Ecologia

Pampa: o bioma de campos que muita gente confunde com pasto, mas guarda cerca de 3 mil espécies de plantas

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

O Pampa ocupa cerca de 176,5 mil km² no Brasil, só no Rio Grande do Sul. Parece pasto, mas é um bioma de campos nativos: levantamentos da UFRGS contaram 57 espécies de plantas em um único metro quadrado, a maior densidade registrada entre os biomas brasileiros. Estima-se que o Pampa tenha cerca de 3 mil espécies de plantas.

Campo nativo não é pasto plantado. É vegetação formada por gramíneas e outras ervas, em geral com menos de um metro de altura, que convive com morros ondulados, banhados, matas ao longo dos rios e afloramentos de rocha. Os campos do sul do Brasil evoluíram sob a ação do fogo e do pastejo de grandes herbívoros, e esses dois fatores ajudam a manter a variedade de plantas quando bem manejados. É por isso que a pecuária sobre campo nativo pode coexistir com a biodiversidade, enquanto a troca por lavouras, silvicultura ou pastagem semeada a elimina. Segundo o Inpe, 58,6% da área do bioma já foi descaracterizada.

Uma ave de pampa que corre

A ema (Rhea americana), a maior ave do Brasil, que não voa, vive nos campos do Pampa e também em outros ambientes abertos. Há registros fotográficos dela com filhotes em Candiota (RS) e na APA do Ibirapuitã.

Campo nativo não é pastagem plantada

A pastagem cultivada costuma ser formada por poucas espécies forrageiras semeadas, muitas vezes depois de herbicida sobre a vegetação original. O campo nativo reúne centenas de gramíneas, leguminosas e outras ervas que cresceram ali ao longo de milênios. Do alto, os dois podem parecer verdes e planos. A diferença está no número de espécies e na função ecológica.

Fogo e pastejo

Segundo a Rede Campos Sulinos, da UFRGS, fogo e pastejo são fatores importantes para a persistência dos campos, que evoluíram com eles. Sem eles, arbustos e floresta tendem a avançar. Isso não significa que qualquer queimada ou qualquer lotação de gado seja boa: o manejo inadequado e o fogo indiscriminado também degradam o campo.

Quanto já se perdeu

Segundo o Inpe, 58,6% da área do Pampa brasileiro já foi descaracterizada. Estudos citados pela Rede Campos Sulinos estimam perda de cerca de 25% dos campos em três décadas. Os números diferem porque a metodologia e o período mudam, mas apontam na mesma direção: a conversão para lavouras e silvicultura avança.

Pouco protegido

O Pampa é o bioma brasileiro menos representado em unidades de conservação, e as estimativas variam de menos de 0,5% a 3,3% da área. Como a maior parte das terras é particular e usada para pecuária, a conservação depende em grande medida de manter o campo nativo em produção, sem convertê-lo.

Como sabemos

Fatos gerais bem sustentados, mas números de perda, proteção e riqueza variam entre fontes secundárias e foram atribuídos.

Em debate:

Fontes

  1. Agência Senado — Avanço de monoculturas coloca Pampa em risco
    consultada em 06/10/2026
  2. National Geographic Brasil — Mais degradado que Cerrado e Amazônia, Pampa é o bioma menos protegido do país
    consultada em 06/10/2026
  3. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — Rede Campos Sulinos: campos do sul do Brasil
    consultada em 06/10/2026
  4. Wikimedia Commons — Ema com filhotes, Candiota (RS), e APA do Ibirapuitã
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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