de predador. É o sauropodomorfo mais basal conhecido: o grupo dos gigantes herbívoros começou com um animal carnívoro.

Datar a rocha, não o osso

Fósseis em si raramente podem ser datados por radioisótopos. Por isso os pesquisadores analisam cristais de zircão em camadas associadas aos fósseis. A técnica usada, CA-ID-TIMS, mede a razão entre urânio e chumbo nos cristais com alta precisão. O resultado de 233,23 milhões de anos, com margem de 0,73, vale para a camada, e os fósseis são interpretados em relação a ela. Por isso o dado é uma idade máxima ou aproximada para cada animal, não uma data exata.

Brasil e Argentina empatados

A Formação Ischigualasto, na Argentina, abriga Herrerasaurus e Eoraptor, e é cerca de 1,5 milhão de anos mais jovem que a Santa Maria, segundo a reportagem da Pesquisa FAPESP. A diferença é pequena diante das margens de erro, por isso o mais seguro é dizer que os dois lados da América do Sul guardam os registros mais antigos conhecidos, e não que um deles seja o único berço dos dinossauros.

Pequenos e ainda coadjuvantes

Os dinossauros gaúchos tinham até cerca de 2,5 metros e dividiam o ambiente com outros répteis, como os lagerpetídeos, parentes próximos que não eram dinossauros. O achado de Buriolestes ao lado de um lagerpetídeo, publicado em 2016, mostra essas linhagens convivendo no começo da história do grupo, antes de os dinossauros se tornarem dominantes.

A dieta que mudou

Os sauropodomorfos acabariam herbívoros e gigantes. Os dentes de Buriolestes e o crânio reduzido de Saturnalia sugerem que o início da linhagem foi de predadores ou onívoros pequenos. A transição para a herbivoria segue em estudo, e as hipóteses variam conforme o fóssil analisado. Por isso este post trata a dieta de Saturnalia como hipótese e a de Buriolestes como evidência forte.

Como sabemos

Datação e descrições centrais confirmadas em resumos de artigos e na imprensa científica; textos completos não foram lidos.

Fontes

  1. Gondwana Research (registro na Biblioteca Virtual FAPESP) — U-Pb age constraints on dinosaur rise from south Brazil
    consultada em 06/10/2026
  2. Current Biology — A Unique Late Triassic Dinosauromorph Assemblage Reveals Dinosaur Ancestral Anatomy and Diet (PMID 27839975)
    consultada em 06/10/2026
  3. American Museum of Natural History — A saurischian dinosaur from the Triassic of Brazil
    consultada em 06/10/2026
  4. Pesquisa FAPESP — A primeira terra dos dinossauros
    consultada em 06/10/2026
  5. PLoS One / Scientific Reports — Saturnalia tupiniquim: crânio (PLoS One, 2019) e endocasto (Scientific Reports, 2017)
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
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  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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